Perseguição? Que perseguição?

Redação JA  »   junho 2021

Haverá perseguição para a Igreja nos últimos dias, pouco antes do arrebatamento? Essa é uma pergunta pertinente nos dias em que estamos vivendo, principalmente aqui no Brasil. Há um debate sobre fobias e discriminações, no qual entra a “cristofobia” no mesmo nível da LGBTfobia. Neste texto, sem o menor dogmatismo, vamos refletir sobre o que está ocorrendo e, de olho em textos bíblicos como 2 Timóteo 3; 2 Pedro 3 e Apocalipse 3.14-22, perceber que tipo de perseguição será possível em um mundo de associações tão insossas e indigestas.

Muito se especula nos meios evangélicos acerca de sinais relacionados à segunda vinda de Cristo. Antes de tudo, é preciso dizer que a segunda vinda de Cristo vai acontecer e está dividida em duas fases distintas e com propósitos diferentes para nós que acreditamos que as promessas feitas por Deus a Israel, não foram anuladas e nem transferidas para a Igreja.

A primeira fase é o arrebatamento da Igreja, quando todos os salvos desta dispensação serão levados instantaneamente, num piscar de olhos. Esse acontecimento profético é eminente, e não há sinais e nem pré-requisitos para que aconteça. Marcará o encerramento da dispensação da Graça, dando início à septuagésima semana de Daniel, a tribulação.

A septuagésima semana de Daniel, também será dividida em duas etapas de três anos e meio cada. A primeira etapa é o “princípio das dores’ e a segunda etapa é a “agonia de Jacó”. No final da tribulação, acontecerá a segunda fase da segunda vinda de Cristo, conhecida como revelação. Ali Jesus será visto por todos e se dará a salvação do remanescente vivo de Israel, o julgamento das nações e a instalação do Reino Milenar.

Sem esse discernimento, textos são retirados do contexto para dar suporte às ideias que vão surgindo e, até mesmo pessoas bem-intencionadas, podem misturar as duas fases da segunda vinda de Cristo.

Não é o propósito deste texto, entrar nos detalhes da segunda vinda de Cristo e nem mesmo da tribulação, quando o mundo estará sendo virado do avesso em uma aflição sem precedentes na história humana (Mt 24. 29-30; Lc 21.25-27; At 2.20-21; Ap 1.7). O propósito aqui é refletir sobre a indagação: “Haverá perseguição para a Igreja no final dos últimos dias, pouco antes do arrebatamento?

Antes de prosseguir, é importante ressaltar que o propósito aqui é levar-nos à reflexão sobre o que poderá estar ocorrendo neste mundo no momento do arrebatamento da Igreja. Acredito que seja possível embasar, sem dogmatismo, o que aqui está sendo apresentado.

O motivo para nossa reflexão
Durante este período de pandemia, temos sido bombardeados por questões relacionadas a possíveis perseguições e sofrimentos para os crentes fieis na reta final do que a Bíblia chama de últimos dias, que compreende toda a dispensação da Igreja.

Tanto aqui no Brasil, como em muitos outros países ocidentais, regidos por constituições republicanas marcadas pelas liberdades individuais, de expressão e religiosa, as restrições impostas como medidas sanitárias nesse período de pandemia, estão sendo vistas como perseguição à Igreja, mesmo que tais restrições sejam abrangentes, incluindo, também, outras organizações.

Não temos a intenção aqui de discutir ideologias, pois acreditamos que, para o contexto escatológico, as ideologias estão no mesmo nível das vãs filosofias e refletem apenas o lado humano do que a Bíblia denomina de “mistério da injustiça (ou da iniquidade) ”, cujo teor é, acima de tudo, espiritual. O que Satanás faz tem a ver com o império das trevas, sobre o qual ele governa desde a queda do homem no Éden. Quanto a nós, salvos, fomos transportados “do Império das trevas para o Reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13).

Base bíblica para nossa reflexão
Separei três referências bíblicas, entre muitas outras, que acredito servir de embasamento ao que aqui está proposto: 2 Timóteo 3; 2 Pedro 3; Apocalipse 3.14-22. Em 2 Timóteo 3, o apóstolo Paulo está escrevendo para uma pessoa, que é seu discípulo, Timóteo. São instruções pessoais exortando a um comportamento individual correto diante do comportamento das pessoas na reta final dos últimos dias. Trata-se de uma descrição profética de como seria o comportamento da humanidade na atual dispensação que iniciou nos dias apostólicos e vai se intensificando até o arrebatamento da Igreja.

