Pastor divorciado. Pode?

Redação JA  »   setembro 2021

Pr. Antonio M. Pupin

O momento no qual vivemos tem exigido debates sobre temas bíblicos cruciais para o ministério pastoral. De todas as famílias da igreja, a do Pastor é a mais visada, tanto pelos comentários dos mais atentos na igreja, quanto pelas hostes espirituais da maldade. A mulher do pastor, por exemplo, acaba influenciando a moda da igreja. Se ela se produz demais, certamente será criticada por umas e copiada por outras. Os filhos do pastor serão comparados em todas as circunstâncias. E isto não é novidade e nem exclusividade de alguma igreja. O Apóstolo Paulo advertiu-nos deste fato (Tm 3.4-5 e Tt 1.6).

O bom governo do lar sempre foi pré-requisito para o pastorado, e não uma possibilidade. Governar bem o seu lar significa que o pastor assumirá completamente suas responsabilidades como marido, amando sua esposa como Cristo amou a igreja.

Significa ainda que destinará tempo suficiente para ficar com ela, sem que ela se sinta traída pelo próprio ministério. E que manterá uma vida conjugal buscando o equilíbrio de satisfação, não apenas sexual, como também emocional. Um marido assim sempre terá uma esposa que lhe seja submissa.

O Pastor jamais deve se esquecer que o seu primeiro ministério é sua família, antes da igreja, e, perder sua família, significa perder a autoridade sobre igreja. (I Tm. 3.5). Pastor divorciado, seja qual for o motivo, perdeu o ministério.

O casamento do pastor sempre será o alvo principal de Satanás.  Afinal, derrubando o líder, as ovelhas se dispersam (Mt 26.31). Portanto, para continuar no ministério, o pastor deve zelar rigorosamente pelo seu casamento. É preciso eliminar qualquer motivo que possa destruir o casamento, e, consequentemente, a perda do privilégio para o ministério pastoral.

Nem sempre é vitoriosa esta luta contra o divórcio. Às vezes, o orgulho humano ferido torna-se difícil de ser transformado. Alguns se esquecem que é pré-requisito para o pastorado, ser “marido de uma só mulher”, e isso deve prevalecer sobre qualquer circunstância da vida do pastor (I Tm 3.2). Assim, não conseguindo manter o seu casamento, o próprio pastor deve considerar-se desqualificado para o ministério, por causa do princípio da irrepreensibilidade, conforme 1Timóteo 3.2 “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, …”, e

Tito 1.6 “Aquele que for irrepreensível, …”.

Este princípio significa que o pastor deve estar pronto a submeter-se à auto repreensão, antes que a igreja o faça. Como ser exemplo para as ovelhas com um casamento desfeito? Como depois aconselhar um casal com problemas, exortando-os à manutenção do casamento, se já foi vítima de uma separação?

A Bíblia é clara no requisito de governar bem o seu lar, e, portanto, a sua ineficiência significa desqualificação para o governo da casa de Deus. Assim, biblicamente, o ministério pastoral não é para divorciados. Não podendo evitar o divórcio, o pastor que se auto repreende é quem deveria apresentar o seu próprio pedido de exoneração ao pastorado, como honra aos requisitos divinos. É indignidade manter-se no pastorado do rebanho do Sumo Pastor, tendo sido divorciado.

Independentemente das causas, qualquer que se mantém no ministério pastoral à revelia desta posição bíblica expõe sua fé e a Palavra de Deus à desconfiança, enfraquece os padrões bíblicos sobre o casamento e impede as bênçãos de Deus sobre sua igreja. A luta deveria ser para evitar o colapso do casamento e a consumação do divórcio, e não pela permanência no ministério.

Um pastor que chegou ao divórcio está desqualificado permanentemente para o ministério pastoral, mas pode ser uma bênção, após restaurado, em outras áreas de apoio na igreja. Caso o próprio pastor não se exonere, cabe à igreja tomar esta decisão, sob o risco de cumplicidade diante de Deus (1Tm 5.20-22).

A razão principal para o divórcio é a rebeldia. Os homens só incluem Deus em suas vidas quando é interessante para eles. Quando não é, fazem o que desejam. Jesus bem disse: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mt 24.12). Divorciados ou não, Deus ama a todos, igualmente, mas jamais se deve advogar a favor do divórcio só porque alguém que você gosta já foi vítima dele.

Pessoas que ficam tentando justificar o divórcio são aquelas que já se divorciaram ou estão pensando em se divorciar. Quem é feliz no casamento jamais perde tempo com essas coisas. Casamentos estáveis resultam em famílias, igrejas e sociedade saudáveis.

A solução para o casamento e para a família não está nos modelos relativos e falidos da sociedade pós-moderna, mas na eterna e infalível Palavra de Deus. O mesmo Deus que instituiu o casamento tem a solução para os casamentos em crise. Somente Deus pode curar relações quebradas, trazendo esperança onde os sonhos já morreram, trazendo vida, onde as sombras da morte já escurecem os horizontes, trazendo cura e restauração, onde as feridas estão cada vez mais doloridas.

O grande desafio é retornar para Deus e obedecer aos seus mandamentos absolutos. O mesmo Deus que criou o casamento tem solução para ele. Deus é o criador, sustentador e restaurador do casamento. Quando Ele reina no casamento, o divórcio não tem espaço.


Este artigo é parte de um estudo mais extenso abordando o tema do divórcio para todos os crentes. Orginalmente o estudo foi preparado para um Retiro de Pastores.

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