Queremos ser perfeitos?

Paulo Arruda  »   julho 2021

Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas, nos narram a história de um jovem, cujo nome não é citado por nenhum deles, mas é enfatizado que se tratava de alguém que tinha muitas posses, ele era rico. Este jovem chega até Jesus com uma grande preocupação. Ele sabe que está direcionando a sua pergunta para a pessoa certa e ele então lhe indaga: “Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna? ”. Jesus lhe diz que se ele quer entrar na vida eterna deve guardar os mandamentos. “Quais os mandamentos? ”. Pergunta aquele jovem. Ao que Jesus responde: Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; honra a teu pai e a tua mãe; e amarás ao teu próximo como a ti mesmo (Note que Jesus não falou nada sobre guardar o sábado). Replicou-lhe o jovem: “Tudo isso tenho observado; que me falta ainda? ”

Neste momento Jesus faz uma declaração àquele jovem. Declaração esta que Ele não fez a mais ninguém durante o seu ministério, Ele disse: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem, e segue-me. ”

O texto finaliza dizendo que aquele jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades.

Por um momento feche os seus olhos, se desligue de tudo aquilo que estiver ao seu redor agora, imagine-se tendo o grato privilégio de encontrar-se frente a frente com o Mestre dos Mestres. Agora lembre-se, você realmente já teve esse encontro maravilhoso com Ele. Naquele dia em que você abriu o seu coração e orou pedindo para que Ele viesse fazer morada na sua vida, Ele veio e fez com que o Espírito Santo habitasse em você, como penhor, como garantia de que você está seguro até a Sua vinda gloriosa para buscar a Sua igreja. Volte agora para o que estava imaginando, e agora, diante de Jesus, Ele faz a ti a mesma proposta que fez ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem, e segue-me. ”

A pergunta que não quer calar é esta: O que eu e você estamos dispostos a fazer quanto a isto? Talvez esse seja o momento de parar essa leitura, colocar esse artigo na prateleira de alguma estante; ou, talvez, passar para alguém que achamos que precisa ler mais isso do que eu; ou, quem sabe, até apagá-lo, haja vista que eu não quero isso me incomodando.

Será que ao ouvirmos estas palavras de Jesus nós vamos fazer o mesmo que aquele jovem? Retirar-se triste ou realmente fazer o que Ele ordenou e voltar para seguir a Ele, fazendo assim a sua vontade?

Eu concordo com você que essa é, certamente de todas a maior decisão que o ser humano tem a tomar. No entanto, alguns versículos mais adiante, Jesus, em uma conversa particular com seus discípulos, lhes afirma algo que nos conforta e nos traz uma paz e segurança que homem algum poderia nos dá, Ele diz: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e herdará a vida eterna. ”

Queremos ser perfeitos? Sejamos abençoadores.

Muito embora a Bíblia não fale o nome daquele jovem, a tradição nos diz que o nome dele era José, a quem, mais tarde, os discípulos apelidaram de Barnabé, que quer dizer “filho da exortação”, este, tendo um campo, vendendo-o, depositou o valor aos pés dos apóstolos. Barnabé foi o primeiro e grande exemplo da igreja primitiva, aquela igreja que viveu o verdadeiro cristianismo a ponto do doutor Lucas registrar no livro de Atos que todos os que creram estavam juntos, e tinham tudo em comum; que vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade; que diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa, e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração; e que, louvando a Deus, contavam com a simpatia de todo o povo e, enquanto isso acontecia, o SENHOR acrescentava-lhes dia a dia os que iam sendo salvos.

Você consegue entender isso? Aquela igreja estava crescendo em decorrência do testemunho de vida daquelas pessoas, não é que eles deixaram de pregar, é que a pregação deles condizia com aquilo que eles estavam vivendo e vice-versa, e assim o amor aflorava em cada ação praticada por aqueles irmãos.

Fico imaginando que fosse assim: A família de Josafá não era crente, porém os seus vizinhos João e Maria professavam a fé. Um certo dia, os filhos de Josafá, brincando com os filhos de João, descobriram que aquela família não tinha nada para sua refeição naquele dia. Josafá, sabendo que a família de João fazia parte do Caminho, disse para os seus: “Vamos ver agora como se comportam essas pessoas que falam tanto de amor, diante da necessidade da família do João. ”

De repente, ouve-se um alarido, Josafá e os seus correm para a janela de sua casa para ver o que estava acontecendo. Eles contemplam então um grande grupo de pessoas, homens, mulheres e crianças, que se dirigiam à casa de João, cada um deles trazendo algum tipo de alimento em suas mãos. Todos chegaram ali com muita alegria no coração, depositaram os alimentos na mesa de João, louvaram ao SENHOR, oraram agradecendo a Deus pelos alimentos e pelo prazer de poder compartilhar uns com os outros; depois todos se serviram e se fartaram.

Vendo isto, testemunhando esse ato de amor e tendo sido, inclusive, convidados a participarem com eles, Josafá e sua família são profundamente tocados e, naquele dia, por obra do Espírito Santo, decidem fazer parte do Caminho.

A pergunta que não quer calar é esta: O que a igreja do século XXI tem realizado, não só com os domésticos da fé, mas também com os demais? Os não crentes têm enxergado algum ato de amor partindo de nossa parte e que seja capaz de fazer com que eles sejam acrescentados à igreja?

Queremos ser perfeitos? Sejamos abençoadores.

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