O Judas nosso de Cada Dia!

Mário Maracaipe  »   agosto 2021

Para evitar que seus discípulos se desviassem de suas doutrinas, o Senhor Jesus proibiu-lhes adotar outros mestres além Dele próprio – ordem que seria desobedecida poucos anos depois, conforme profetizou o apóstolo Paulo (Mt 23.8-10; At 20.30). A adoção de outros mestres irremediavelmente geraria conflito com os ensinos do único Mestre cristão, Jesus.

Nesse sentido, destaco aqui o ensino cardial do Mestre Jesus: o amor inclusivo – que é o divisor de águas entre o “fariseu” e o filho de Deus pois Jesus ordenou aos seus discípulos que incluíssem seus inimigos na lista das pessoas que devem ser amadas. Para não haver dúvida, Jesus descreveu o perfil dos inimigos a serem amados: perseguidores, difamadores e abusadores dos cristãos. Para destacar a importância do amor inclusivo aos inimigos, Jesus citou o cuidado inclusivo do Deus-Pai como o exemplo prático do amor inclusivo (Mt 5.10-12,21-23,38-45).

De fato, além do Pai, Jesus se fez padrão do amor divino ao inimigo, em sua exemplar relação com Judas. O traidor é odiado e desprezado por justos e por injustos – os quais na maioria das vezes executam o traidor! No caso de Jesus, contudo, não foi assim. Jesus, durante a Ceia, buscou dissuadir o ladrão Judas de sua traição, alertando-o enfaticamente acerca do terrível fim que o aguardaria se continuasse no caminho da traição ao Messias: a morte eterna – Judas, sob a influência de Satanás, ignorou Jesus. Ao entregar a Judas o pão molhado na última Ceia, Jesus deixou claro a Judas que sabia quem era o dito traidor – Judas novamente desprezou a oportunidade e, em seguida, foi possuído pelo Diabo. Horas depois da Ceia, já no Getsêmani, Jesus permitiu que Judas se aproximasse e o beijasse – isso após ter derribado, com uma simples frase, todos os que o buscavam para prendê-lo. Jesus sinceramente chamou Judas de amigo deixando claro que não ainda não lhe contava entre seus inimigos – Judas desprezara ali a última oportunidade de redenção decidido consumar sua vil traição, seguindo o caminho da perdição que ele escolhera (Jo 13.11,17,18,22-27). Não há relatos de que Jesus tenha “malhado” o traidor – pelo contrário, em todo o tempo Jesus demonstrou compassivo amor a Judas, confirmou assim, o imutável paradigma cristão do amor inclusivo aos inimigos.

Cito aqui a malhação do Judas que, apesar de não ser comum à todas as tradições cristãs, é uma boa parábola quanto à desobediência cristã relativa à ordem de se amar o inimigo. Ao extravasar seu ódio contra Judas, o cristão malha simbolicamente não apenas seu “Judas pessoal”, mas muito mais grave que isso, trai o Mestre Jesus a quem afirma seguir. Quantos cristãos tem elegido autoridades públicas, pessoas de convicções divergentes, como seus “judas pessoais” para, com ódio, xingar, amaldiçoar e, se possível fora, malhar até que se despedace!

Cabe a cada um de nós cristãos regenerados considerarmos, à luz da verdade da Palavra de Cristo, se de fato Jesus é nosso Mestre e, por esta razão e nada mais além disso, decidirmos amar o “inimigo Judas ao lado” não importando o quanto ele mereça ser odiado por sua desprezível vileza, covardia ou mau-caratismo. O cristão que tem Jesus como único Mestre na “verdade, na verdade” não, odeia nem malha a ninguém! (1 Jo 2.9,11; 3.15; 4.20).

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