Quem faz a sua cabeça?

Edgar Donato  »   novembro 2021

Anos atrás, éramos influenciados apenas por celebridades e artistas da mídia tradicional. Hoje, com a popularização das redes sociais, pessoas comuns conseguem conquistar a mente e o coração de uma determinada audiência através de algum conteúdo.  Os “influencers” atuam desde truques de maquiagens até dicas de culinária.

Somos influenciados, mentoreados, “discipulados”, conduzidos por uma gama de gente sobre os mais variados assuntos.  A nossa cultura formata e molda a nossa compreensão do mundo.

Somos os “seguidores”!   Seguimos muitas vozes, algumas mais fortes, outras nem tanto. O que é um seguidor? Uma palavra re-significada em nossos dias: Acompanha, interage, assimila, adota posturas, ideias e ideologias do seu influenciador ou formador de opinião.

Veja o caso do Neymar. Após um recente jogo no PSG, estava usando um boné numa entrevista. Pouco depois, os bonés daquele modelo foram esgotados nas lojas. O camarada raciocina: “Não sou o Neymar, mas ele tem um estilo de vida que eu gostaria de ter, assim, ao usar o boné, eu me aproximo daquele ideal. ”  Acontece o tempo todo, o consumidor ou expectador projeta num objeto o status do seu ídolo. 

Tem gente mais fiel ao ator, celebridade, cantor, jogador de futebol do que ao Cristo. Porém Ele disse: “As minhas ovelhas me seguem, ouvem a minha voz e eu as conheço. ” (Jo 10). Quem é o seu maior influenciador, digital ou real?

Em todo grupo de cristãos e em qualquer momento, pessoas enfrentam provações, crises, pressões. Desiludidas seguem os gurus que se multiplicam, assim como as rãs se multiplicavam e “coaxavam” no Antigo Egito. Enquanto alguns sabem o que fazer, outros, mesmo os nascidos de novo, tem alguma resistência para com o padrão bíblico de comportamento.

As Escrituras são suficientes para nos aconselharem em quaisquer casos, a não ser que tenhamos alguma dificuldade hormonal, deficiência na saúde, situações de desequilíbrios emocionais; nesse caso é necessária a medicina e/ou alguma terapia.  “A Lei do Senhor é perfeita e revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança e tornam sábios os inexperientes. “ (Sl 19.7)

Seja lá o que afetar o nosso ânimo, a Palavra manda que nos edifiquemos mutuamente e nos encorajemos uns aos outros.  “Meus irmãos, eu mesmo estou convencido de que vocês estão cheios de bondade e plenamente instruídos, sendo capazes de aconselhar-se uns aos outros. ” (Rm 15.14).

Habite ricamente em vocês a Palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração. ” (Cl 3.16)

Paulo escreve esta instrução para toda a igreja em Colossos. Sendo assim, todo cristão deve instruir e aconselhar. Não é uma prática apenas para quem faz teologia, curso bíblico ou quem é da liderança. A comunidade da fé não fuzila seu ferido, mas trata com bondade, empatia, compaixão, pressupõe gente madura e não crítica, nem fofoqueira, orgulhosa ou preconceituosa.

A palavra aconselhar, as vezes é traduzida como admoestar. É um apelo à mente que está dividida ou desvirtuada. A pessoa é tirada de um falso caminho mediante conselho, ensino, lembrança e encorajamento. E sua conduta é então corrigida.  O aconselhamento bíblico não é uma opção, o homem ou mulher que tem no pecar um padrão contínuo necessita de ajuda para mudar e restabelecer o padrão de crescimento. Todos os cristãos regenerados são privilegiados ao fazerem parte de uma comunidade terapêutica!

“Exortamos-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos. ” (I Ts 5.140.

A desculpa “eu não tenho o dom de aconselhar” é tão esfarrapada quanto “eu não sou um evangelista, então não tenho que evangelizar” ou “não tenho o chamado pastoral, então não preciso ensinar (no dia a dia) ”.

Habite ricamente em vós a Palavra, o que tem habitado ricamente em nossas vidas? As vozes da cultura? As redes sociais, os episódios da Netflix, Instagram…

O aconselhamento bíblico é um ministério da igreja local no qual os crentes em Cristo, habitados, capacitados e guiados pelo ES – Jo 14.26, ministram a outros a Palavra viva e ativa de Deus – Hb 4.12, buscando evangelizar os perdidos e ensinar os salvos (Mt 28.18). O aconselhamento bíblico está baseado na convicção de que as Escrituras são suficientes para a tarefa de aconselhar e superiores a qualquer outro material que o mundo tenha para oferecer. ”  (II Tm 3.16-17).  Fundamentos Teológicos do Aconselhamento Bíblico, John Babler & Nicolas Ellen. p. 89

A pessoa independente, quer liberdade sem responsabilidade. Não firma compromisso, há solteiros que intencionalmente não quer se vincular a uma pessoa, não aceita prestar contas, não se abre para ser questionado, se fecha em seu mundo, não dá liberdade para alguém questionar, sugerir, aconselhar. Como também casados que não vivem a parceria, o compartilhar, cultivam um mundo à parte, segredos, senhas e contatos. Como o casal do filme, Sr. & Sra. Smith. Semelhança com a realidade?

Por falar em aconselhamento, um dos nomes de Jesus é “Conselheiro”. Mais do que um Conselheiro, Ele é o dono da vida, nos criou e veio trazer vida plena. “Aprendei de mim. ”

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