Religião e política não se misturam?

Rômulo Ribeiro  »  novembro 2020

Ponto de Vista Bíblico »

Há muito tempo o “politicamente correto” não permite que as igrejas falem sobre o caminho que os homens públicos estão traçando para a sociedade. Desde 1954, era vetado aos clérigos nos Estados Unidos o direito de criticar um partido ou um político a partir de seus púlpitos sob pena de prisão e perda de isenção tributária que as instituições sem fins lucrativos gozam naquele país. No Governo Trump, esta lei, Johnson Amendment, foi aliviada e agora líderes religiosos podem discutir nos templos os rumos que os três poderes da República estão impondo sobre os cidadãos norte-americanos. Porém, esta lei não foi revogada, pois, para isso, necessitaria da participação maciça do Congresso e do Senado. Assim que um candidato à esquerda do Partido Democrata assumir a Casa Branca, a restrição contra as igrejas voltará a ser exigida.

No Brasil não é diferente! Há projetos de leis que visam paralisar a crítica contra autoridades nas redes sociais e juízes federais já ameaçaram usar a Lei de Abuso do Poder Religioso, que não existe, mas que está sendo baseada na Lei de Abuso do Poder Econômico, para calar os líderes religiosos que se atrevam a falar mal dos homens públicos e escolher um lado do tabuleiro político do país. Por muitos anos, as alas católica e evangélica apoiaram políticos que prometiam lutar contra a pobreza e a corrupção endêmica no Brasil. Desapontados com os rumos do país desde a reabertura política em 1986, os cristãos conservadores elegeram um novo governo de direita e, desde então, estão sendo forçados a não se envolverem com a política pelo lado que perdeu as eleições. A continuar assim, haverá perseguição religiosa no Brasil e o conteúdo das pregações será monitorado em tempo real pela mídia e pelos fiscais dos partidos políticos.

O movimento batista fundamentalista no Brasil não se posiciona oficialmente a favor deste ou daquele candidato público, pois não representamos homens e tão pouco eles nos representam. Defendemos ideias que se coadunam com os ensinamentos cristãos, dentre elas o direito à vida, a defesa da família tradicional, liberdade religiosa e de expressão, direito à propriedade privada, o trabalho honesto, além do direito de ir e vir consagrado em nossa Constituição. Esses valores são imutáveis independentemente de quem esteja no poder. Nós não temos um político de estimação; porém, nós estimamos o patriotismo, o conservadorismo e a família composta de um homem e de uma mulher como pilar da sociedade. É assim que procuramos eleger as nossas autoridades políticas.

A Igreja não pode abrir mão de seu direito e dever de analisar os fatos terreais através das lentes da Palavra de Deus. Escatologia (doutrina que trata dos finais dos tempos) não pode ser compreendida aparte dos rumos políticos que o nosso país e o mundo estão traçando através de seus juízes e parlamentares. A Igreja apenas precisa ter o cuidado para não moldar os seus ensinamentos bíblicos através da política, mas, sim, discutir a política através de sua visão bíblica de mundo. A plenitude dos gentios, a Estátua que representa todos os reinos da terra no livro de Daniel, capítulo dois, e o próprio governo mundial do anticristo são símbolos políticos que precisam ser ensinados nas atividades eclesiásticas sem medo que as autoridades atuais venham a nos perseguir por isso. Por exemplo, Daniel 11.37 diz que o grande líder mundial que está para surgir no mundo não terá respeito ao amor das mulheres. Não podemos afirmar que ele será um homossexual convicto, mas esta passagem bíblica é um assunto que merece a nossa discussão, principalmente quando a prática sexual entre pessoas do mesmo gênero já se tornou um direito inalienável aos olhos da Justiça e, como religião que é, está fazendo prosélitos aos milhões de nossas crianças e jovens, enquanto as famílias tradicionais estão sendo destruídas e dilaceradas.  Política e religião não se misturam? Misturam-se sim! Por esta razão a pedrinha de Daniel, capítulo dois, irá destruir todos os reinos da terra e inaugurar o Seu próprio reino de paz e de justiça, mas somente para aquelas pessoas que não se converteram ao sistema deste mundo. 

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