O luto diferenciado

Mário Maracaipe  »   fevereiro 2021

“[…] os vivos sabem que hão de morrer […]” (Ec 9). Ante tal realidade, o cristão regenerado pode afirmar que ela é parcialmente inevitável, pois a mesma Escritura revela à humanidade que haverá uma ressurreição para a vida eterna (Dn 12). A encarnação do Deus Verbo e Messias Jesus, bem como sua morte e ressurreição, é a solução de Deus para a maldição insolúvel, criada pelo próprio ser humano: a certeza da morte (1 Co 15). Nunca humano algum chegou a uma solução real e definitiva para a morte e, certamente em si mesmo, nenhum humano jamais chegaria. A fé cristã revelou ao mundo que há solução para essa inescapável realidade fúnebre – uma solução que embora seja única, pode, contudo, ser experimentada por qualquer mortal que aceite o chamado salvador de Jesus Cristo.

O Deus cristão, cujo pensamento e caminho é infinitamente mais sublime que qualquer humano, não satisfeito em oferecer a esperança da ressurreição, revela que parte da humanidade é destinada por Ele a não morrer! Tal esperança foi revelada à Igreja que a tem denominado de “arrebatamento” – o evento no qual cristãos serão miraculosamente transformados e transportados ainda vivos e glorificados para a celestial cidade de Deus. O apóstolo Paulo parecia crer que seria um que não experimentaria a morte – mas sabemos que tal não aconteceu (1 Ts 4).

As duas promessas deixadas aos crentes em Jesus – a ressurreição e o arrebatamento – foram reveladas por Deus com três propósitos para enlutados cristãos que se despediram de amigos e familiares também cristãos: o primeiro propósito é o de lembrar ao crente que a morte não tem a última palavra, não é o fim, mas apenas um espaço temporal de separação entre pessoas que se amam e que se encontrarão novamente numa realidade superior, celestial, divina e eterna! O segundo propósito é o de tornar o luto cristão um evento diferenciado, um misto de conforto real e único, cuja dor é amenizada, tornada menos intensa que o luto comum, experimentado quando não há a esperança cristã.

O terceiro propósito trato à parte devido à sua sublime e inigualável promessa: Jesus lembra a todo cristão que, estando vivo ou morto, ele está com o próprio Deus, o qual prometera logo antes de sua morte que iria, mas voltaria e o levaria para junto Dele mesmo, ao Reino do Pai (Jo 14). Novamente, não bastando tal promessa, no momento de sua ascensão, Jesus promete à Sua Igreja e a cada cristão regenerado, que estará com eles, em todas as gerações, em todo bendito dia, até à consumação das eras – do fim do tempo em que reina a morte (Mt 28).

Jamais um cristão estará só, pois seu Deus passou pelo sombrio vale da morte, vencendo-a para guiar pela obscura vereda, cada um de seus escolhidos, dando-lhes confiança de que a morte para o cristão é uma sombra, um passeio de mãos dadas com Jesus Cristo que o conduz para o fim certo e seguro: o Reino de Deus (Sl 23 e 24). Passarei eu por esse vale? Passará você? Passou ou passará alguém que amamos? Em qualquer uma dessas possibilidades seja quem for o sujeito que vai ou que fica, a esperança deixada por Jesus Cristo é tudo o que basta para nos animar a viver para Ele, a morrer com Ele e nos alegrar no inevitável fato de que estaremos pessoalmente com Deus e com aqueles que partiram compartilhando da mesma fé e esperança. Sim, tal bendita fé diferencia o luto cristão! Maranata!

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