O Profeta e o Primado

Mário Maracaipe  »   junho 2021

A busca do equilíbrio entre a fidelidade a Deus e ao Poder Humano

O atual momento da política brasileira tem constrangido muitos líderes evangélicos – mormente nós batistas tradicionais que historicamente evitamos tal debate –  à tomada de uma posição ideológica seja à direita ou à esquerda – parece-me que o centro tem sido considerado por extremistas como uma espécie de posição temerária. Pastores alinhados com a proposta da esquerda (“progressista”) têm sido taxados de comunistas anticristãos e os que optam pela direita (“conservador”) são acusados de serem fascistas antidemocráticos. Os que optam pela neutralidade em geral são desprezados por extremistas. O debate extrapolou de tal modo o bom senso que até a preferência por determinado tratamento contra a Covid (ou seria o vírus chinês?), já se torna um referencial de viés político.

A meu ver, como cristãos batistas tradicionais deveríamos resistir à pressão de assumir alguma posição política buscando permanecer firmes no compromisso de fidelidade à Jesus Cristo, pautando nossos passos e posturas segundo a orientação que o Senhor dos senhores tem nos suprido por meio da Sagrada Bíblia, sem dela nos desviarmos seja para a direita, esquerda ou um centro que não seja na Escritura fundamentado. Nesse sentido, tomo como exemplo sete profetas: Balaão, Hananias, Micaías, Elias, Daniel, Jeremias e João o batista nos seus relacionamentos com reis, como padrões a serem evitados ou seguidos, conforme o dito por Paulo que tais relatos nos servem de lições (1 Co 10.11; Rm 15.4). Uso o termo “profeta” aqui no sentido do nosso chamado como pregadores da revelação escrita.

Com Balaão e Hananias aprendemos que o homem de Deus deve resistir à tentação de trair a Deus sucumbindo à sedução do dinheiro e prestígio oferecido pelo poder humano (Jd 1; Ap 2.14). Como Elias temos o desafio de equilibrar o acesso ao rei sem sacrificar a verdade que a autoridade deve ouvir por mais dura que possa ser (1 Rs 17-18). Com Daniel aprendemos que Deus coloca e capacita seu profeta para servir fielmente a líderes pagãos ao mesmo tempo em que deve servir fielmente a Deus sem jamais esquecer que a autoridade suprema a ser obedecida será sempre Deus, mesmo ao custo da própria vida ou da posição privilegiada (Dn 1-3; 6). A persistência de Jeremias e Micais nos mostra o quanto o homem de Deus pode sofrer por ser fiel à mensagem de Deus, resistindo à corrente majoritária de colegas que sucumbem à pressão política dominante (Jr 27-28). Temos por fim o exemplo do profeta que confrontava o rei: João o batista que, apesar da proximidade com Herodes que buscava seu conselho, não se acovardava em denunciar seus pecados (Mc 6.18,20). O profeta covarde que cede à ideologia ou autoridade humana tem seu nome entre os que se envergonham de Deus na terra e que por Deus serão envergonhados nos céus (Lc 9.26).

Os motos de Calvino e dos irmãos morávios nos servem de inspiração: “Cor meum Tibi Offero Domine, Prompte et Sincere” (Ofereço-Te meu Coração Senhor, pronto e sincero) e “Vicit Agnus Noster, Eum Sequamur” (Nosso Cordeiro venceu. Sigamo-lo).

Uma resposta para “O Profeta e o Primado”

  1. ADAUTA BRITO NASCIMENTO EGER disse:

    Palavra muito apropriada para nossos dias. Que Deus continue dando sabedoria e discernimento ao Pr Mário

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