Paulo apresenta uma lista detalhada do que está no coração humano, e nos alerta para o comportamento, não de pessoas de fora da Igreja, mas, principalmente, de impostores da fé, dentro da Igreja. Mostra, ao mesmo tempo, como Timóteo deveria se apegar às Escrituras, suficientes para o crescimento, desenvolvimento e amadurecimento pessoal, frente a esses impostores da fé.

As dificuldades do tempo descrito pelo apóstolo Paulo a Timóteo, denominado de “tempos terríveis” tem um conteúdo opressor, apresentando pessoas egoístas, avarentas, presunçosas, arrogantes, blasfemas, desobedientes aos pais, ingratas, ímpias, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadoras, sem domínio próprio, cruéis, inimigas do bem, traidoras, precipitadas, soberbas, mais amantes dos prazeres do que amigas de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder.

No outro texto, 2 Pedro 3, o apóstolo Pedro também fala sobre os últimos dias, destacando que, muitas pessoas consideram a segunda vinda de Jesus Cristo algo demorado demais, a ponto de duvidarem e escarnecerem de quem ainda crê. Sua advertência, no entanto, é que, para Deus o tempo funciona de modo diferente, e nenhuma de suas promessas deixou e nem deixará de se cumprir. Pedro descreve, detalhadamente, tudo o que acontecerá, motivando os salvos a permanecerem na fé.

O alerta principal que ele leva seus leitores a recordar (v 3) é sobre o fato que surgiriam escarnecedores zombando das promessas e seguindo suas próprias paixões. Ele faz questão de escrever o que tais escarnecedores dirão: “Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (v 4). Na sequência Pedro mostra detalhes sobre o que acontecerá com este mundo nos versos seguintes, no julgamento de Deus, ou no que o Antigo Testamento denomina de o “grande Dia do Senhor” (Zc 14.1-8).

E Pedro termina sua fala no verso 18 incentivando seus leitores ao crescimento: “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém”. É bom lembrar aqui que crescimento no plano espiritual é algo pessoal e não coletivo.
Agora chegamos no terceiro texto a que nos referimos, Apocalipse 3.14-22, que descreve a sétima e última etapa dos últimos dias, antes do arrebatamento da Igreja. A igreja que está em Laodiceia representa essa época que, do ponto de vista escatológico e histórico, descreve, sem dúvida de minha parte, os nossos dias. A mornidão que provoca vômito no Senhor da Igreja é descrita como a acomodação de uma geração de crentes que, na quase totalidade, sente-se bem com o que tem, sem perceber que não passa de “desgraçado, miserável, pobre, cego e nu” (3.17).

O Senhor da Igreja, faz, então, um apelo para que se busque nele, o que realmente importa para a vida espiritual. O detalhe importante no apelo, é o fato dele dirigir-se a indivíduos quando diz:  “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. (3.20). Da mesma forma, também individualizada, como acontece nas sete cartas às igrejas, ele faz a promessa ao vencedor, deixando o alerta: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (3.22).
Portanto, para terminar, que fique claro: não haverá sinais para o arrebatamento da Igreja. (1 Co. 15.52). Todos os possíveis sinais têm a ver com a nação de Israel e, portanto, com os eventos pós arrebatamento da Igreja, incluindo tribulação, revelação de Cristo e milênio.

Refletindo, então, sobre a questão se haverá perseguição para a Igreja no final dos últimos dias, pouco antes do arrebatamento, eu diria que sim, haverá perseguição. Mas como será essa perseguição? Diante das inferências, não sinais, das diversas passagens bíblicas sobre o nosso tempo de apostasia e mornidão, características de Laodiceia, que não acredita mais nas promessas da volta de Cristo e até escarnecem de quem acredita, preferindo viver da própria abastança das riquezas que julga ter, teremos uma perseguição marcada pelo desprezo à verdade revelada nas Escrituras. Uma indiferença tal que trará sofrimento de alma aos que acreditam e pregam a Palavra da Verdade.

Alguém já disse, com muita propriedade, que o maior sofrimento que você pode atribuir a uma pessoa, é não dar o menor crédito ao que ela acredita e divulga.

Portanto, é bem possível que este mundo da pós-verdade esteja caminhando para uma incredulidade tal, que a Palavra da Verdade não terá a menor importância e tudo que você disser baseado nela, será motivo de escárnio, não apenas por pessoas de fora, mas também por muitos de dentro das igrejas. O crente já está sendo discriminado, tido como ultrapassado, por acreditar no que a Bíblia diz. O novo normal nos surpreenderá pela banalização de tudo que é verdadeiro. Quem viver, verá!

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