O Desenvolvimento Espiritual na Primeira Infância

Genaina Reder  »  abril 2021

A imitação infantil como forma de aprendizagem

O Desenvolvimento infantil é objeto de estudo em várias áreas do conhecimento: a Psicologia, a Pedagogia, a Neurociência, dentre outras. Como as crianças aprendem? Com elas se desenvolvem? Responder estas e outras perguntas é fundamental para propor atividades que ajudem no desenvolvimento e na aprendizagem das crianças.

Destaco no decorrer da história alguns dos modelos teóricos sobre desenvolvimento:

Teorias inatistas: Condições biológicas (maturação e fatores hereditários) são determinantes para o desenvolvimento;

Teorias ambientalistas: Ser humano seria condicionado pelas experiências decorrentes de seu contexto familiar, socioeconômico, cultural;

Teorias interacionistas: Construção do conhecimento acontece a partir das interações do sujeito com o meio e de suas ações sobre o mundo.

Dentre os teóricos que mais influenciaram a educação nos últimos anos, em especial no século passado, destaco o Psicólogo e Biólogo Suíço Jean Piaget segundo o qual as crianças possuem um papel ativo na construção de seu conhecimento e Lev Vygotsky (1) Psicólogo bielo-russo que realizou diversas pesquisas na área do desenvolvimento da aprendizagem e defendeu a perspectiva de que o a aquisição de conhecimentos acontece através da interação de sujeito e meio. Como Pedagoga e professora preciso estudar e conhecer as teorias da aprendizagem, mas minha visão cristã de educação me leva a olhar de forma critica as propostas defendidas por esses teóricos, tenho crítica às duas teorias, porém entre os dois teóricos acima, me identifico mais em alguns aspectos com Lev Vygotsky, porque segundo a Palavra de Deus, fomos criados para nos relacionar, primeiramente com Deus e depois uns com os outros, e nesta dinâmica de relacionamento aprendemos e nos desenvolvemos como pessoas. Por que estou dizendo tudo isso? Porque quero refletir sobre como podemos incutir a Palavra de Deus em nossas crianças em cada fase de seu desenvolvimento e como podemos usar essas teorias a nosso favor do ponto de vista cristão, colocando em prática o conselho do Apostolo Paulo em 1 Tessalonicenses 5.21:  “mas ponham a prova todas as coisas e fiquem com o que é bom”.

Quero destacar na nossa reflexão o papel da imitação na teoria de Vygotsky[i]. Segundo ele a imitação proporciona a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças, especialmente as pequenas de até 2 anos de idade. Segundo ele a imitação é uma oportunidade de a criança realizar ações que estão além de suas próprias capacidades, que contribui para seu desenvolvimento. Vygotsky acredita que a imitação é promotora do desenvolvimento humano na medida em que a criança pode imitar uma série de ações que se encontram bem além dos limites de suas próprias possibilidades.

Trazendo a questão da imitação como ferramenta para inculcarmos a Palavra de Deus em nossas crianças pequenas, tanto em casa quanto na igreja, precisamos permitir que elas tenham experiências que as levem a imitar tais práticas. Precisamos ser intencionais neste aspecto. Como podemos fazer isso de forma prática? Tendo uma rotina de leitura da Palavra de Deus, tanto lendo para a criança quanto permitindo que elas nos observem lendo a Palavra. Mas  isso precisa ser feito de forma sistemática e continua. Educação querer sistematização e continuidade e é por isso que muitos desistem no processo, porque dá trabalho. A prática da oração é outra forma de incutir a Palavra de Deus nas crianças. Elas precisam nos ver orando, elas precisam ser ensinadas a orar. Nesta idade, até os dois anos, é claro que tudo tem de ser muito lúdico e leve, não podemos esperar que uma criança nesta idade fique muito tempo parada, quieta ouvindo a leitura da Bíblia ou uma oração, mas precisamos propor atividades na rotina delas que incluam estas práticas.

Precisamos lembrar que elas aprendem imitar não só o que fazemos de positivo, mas de negativo também, então refletir sobre que tipo de atitude estamos permitindo que elas assimilem é importante. Gritamos muito? Eles também vão aprender a gritar. Xingamos? Eles aprenderão a xingar. Quantos filhos são apresentados ao tabaco e ao álcool por meio do exemplo dos pais, por imitá-los? Não podemos adotar a prática farisaica de dizer aos nossos filhos: faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço! Pelo contrário, precisamos ter autoridade de dizer a eles como o Apostolo Paulo disse à Igreja de Coríntios – “Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo” – 1 Coríntios 11.1. Pais, professores, irmãos, temos levado nossas crianças a imitarem a Cristo?


Maria Genaina de Almeida Ribeiro Reder é uma esposa e mãe de dois filhos. Ela é uma dona de casa em busca de conhecer e amar a Deus através do estudo de sua palavra. Ela é professora Universitária e Diretora de Escola Municipal na Rede de Guarulhos. Membro da Igreja Batista em Jardim Paulista Guarulhos SP.

(1) LA TAILLE, Yves de, OLIVEIRA, Marta Kohl de, DANTAS, Heloysa. 1992. Piaget, Vygotsky, Wallon – teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus.

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