O dever e privilégio de honrar nossos pais

Rômulo Ribeiro  »   Ponto de Vista | agosto 2021

Por Pr. Fabiano F. Almeida

Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra
Efésios 6.1-3

Este mandamento baseado no capítulo vinte do livro de Êxodo e repetido pelo apóstolo Paulo também em sua epístola aos colossenses tem norteado e abençoado a vida de um número incalculável de salvos no decorrer dos séculos, ainda que se constitua em um dos mais desafiadores mandamentos que encontramos na palavra de Deus. Excepcionalmente, peço sua licença a fim de lançar mão da forma como o bondoso e misericordioso Deus ensinou a meu duro coração a preciosidade deste mandamento, no sincero desejo que o Senhor seja glorificado por meio destas simples palavras.

Meu saudoso pai foi o primeiro em nossa família a ser atraído a Cristo. Ele e minha mãe eram namorados e logo ela também conheceu a salvação. O meu nascimento coincidiu com a morte de minha avó paterna, que, assim como toda a família de meu pai, permaneceram na incredulidade quanto ao evangelho. Ainda neófito na fé, meu pai teve dificuldades em lidar com a morte de sua mãe, fato que aliado ao julgamento de irmãos em Cristo a respeito do caráter duvidoso de sua mãe e de por isso ela estava agora no inferno, o levaram a ressentir-se com a igreja e desviar-se do caminho do Senhor. Minha mãe, porém, permaneceu firme em Cristo e na igreja, conduzindo seus quatro filhos a fé e a salvação. Eu e meus irmãos crescemos sem ter nosso pai em um único dia dos pais na igreja, em nosso batismo e em tantos dias especiais. Por meu pai ser um homem colérico e explosivo, sempre que eu por alguma razão me impacientava alguém dizia “É igual o pai”. Muitas vezes voltava da igreja triste e pensativo, deixando crescer em meu coração uma resolução, eu seria um homem melhor que meu próprio pai, meus caminhos seriam diferentes.

 Meus caminhos realmente foram diferentes, pela graça de Deus. Nunca deixei minha igreja, fui ao seminário preparar-me para o ministério, me casei, constitui minha família, fui ordenado ao pastorado, tive o privilégio de batizar meus filhos e servir a Deus com eles. Aparentemente eu havia conseguido. Me tornei um homem melhor que meu pai. Porém, há alguns anos Deus me confrontou comigo mesmo e com minha enganosa resolução. Quem havia me dado o direito de me considerar um homem melhor que meu pai? Eu estava pecando ao manter este alvo diante de mim. Confessei a Ele meu engano e pecado em desprezar meu pai, julgando-o por minhas próprias medidas e deixando de reconhecer o quanto meu pai, apesar de todos os seus erros, foi importante na formação do homem que me tornei. Os irmãos de nossa igreja tinham razão, “É igual o pai”, isso é verdade, graças a Deus, pois ele foi o pai que eu precisava ter.

Ao final do ano de 2016 um diagnóstico de câncer completou a obra que amorosamente Deus estava realizando no coração de meu pai. Quarenta anos depois de deixar a igreja meu pai reconciliou-se com Deus, com os homens e consigo mesmo. Em meados de 2019 papai partiu, concedendo-me a honra de pregar em seu funeral. Há algum tempo, estudando o segundo capítulo da epístola aos efésios, o Senhor me levou a pensar em meu pai enquanto lia o conhecido verso “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2.8). Uma alegre compreensão tomou conta de meu coração ao comtemplar que apesar de todos os erros e pecados de meu pai, apesar de seu coração duro e enganoso, o Senhor o salvou. Somente um Deus amoroso como este poderia ter salvo um homem como meu pai. Glorifiquei a Deus e honrei a memória de meu pai pela preciosa graça derramada sobre sua vida.

Possivelmente muitos de vocês que lerão este texto tenham enfrentado circunstâncias semelhantes a que vivi. Talvez até mesmo você não encontre razões suficientes para honrar seu pai como a Bíblia ordena e, como eu, nutra em seu coração alguma forma de desprezo pelo pai que Deus lhe deu. Saiba então de algo: Deus nunca erra, e mesmo que você não tenha ou não teve o pai que desejava, Deus sabiamente lhe concedeu o pai que você precisa ou precisava ter. Esta é a razão bíblica porque devemos honrar a Deus e a nossos pais.

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