O calvinismo corre atrás dos eleitos

Rômulo Ribeiro  »   Ponto de Vista | fevereiro 2022

Eu concordo com pelo menos 95% de tudo que o calvinista americano John MacArthur escreve e fala, mas o cinco por cento de diferença me impediria de trabalhar ao lado dele, pois se trata de ortodoxia muito relevante para a condução da Grande Comissão de Cristo. No passado, a minha alma mater o considerava um neoevangélico que se aliava com denominações protestantes sem compromisso com os fundamentos da fé. Hoje, os seus livros enchem as prateleiras da livraria e das salas de aula daquele seminário. Em geral, as escolas de teologia estão formando promotores de “calvinismo”, nome este que eles próprios consideram pejorativo e preferem ser chamados de “reformados”. Mas quem conhece a história da Igreja reconhece que a Reforma Protestante nada teve a ver com as doutrinas calvinistas e que as 95 teses de Martinho Lutero não estavam tentando transformar o Papa em um João Calvino que, naquela época, ainda era uma criança de apenas oito anos de idade. Portanto, o termo “calvinista” ainda é a melhor descrição para este grupo de irmãos que insiste em pregar a eleição ao invés da salvação; o fatalismo ao invés do Evangelho.

O que eu quero dizer com o título, “O Calvinismo Corre Atrás dos Eleitos”?  Este movimento tem crescido através do proselitismo evangélico. Ou seja, através dos membros que foram salvos e alcançados por outras igrejas bíblicas. Alguns calvinistas pregam o Evangelho e ganham almas, mas são a exceção, pois o dogma mais forte de suas doutrinas é a Eleição Incondicional que ensina que os salvos já foram escolhidos antes da fundação do mundo. Evangelizar para quê? Alguns deles responderiam: “Porque Jesus Cristo assim ordenou e porque não sabemos quem são os escolhidos”. Esta reposta é um insulto à inteligência humana sem mencionar à inteligência divina. Por se tratar de uma filosofia altamente intelectual, as explicações de João Calvino para algumas complexidades da vida atraem a mente dos nossos jovens em formação. Como explicar de forma satisfatória a situação de uma criança que nasceu e cresceu em um lar verdadeiramente cristão, mas na adolescência ou idade adulta optou pelo pecado? Com certeza, ela não foi escolhida por Deus e, por isso, não perseverou até o fim, diria um calvinista. Mas há outras perguntas tão complexas quanto esta que ficam sem resposta, como, por exemplo, para onde vai a alma de um bebezinho que não foi escolhido para a salvação? Os calvinistas precisam fazer um malabarismo para responder esta daí.

A minha intenção não é caçoar de nossos irmãos presbiterianos ou “presbiteriados” (neologismo meu), pois além de muito inteligentes, são verdadeiros estudiosos do assunto que defendem. Mas, com certeza, nenhum deles se tornou calvinista lendo somente a Palavra de Deus; precisaram das explicações e influência de John MacArthur, John Piper, Tim Keller, além de outros nomes nacionais e estrangeiros.  No Brasil, há escolas e editoras que promovem encontros anuais – não de evangelismo – mas de calvinismo para granjear o maior número possível de adeptos. Muitos desses jovens seminaristas retornam para as suas igrejas para causar uma revolução doutrinária ou uma divisão eclesiástica, pois voltam cheios de conhecimento novo que os líderes de suas igrejas foram incapazes de adquirir. Não lhes ocorre que, na verdade, seus pastores sabem muito mais que eles e, por isso mesmo, rejeitaram a heresia calvinista há muito tempo. Há pouco mais de 20 anos, o calvinismo era só mais uma posição dentro da soteriologia que coexistia pacificamente com a posição do livre arbítrio, mas a partir do momento que esta ala protestante resolveu crescer à custa do evangelismo alheio, passou a ser uma seita exclusivista e sectária, pois só eles estão corretos e não suportam a ignorância do outro lado.

