O desafio de continuar anunciando o evangelho

Carlos Moraes  »   Editorial | fevereiro 2022

“Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!”
1 Coríntios 6.16

Na Igreja, de modo geral, não há quem conteste o fato que anunciar o evangelho é obrigação. Porém, para quem o faz, de coração, é privilégio e razão para viver. De qualquer modo, trata-se de um desafio que exige muita elaboração e criatividade. Claro que, ao dizer elaboração e criatividade, é uma referência ao modo de fazê-lo, à forma, jamais em relação ao seu conteúdo imutável. O poder está no evangelho, e a nossa missão é fazê-lo chegar a quem temos que alcançar.

As mudanças que estão ocorrendo neste momento, em uma velocidade nunca antes vivida desde o dia de pentecostes, é que me leva a dizer, como forma de reflexão, que estamos diante do desafio de continuar anunciando o evangelho. São tremendos os obstáculos à prática da evangelização neste século 21.

Um desafio constante, independente da época, relaciona-se à compreensão da natureza do evangelho. Por mais que seja importante compreender a nossa época, sociologicamente falando, a proclamação da salvação em Cristo é de cunho teológico. Fazemos parte da Igreja, e anunciamos Cristo e não a uma igreja ou o que ela pode fazer. Ser igreja é resultado de ter Cristo como Salvador. Por maior que seja a transformação na vida do redimido, o foco é continuar anunciando o Redentor. O evangelho é o Cristo. Conhecê-lo é a essência da salvação.

Outro desafio que não tem exatamente a ver com época, porque é exigência em todo tempo, é a falta de santidade pessoal. A Igreja é constituída por pecadores salvos que continuam pecando. Daí a necessidade constante de reconhecimento dessa condição de pecador e da confissão dos pecados para obter o perdão e a purificação para santificação da vida pessoal.

O clamor pela restituição da alegria da salvação, feito por Davi no Salmo 51 é um desafio constante para todos que querem continuar proclamando o evangelho. Um detalhe importantíssimo no Salmo 51 é a fala de Davi no versículo 13: “Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti”. Davi quer a restauração da sua vida através do perdão de Deus, não para que ele se apresente como modelo. Ele quer o resgate da sua alegria de perdoado, para apresentar o perdoador. Esse deve ser o nosso desejo, esteja como estiver o mundo ao nosso redor. Davi reconhece a necessidade de uma vida alinhada com a vontade de Deus para continuar anunciando o evangelho.

Finalmente, quero abordar a barreira exclusivamente relacionada ao nosso tempo, no qual as pessoas adentram cada vez mais no mundo online. Nos primórdios da Igreja, as estradas romanas e as vias de navegação ajudavam a vencer as distâncias. Atualmente as vias são virtuais e as relações interpessoais dependem cada vez mais das ferramentas tecnológicas. Há grupos de interesses formando bolhas que isolam as pessoas de acordo com os seus próprios interesses pessoais. Assim, da mesma forma que cresce a possibilidade de comunicação, ela é dificultada pela seletividade das pessoas que se isolam nesse mundo online. De certa forma sempre houve certo isolamento, mas quando isso era praticado off-line, os caminhos eram concretos e acessíveis, mas agora, neste mundo online, é necessário conhecimento e criatividade para continuar encontrando as pessoas para serem evangelizadas. Os especialistas apontam para uma realidade na qual as pessoas tenderão a evitar cada vez mais, o contato físico ou presencial.

Com isso em mente, e com a possibilidade de cancelamentos e exclusões, é necessário atentarmos para o desafio de nos ajudarmos mutuamente como Corpo de Cristo, no cumprimento da grande comissão, deixando nossa zona de conforto, ou nossa bolha, para ficar dentro da linguagem contemporânea, e elaborar uma forma para continuar anunciando o evangelho.

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