Os “donos” das Igrejas

Carlos Moraes  »   Editorial | novembro 2021

Recentemente, quando pedi oração pelos pastores através de um texto, recebi o apelo de um colega de ministério, que está jubilado, sugerindo que eu escrevesse um artigo sobre os danos causados na vida de muitos pastores pelos “donos” das igrejas.

Seu apelo foi este: “Pr. Carlos, escreva um artigo sobre as dificuldades que os pastores enfrentam no ministério com aqueles crentes que se colocam como “donos” das igrejas. Ao longo de minha vida ministerial, pastoreei sete igrejas e enfrentei muito isso. Os principais eram diáconos e aqueles membros fundadores da igreja – aqueles com os quais o missionário fundador começou e que se acham guardiões da igreja. Esses me deram muita dor de cabeça. Conheço muitos pastores frustrados com isso. Eu sou um que me decepcionei com tais crentes. Tenho um amigo pastor, que ainda está no ministério e se cansou, a tal ponto, com tais diáconos, que ele eliminou o diaconato da igreja que pastoreava e enquanto esteve lá não quis mais saber de diáconos”.

Sem julgar casos pontuais e nem fulanizar, acredito que na maioria das nossas igrejas, o ministério diaconal tem sido um dos mais mal interpretados à luz da Bíblia. Já ouvi absurdos acerca do diaconato, tanto pela boca dos próprios, quanto de outros irmãos e irmãs. Eu mesmo tive em meu ministério bons e maus diáconos. É bem possível que todos os pastores já tenham tido experiências negativas que poderiam ser contadas.

Partindo do que me sugeriu o colega, o texto que agora escrevo, não trata apenas dos diáconos, porque a maioria dos “donos” das igrejas não são diáconos. São aqueles irmãos que, a princípio, por serem zelosos, foram deixados pelos missionários fundadores como “guardiões” da igreja, mas geralmente com a ideia errada de que devem “vigiar” o pastor. Há ocasiões em que esses “donos” das igrejas são guindados ao poder pelo volume dos dízimos e ofertas que entregam. Há, também, alguns que chegam à posição de “donos” pela manipulação.

São conhecidos casos de igrejas que só puderam ser realmente pastoreadas, quando morreu ou saiu, o último “dono”. Antes disso essas igrejas ficaram conhecidas como “cemitério de pastores”.

A maioria desses problemas, resultam de má interpretação da Bíblia e, no caso do diaconato, temos as mais esdrúxulas interpretações no meio batista, em geral.

Sim, eu sei que alguns desses “donos” das igrejas são pessoas bem-intencionadas que, de fato, querem o bem da igreja. Mas são mal preparadas e com pouco conhecimento das doutrinas e práticas eclesiológicas. Se tornam legalistas, radicais e inflexíveis, a tal ponto que, nem receber ensino correto aceitam.

Eu me lembro de um pastor que aconselhava os colegas mais jovens, em relação aos “donos” das igrejas, da seguinte forma: Ouça o que eles dizem, pois pode ser que tenham razão. Nesse caso, é aconselhável andar com eles. O pastor precisa responde para si mesmo as seguintes perguntas: Eles querem o bem da igreja? Será que estão apenas equivocados e podem ser convencidos pelo diálogo?  São crentes fiéis e dispostos ao trabalho? São pessoas de bom caráter?

Uma das premissas para os pastores é evitar problemas e conflitos para evitar sofrimentos e desgastes desnecessários. Para isso, é importante uma boa dose de paciência e capacidade para dialogar.

Esse mesmo pastor experiente aconselhava que, nos casos em que há esses “donos” da igreja, o perigo de aderir à agenda deles é tentador para o pastor. Mas é perigoso, pois se estiverem errados, o pastor acabará agindo como eles.