Estamos perdendo terreno para este movimento de pseudointelectuais dentro do movimento evangélico, pois a maioria de nossa literatura advém dos papas da teologia calvinista, mas não precisamos temê-los, pois temos do nosso lado a simplicidade e a veracidade do Evangelho: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).  Não perca tempo debatendo com os calvinistas, mas, assim como Davi tirou a ovelha dele da boca de um leão e de um urso, se prepare devidamente para livrar os seus jovens mais talentosos das garras do proselitismo calvinista. Além da Bíblia, faça questão de ler e estudar esses dois livros na língua portuguesa: “Que amor é este? ”, de Dave Hunt e “A Fé dos eleitos de Deus” de John F. Parkinson. Proteja a sua igreja e o evangelismo deste movimento fatalista. E se você encontrar um calvinista na rua, pergunte: “Por que Deus parou de escolher os europeus para a salvação, pois menos de 2% daquele continente (berço do calvinismo) pratica a fé cristã nos dias de hoje”? Acima de tudo, nunca duvide de João 3.16.

5 respostas para “O calvinismo corre atrás dos eleitos”

  1. Eu estava lendo e pensando em comentar e sugerir dois livros, mas, felizmente, o autor já os sugeriu. Excelente artigo. Obrigado.

  2. Paulo Henrique disse:

    PORQUE, historicamente, me parece que os teólogos antigos foram unânimes na fé monergística. A ideia da “justificação pela fé somente”, por exemplo, não foi criada por Lutero; mas quem lê a Epístola a Diogneto, ou Basílio de Cesareia, parece que eles estavam lendo os escritos de Lutero do século 16. Quando li o livro de um arminiano, Orlando Boyer, intitulado “Heróis da fé”, descobri que quase todas as biografias narradas ali, eram de calvinistas. Pensei: “Se a maioria ou quase todos eram calvinistas, é porque a doutrina é correta! Deus não deixaria Sua igreja permanecer no erro [Jo 16.13]”.

    MOTIVO 4: PORQUE, foi o descobrimento das “doutrinas da graça” que me libertaram da atitude orgulhosa de tentar agradar a Deus com os meus esforços. Um pesado fardo de religiosidade caiu dos meus ombros. Entendi que bastava apenas crer em Jesus para ser salvo, e nada mais! Nada do que eu fizesse de “bom” poderia comprar o amor dEle por mim, mas também nada do que eu fizesse de errado faria com que Ele deixasse de me amar. Nem que Ele tivesse de usar uma vara para corrigir o filho t 12.6].

    MOTIVO 1: PORQUE, obviamente, foi uma ação divina. Lembro que muitas vezes orava a Deus pedindo para que Ele abrisse o meu entendimento a fim de entender as chamadas “doutrinas da graça”, e não ficar enganado.

    MOTIVO 2: PORQUE, observei o profundo conhecimento e seriedade que os reformados tinham da Escritura. Lembro de um irmão que até hoje tenho um apreço muito grande por ele, que sempre argumentava: “Devemos olhar para o contexto”.

    MOTIVO 3: PORQUE, historicamente, me parece que os teólogos antigos foram unânimes na fé monergística. A ideia da “justificação pela fé somente”, por exemplo, não foi criada por Lutero; mas quem lê a Epístola a Diogneto, ou Basílio de Cesareia, parece que eles estavam lendo os escritos de Lutero do século 16. Quando li o livro de um arminiano, Orlando Boyer, intitulado “Heróis da fé”, descobri que quase todas as biografias narradas ali, eram de calvinistas. Pensei: “Se a maioria ou quase todos eram calvinistas, é porque a doutrina é correta! Deus não deixaria Sua igreja permanecer no erro [Jo 16.13]”.

  3. Paulo Henrique disse:

    PORQUE, historicamente, me parece que os teólogos antigos foram unânimes na fé monergística. A ideia da “justificação pela fé somente”, por exemplo, não foi criada por Lutero; mas quem lê a Epístola a Diogneto, ou Basílio de Cesareia, parece que eles estavam lendo os escritos de Lutero do século 16. Quando li o livro de um arminiano, Orlando Boyer, intitulado “Heróis da fé”, descobri que quase todas as biografias narradas ali, eram de calvinistas. Pensei: “Se a maioria ou quase todos eram calvinistas, é porque a doutrina é correta! Deus não deixaria Sua igreja permanecer no erro [Jo 16.13]”.

  4. Paulo Santos disse:

    Muito apropriado, pastor Rômulo. Acredito que, pela primeira vez, vi um homem corajoso expressar o atual Calvinismo como “heresia”. E, ninguém se torna calvinista lendo apenas a Bíblia” é o perfeito insight para o tema. Vamos juntos, neste antagonismo, contra a eleição calvinista. Pois, se Deus é amor, e não dá chance para os não eleitos, só nos resta indagar: “Que Amor é Este?”. Forte abraço.

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