O sustento missionário e as agências missionárias

Redação JA  »  dezembro 2020

Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Como, pois, invocarão aquele em quem não creram?
E como crerão naquele de quem não ouviram falar?
E como ouvirão, se não houver quem pregue?
E como pregarão, se não forem enviados?
Como está escrito: Como são belos os pés dos que anunciam boas novas!
Romanos 10:13-15

Todos nós, missionários, enfrentamos a batalha permanente de levantar e manter o sustento financeiro. Esse é um assunto que envolve diferentes opiniões quanto à forma, mas que, ao mesmo tempo, mantém, como unanimidade, a certeza de que é necessário sustentar missionários.

Por serem muitas as questões que envolvem este tema, e variadas opiniões, sempre é importante voltar a ele, para que do debate venha maior compreensão e maior envolvimento.

Talvez uma das maiores divergências nos debates sobre sustento dos missionários, esteja no fato de eles terem que investir um tempo longo no levantamento do sustento, visitando as igrejas e apresentando seu projeto e a ele próprio.

Conheço líderes que argumentam que a Igreja Local deve ser a sustentadora dos seus próprios missionários que são enviados ao campo. Mas essa tese, além de ser impossível de praticar, dado ao fato de a maioria das igrejas serem pequenas e muitas nem conseguirem sustentar adequara-me o próprio pastor local, temos ainda, a favor do sustento vir, também, de outras igrejas co-irmãs, uma forte base bíblica no ministério do apóstolo Paulo que mesclava seu sustento entre o trabalho pessoal e as ofertas de várias igrejas locais e, possivelmente de pessoas individualmente, como era o caso do próprio grupo missionário apostólico de Jesus que tinha participação de mulheres no sustento (Lc 8.1-3).

O trabalho missionário é parte integrante da igreja local. Não há como ser igreja e não participar, de alguma forma, da obra missionária. O abandono dessa responsabilidade, que deve ser visto, antes, como privilégio, descaracteriza a visão de igreja local neotestamentária. Toda igreja que perde a visão missionária enfraquece espiritualmente, começa a ter disputas internas e, ao crescer os desentendimentos, a sua pauta será lidar com divisões.

É exatamente no contexto da parceria entre as igrejas locais para enviar e sustentar missionários, que surge a figura da agência missionária. Uma agência, não é um órgão denominacional e nem uma organização paralela que concorre ou substitui as igrejas locais. Ela atua como parceira facilitadora para as igrejas e para os missionários. Da mesma forma que pequenas igrejas sozinhas não poderiam sustentar missionários, também não teriam como arcar com a logística.

A agência, como facilitadora, adquire credibilidade tanto na checagem dos candidatos quanto na orientação e apoio na preparação e apresentação dos seus respectivos projetos aos potenciais apoiadores, exercendo o trabalho de logística durante todo o processo, desde a admissão até o final do ministério do missionário.

Também o período no qual o missionário está apresentando-se às igrejas em busca do apoio financeiro e para intercessão, não é justo dizer que se trata de tempo perdido e sem importância. Há vários benefícios nessa prática, tanto para o missionário, quanto para os parceiros que vão sendo agregados ao projeto em contribuição financeira e em oração.

De minha parte vejo que, a quase totalidade dos missionários, quando alcançam o sustento básico que possibilita sua partida para o campo estão melhor preparados do que estavam no início do processo. Podemos incluir esse período de divulgação e busca de apoio como o treinamento final para uma dependência maior daquele que é o Senhor da seara e também o sustentador, tanto dos que estão na vanguarda, quanto dos que ficam na retaguarda. Quando praticado de modo correto pelo missionário, esse tempo é educativo e desafiador para os dois lados. Da parte do missionário, nesse processo, a responsabilidade é infinitamente maior, pois cabe a ele, não apenas ter a convicção do chamado específico para o que está apresentando às igrejas e pessoas, quanto da forma de fazê-lo. Sempre que penso nesse tema, me lembro de um pastor, meu amigo e convicto apoiador da obra missionária que me disse certa feita: “Eu sempre quero apoiar um missionário que passa em nossa igreja e quando ele apresenta o seu projeto, posso ver literalmente que ele tem ‘sangue nos olhos’ quando nos fala. Não deixa a menor dúvida de que está indo para onde Deus o quer e eu quero ir com ele”.

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