Na maioria das vezes em que houve vitória por parte do pastor em relação aos “donos” da igreja, foi através do crescimento saudável da membresia, tanto numérica, quanto espiritualmente, que acabou sufocando-os até deixarem de respirar. Quando o pastor consegue conduzir o rebanho à submissão ao verdadeiro Senhor da Igreja, o seu ministério se fortalece e os Diótrefes desaparecem (3 João).

6 respostas para “Os “donos” das Igrejas”

  1. Maria Aparecida Duarte da Silva disse:

    Infelizmente Pr há muitos ” crentes ” Batistas que não são pessoas humildes,são arrogantes e se deixam levar pelas obras da carne ,não dão bom testemunho fora da Igreja ou seja ; não são “Igreja” como vão ganhar almas pra Cristo se fora da Igreja estão dando mal testemunho? A arrogância por serem membros de fundação da Igreja local de cada cidade,não lhes daoodireito de serem e agirem assim! Estamos vivendo tempos difíceis.O ministério de pregar oEvangelho tem que ser o foco do trabalho principal do corpo de Cristo! Então como filhos do Deus Altíssimo devemos orar por toda essa situação que muitos Pastores estão enfrentado.Graca e Paz ! Essa é minha opinião

  2. Washington Rodrigues Santos disse:

    Acredito que existem os “donos de igrejas” porque existem também os pastores destruidores de igrejas. Em minha cidade ( Salvador/BA), vi pastores levarem igrejas centenárias para movimentos como G12. Nessas igrejas faltaram os “donos” zelosos.

  3. Cláudio Drosten disse:

    Belíssima abordagem.
    É verdade as vezes os donos de igreja tem razão.
    Vi uma igreja Batista deixar de existir por causa de donos de igreja e um pastor sem respaldo denominacional.

  4. VALTER RIBEIRO NOGUEIRA disse:

    Muito oportuno este artigo pois ele retrata a triste realidade em muitas igrejas há muitos anos. Eu pessoalmente testemunhei isto na igreja em que tive um encontro com O SENHOR JESUS. Isto aconteceu faz mais de 50anos. Nesta igreja os diáconos eram consagrados para exercerem este ministério por tempo indeterminado. Nela alguns eram fundadores da igreja, além de possuírem um padrão econômico acima dos demais. Sem dúvida eram eles que governavam a igreja local com mão de ferro. O pastor era na prática submisso aos tais diáconos. Como resultado os membros desta igreja não tinham crescimento espiritual. Era o tipo da igreja governada pela diretoria. Certa vez li um artigo em um jornal evangélico cujo título era : ” Os intocáveis da igreja ” . Neste artigo instigante e profundamente realista dava alguns tristes exemplos negativos : Uma jovem ficou grávida do seu namorado, mas não foi disciplinada porque seu pai era o maior dizimista da igreja que tinha um ambicioso projeto de reforma do prédio. E assim o artigo citou vários casos de falta de disciplina em muitas igrejas locais onde diáconos fundadores e pessoas com grande poder aquisitivo tinham muita liderança cujo parecer tinha “peso dois” nas decisões das assembleias. Este tipo de aberração é uma coisa abominável para alguém que está fundamentado em o NOVO TESTAMENTO, como sua única regra de fé e prática . Um verdadeiro batista sem dúvida rejeita isto é deve combater este ” câncer ” na igreja local através do ensino da PALAVRA DE DEUS . O editorial nos leva à refletir sobre a triste passividade e acomodação de muitos membros das igrejas e dos pastores que querem ser politicamente corretos, mas que são coniventes com a decadência destas igrejas locais. Reconheço que é uma triste realidade a situação de jovens pastores inexperientes que começam a pastorear em igrejas onde estes membros ” intocáveis ” governam na prática impedindo o ministério pastoral. Lembro de um pastor citar em um livro que a igreja local precisava tomar uma decisão importante de reformar o prédio para abrigar mais pessoas. Um membro fundador afirmou que enquanto ele estivesse vivo ele não permitiria que houvesse tal reforma. Poucos dias depois ele morreu de infarto. DEUS o removeu. O editorial trás um tema sempre relevante.

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