Quando a ganância perde a sua força – Encontro com Zaqueu!

Edgar Donato  »   junho 2022

Ao entrar em Jericó, Jesus encontrou-se com representantes de dois extremos: Zaqueu e Bartimeu – Um rico e outro pobre; um da elite e outro da periferia.  Eles nos representam e nós os representamos… Devido ao pouco espaço, destacaremos apenas Zaqueu, lembrando, Jesus não fazia distinção entre as pessoas, mas as buscava como quem busca o perdido.

Zaqueu estava ansioso, até subiu numa figueira brava, a fim de observar Jesus de perto.

1 – Desilusão

Chefe dos cobradores de impostos, funcionário público, contratado pelos romanos, pois conhecia os “microempresários” comerciantes, transportadores de camelo, donos dos rebanhos de ovelhas, das terras produtivas, vendedores de frutas, produtores de doce de tâmaras. Para os judeus, o publicano era um traidor, vendido.

Zaqueu sentia grande pressão e convivia com o ódio dos judeus. Tentou ser aceito ganhando posição e dinheiro, mas foi rejeitado. Por ser judeu não era aceito pelos romanos e ao ajudar Roma, não era amado pelos judeus, era desprezado pelos dois grupos. Era rico, mas infeliz. De alguma maneira soube que Jesus acolhia coletores de impostos e outros pecadores. Desprezado e odiado pelos homens, Zaqueu procurava o amor de Deus.

Descobriu que o dinheiro não podia comprar o amor, mas ouviu de alguém que não se lixava para as aparências, para a motivação financeira, não bajulava os que tinham cargos religiosos ou cargos políticos. Quem é esse Jesus?  “A vida é duma constante oscilação entre a ânsia de ter e o tedio de possuir”.  Shoppenhauer. Tinha tudo no tocante às necessidades materiais, mas a sua alma se sentia seca e vazia. Não tinha esperança real em algo de grande valor.

2 – Determinação

Correu até a árvore, sem se preocupar com a sua dignidade pessoal. Imagine se numa solenidade, uma pessoa importante ter esse gesto.  Não combina um figurão público sair correndo e subir numa árvore. O normal é ligar antes e reservar lugar. Resolvido, nada o deteve, pois, misturar-se com a multidão seria arriscado, podia receber um golpe ou chute, empurrão, atropelado.  

Quem esse baixinho safado tá pensando? Sai fora traidor! Baixinho pilantra! Alpinista de calçada, goleiro de pebolim, mecânico de Hot Wheels… O povo reclamou dos dois, do Zaqueu que furou a fila e de Jesus ao se misturar com gentalha corrupta.

Quando um pecador é alvo da graça, o inferno protesta. E protestam os que não vêem o homem com os olhos de Deus, mas com os olhos do acusador. Jesus? Ele não diz nada. O que faz, diz tudo, senta na mesa de Zaqueu e come com ele. Jesus pregou neste dia, sem usar palavra. Pregou comendo. Comendo na casa de um pecador. 

3 – Direção

Vi você na figueira, sobrecarregado, cansado de ser xingado de ladrão, traidor, rejeitado, cansado das brincadeiras da sua altura, como se uma pessoa valesse menos ou mais pelo corpo, dinheiro, emprego que tem, instrução. Eu estou aqui para pessoas como você.

Quando você busca a Deus, Ele já te viu e te busca primeiro. Jesus não disse, “gostaria de ficar em sua casa”, mas convém, faço questão. Uma visita como parte da missão divina.

Certamente não se sentia digno, desconcertado, quando os olhos do Mestre se encontraram os seus. A alma retrocedeu dentro dele, estremeceu. Sentiu a sua elevada pecaminosidade, mas a palavra bondosa de Jesus o tranquilizou.

Salvar é perdoar e dar nova vida, por isso Jesus entra na casa dos ricos, também precisam de Salvador. Ou não?

4 – Decisão

O povo continuava reclamando, enquanto isso uma transformação acontecia no íntimo do anfitrião de Jesus.  Zaqueu levantou-se! Esse “levantou-se” tem um aspecto sereno, solene, um tom formal, ele tinha algo importante a dizer: “Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais. ”

Jesus não tinha exigido. Sua primeira decisão livre. Antes, o dinheiro mandava, agora é mandado. Uma liberdade incrível rompe sua reputação e age, não como um publicano, mas como um rei, escravo liberto, feito senhor, dispõe em sabedoria e mão aberta de seu dinheiro, pois o dinheiro realmente é de Zaqueu e faz o que Zaqueu manda. 

A Lei exigia a devolução de um quinto, ele decidiu doar mais que o necessário. Veja os verbos no presente: Não fará amanhã, quando a emoção abaixar. Já deliberou, nesse momento. Tratou sua deficiência de caráter, confessou seu pecado. A presença de Jesus em sua vida, trouxe à tona o que tinha de pior, antes de se manifestar uma atitude transformada pela Graça.

Não acredito em conversão só do coração. A carteira se converte também.  E muitas outras atitudes, escravizadoras.  Há cristãos querendo vida santa, mas sem “espírito social”, ignoram a pobreza que os rodeia e agradecem a Deus por tê-los abençoado com tantos bens. Que nos deixemos abalar por aquilo que Zaqueu fez! Fez, porque resolveu fazer! 

Coração aberto para amar e socorrer os necessitados. O eixo da sua vida mudou. Queria sempre levar vantagem, ego grande, agora pensa nos outros. Não mais a ganância, mas o amor governa a sua vida.

“Quando você abre o coração, destrói o demônio da ganância. ” Hernandes Dias Lopes.  Zaqueu não doa para ganhar a salvação, mas porque a recebeu. Quando o nosso coração é atingido pelo amor de Jesus, o bolso, a conta bancária, tudo passa a ser também do Senhor. Por causa da demonstração de arrependimento, Jesus disse: “A salvação chegou a tua casa. ” Zaqueu deixou de ser opressor dos pobres para tornar-se defensor da justiça. Passou de acumulador a benfeitor. O dinheiro voltou a ser simplesmente dinheiro. Se tornou em instrumento para fazer o bem e servir às pessoas. Com a sua identidade e segurança fundamentadas em Cristo, ele tinha mais dinheiro do que necessitava.

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