Que louvor é este?

Carlos Moraes  »   Editorial | julho 2022

Tradicionalmente o culto evangélico é dividido em duas partes: adoração a Deus (louvor) e pregação da Palavra de Deus. Na adoração, os crentes se dirigem a Deus e na pregação, espera-se que Deus fale aos corações e mentes dos adoradores.

Atenho-me aqui, ao louvor, pois vivemos um tempo quando, muitos estão adorando a de si mesmos e não a Deus. Há letras de cânticos que colocam Deus em segundo plano, exaltando o “adorador”. Esse culto nada tem a ver com o Deus que se revela nas Escrituras, pois deixa de ser cristocêntrico e se torna antropocêntrico.

Na vida cristã, toda prática errada origina-se em interpretação equivocada das Escrituras. Nos mais de 150 textos bíblicos em que aparece o verbo adorar, seja no aramaico, hebraico ou grego, o sentido primário é de “prostrar-se” diante de Deus. É necessário diminuir-se para que haja prostração. Para diminuir-se, o adorador precisa enxergar o “tamanho” de Deus através dos seus atributos. Para louvar, de fato, é necessário reconhecer as virtudes de Deus e ser impactado por elas.

As composições musicais de hoje, ao invés de destacar os atributos de Deus, são dirigidas às necessidades humanas e às respostas que saciam uma busca desenfreada por curas e bênçãos materiais. Assim, a música acaba conduzindo o povo a um “deus” utilitário e o tempo de adoração (louvor), ao invés de exaltar Deus pelo que Ele é, apenas declara o que Ele faz.

Quando o jovem Isaias (Isaias 6) foi ao templo buscar a Deus em um momento terrível para a nação de Israel (Isaias 1), o Senhor se revelou a Ele de uma forma inusitada capaz de fazê-lo enxergar-se como realmente era. Essa visão o levou à verdadeira adoração, fazendo-o prostrar-se em busca do perdão dos seus pecados. A pregação precisa expor a imagem autêntica de Deus, para que haja adoração genuína nos louvores. Isaias prostrou-se para adorar ao vislumbrar o Deus que é Santo, Santo, Santo!

Hoje, tanto quanto nos dias de Isaias, o povo está buscando soluções humanas. A morte do Rei Uzias, que levou Isaias ao templo em uma busca pessoal de Deus, pode ser comparada ao que pode acontecer conosco quando tudo falha. É necessário saber quem realmente governa. Depois daquele encontro, nada era mais importante para Isaias que permaneceu firme nas próximas quatro décadas. Mesmo pregando para um povo endurecido que não se arrependeu, ele se tornou o mais messiânico de todos os profetas. O verdadeiro adorador responde a Deus em obediência, como fez Abraão (Gn 22.5). Em João 4.23, o Senhor Jesus disse à mulher samaritana, que o Pai procura verdadeiros adoradores que o adorem, em espírito e em verdade. Afinal, ele nos criou, para o louvor da Sua glória (Ef. 1.12).

O culto de nossos dias revela que a busca do povo é pela riqueza, abastança e satisfação pessoal. A cauterização da mente é tanta, que o brilho efêmero das conquistas fugazes impedem as pessoas de enxergarem a situação de miserabilidade e pobreza espiritual na qual estão vivendo. Que o Senhor encontre em nós os adoradores que ele procura!

2 respostas para “Que louvor é este?”

  1. Germano H. Hogrefe disse:

    Parabéns pelo comentário, muito verdadeiro.

  2. Maria+Aparecida+Duarte+da+Silva disse:

    Hoje em dia está mesmo acontecendo, estão adorando a criatura e não estão Adorando o Criador o Deus que nos amou; mesmo antes da fundação do mundo.

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