Posse ou posses?

Edgar Donato  »   dezembro 2021

Quando os bens materiais podem se tornar em males materiais? Qual é a diferença em possuir bens e ser possuído por eles?   Não podemos viver sem o dinheiro, mas precisamos de uma visão cristã sobre isso. Somos dependentes do alimento, remédios, contas a pagar. Na Bíblia, nenhuma área da existência fica descoberta, sem tratamento. Das 49 parábolas de Jesus, 24 fazem menção ao dinheiro. A nossa espiritualidade também é medida pela forma como administramos. O dinheiro talvez seja o maior rival de Jesus ao ponto dele afirmar: “Não podeis servir a Deus e às riquezas. ”

– Qual é o seu maior desejo?

– Se você ganhasse na loteria federal, qual é seu maior sonho?

– O que faz você gastar mais energia? Sucesso profissional, a admiração dos homens e as mulheres ou homens aos seus pés?

– Um homem conseguiu tudo isso e disse: “Tudo é vaidade” “Não me neguei nada que os meus olhos desejaram; não me recusei a dar prazer algum ao meu coração. ” Ec 2.10

O dinheiro é apresentado como a principal fonte de felicidade. Por que as pessoas amam tanto o dinheiro, as posses? Por causa da cegueira que leva a esses três sentimentos:  “Ter mais coisas me fará ser feliz, ter mais coisas me tornará mais importante, ter mais coisas me dará mais segurança.

Os falsos mestres acreditavam e acreditam na religião como fonte de lucro. Já ouviu? “Ah! Se eu pudesse morar naquele bairro, se trabalhasse na empresa que gosto, se tivesse o carro dos sonhos, com essas posses seria feliz. ” Se assim fosse, os ricos seriam as pessoas mais felizes. Depoimento de um homem rico aos 90 anos: “Era empresário bem-sucedido. Sou frustrado, pois enquanto passei a vida correndo atrás de dinheiro, pagava babás e pessoas para cuidarem dos meus filhos, hoje eles não querem saber como estou, apenas pagam profissionais para cuidarem de mim. ” A Palavra diz em II Timóteo 6.6:  Piedade + Contentamento = Grande lucro. Um constante e autêntico caminhar com Deus + atitude de paz interior (independentemente da situação financeira) = grande riqueza. Incrível, dinheiro não entra nessa equação.

Contentamento é um termo usado pelos estoicos (O estoicismo ensina o desenvolvimento do autocontrole e da firmeza como um meio de superar emoções negativas). Paulo usou em outra passagem: “Porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. “ Fp 4.11 Não na autossuficiência, mas na Cristo-suficiência: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Atitude que deve permear nosso coração: Devo viver o cristianismo com contentamento. Minha fé, minha conduta, deve ser marcada com contentamento. Não posso ser murmurador, descontente, nem escravo do consumismo.

Por que o dinheiro não traz felicidade?  Porque fomos criados para a eternidade e não para o temporal. “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. ”  I Tm 6.7. A morte não é o fim da linha. O dinheiro tem vida curta. Não dura para sempre, não nos acompanha além-túmulo. A gente entra na vida de mãos vazias e sai de mãos vazias…. Quando morremos não levamos carro de mudança, nem gavetas nos caixões, nem precisamos de bolso na calça, nem carteira…. Quando o primeiro bilionário morreu, John Rockfeller, alguém perguntou ao seu contador. Quanto o dr. John Rockfeller deixou? O contador disse: “Ele deixou TUDO, não levou nenhum centavo. ”

Há igrejas que nos ensinam a viver descontentes, a reclamar, a cobrar de Deus. É uma teologia satânica, humanista, secularista… Busca honrar o homem, enquanto aprendemos a viver gratos.

A satisfação não está no acúmulo do dinheiro, mas no deleite em Deus. Ele é a fonte do contentamento: Quando se vive para o dinheiro, há um vazio na alma; quando se busca a presença do Senhor, há delícias – Sl 16.11

O dinheiro por si só não é mau. A riqueza honesta é dádiva de Deus. O cristianismo não promove a pobreza: “Oh! Você é cristão, viva na miséria! ” O Evangelho nos liberta de sermos vítimas, preguiçosos…. Os que roubavam, aprendem a trabalhar par repartir com os necessitados, os que torravam em vícios, jogos de azar, farras, aprendem a não desperdiçar.

O mundo nos ensina a acumular, a Palavra nos ensina a partilhar. O mundo nos ensina a insatisfação, a Palavra nos ensina a gratidão. O que damos é o que temos. O que retemos perdemos. O que você semeia é o que colhe. Você semeia coisas materiais e colhe dividendos espirituais. Você semeia coisas temporais e colhe bênçãos!

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