O Aborto sob a Perspectiva Bíblica

Sulamita Silva  »   setembro 2021

Salmos 139.13-18

O aborto é considerado um dos assuntos mais polêmicos na atualidade, pois envolve a opção pelo direito à vida. É um dos temas mais debatidos pelas diversas correntes que procuram ampliar as leis que limitam o direito à interrupção da vida no ventre materno e outras que procuram manter essas leis em relação ao assunto como elas estão.

Legisladores e juízes convocam testemunhas “peritos” (médicos, psicólogos, teólogos, etc) para influenciar a política pública. Casos extremos, tais como a gravidez de jovens vítimas de estupro, são usados para injetar um alto nível de simpatia emocional nas discussões.

No mundo todo mais de 42 milhões de abortos são praticados todos os anos. São 115 mil abortos diários! O aborto tem sido chamado de assassinato silencioso – não apenas de bebês, mas de mães que carregam feridas profundas e cicatrizes amargas em sua história. Dados oficiais do DATASUS: O SUS fez 80,9 mil procedimentos após abortos malsucedidos e 1.024 interrupções de gravidez previstas em lei no 1º semestre de 2020.

São números alarmantes, principalmente quando sabemos que esses números oficiais representam apenas uma pequena parcela da quantidade de abortos que realmente acontecem e que não são registrados.

Examinando a Bíblia e a ciência com honestidade, chega-se à conclusão, óbvia, de que a vida humana começa na concepção. Destaco aqui algumas afirmações de autores renomados no assunto: – “É cientificamente correto dizer que a vida humana começa na concepção” (1)

– “A vida humana começa na fertilização, o processo durante o qual um gameta masculino ou espermatozoide se une a um gameta ou ovócito feminino (óvulo) para formar uma única célula chamada zigoto. Esta célula altamente especializada e totipotente marcou o início de cada um de nós como um indivíduo único”. “Um zigoto é o começo de um novo ser humano (isto é, um embrião)” (2)

A própria definição do governo atesta o fato de que a vida começa na fertilização. De acordo com os Institutos Nacionais de Saúde: “fertilização” é o processo de união de dois gametas (ou seja, óvulo e espermatozoide) “por meio do qual o número de cromossomos somáticos é restaurado e o desenvolvimento de um novo indivíduo é iniciado” (3)

De acordo com KAISER W. C. (2009), a partir da concepção eles possuem seu próprio gênero. A partir dos 40 dias da concepção, eles possuem suas próprias ondas cerebrais individuais as quais são mantidas até a morte. Possuem seu próprio tipo sanguíneo, suas próprias impressões digitais. O nascimento apenas muda os métodos pelos quais ele recebe comida e oxigênio. A mãe contribui para o desenvolvimento do embrião enquanto está aninhado em seu útero, mas ela nada acrescenta à natureza humana do embrião após a concepção.

O Salmo 139.13 afirma que Deus acompanha a concepção: “Pois tu formaste o meu interior…” descrevendo a complexidade da concepção, o salmista diz que Deus formou o seu interior; e ainda “Tu me teceste no seio de minha mãe…” Mesmo se tratando de uma lei biológica, o salmista entendia que a formação do ser humano no ventre materno, é obra da mão de Deus. Na gravidez, período divinamente planejado, o Senhor observa o desenvolvimento da criança ainda no útero de sua mãe. Deus não apenas acompanha, mas registra o desenvolvimento da concepção Salmo 139.15,16. Deus, soberanamente determinou a vida de cada ser humano. É impossível fazer qualquer coisa sem ter o Senhor como espectador.

O aborto é um absurdo total caso se trate de uma criança no útero de sua mãe. Tudo gira em torno do que acontece no útero materno, e a Escritura é clara: esse útero abriga uma pessoa que está sendo formada à imagem de Deus. Genesis 1.27,28 retrata a humanidade como portadora da imagem de Deus, distinta de todo o restante da ordem criada. Quando falamos da vida humana, estamos tratando de uma semelhança com Deus sem igual na criação.

Cabe somente a Deus, o Criador, dar ou tirar uma vida humana. Não é nosso direito pessoal fazer esta escolha.

Vida e morte são as prerrogativas de Deus. Ele é quem a dá e quem a tira nesta vida. Não temos o direito de fazer escolhas pessoais sobre este assunto. Nosso dever é cuidar do que nos dá e usar isto em Sua glória.

O argumento do estupro tem sido usado justificar a prática do aborto, usando argumentos como: a busca da estabilidade emocional da mulher, o fato de que aquela criança trará sempre à lembrança daquele ato horrendo, dentre outros.

Conforme KAISER W. C. (2009), a questão fundamental é: o bebê no útero é uma pessoa? Se for, isso muda toda a perspectiva.

– Será que mataríamos uma criança que estivesse fora do útero porque foi fruto de estupro? Claro que não! Por que então mataríamos uma criança dentro do útero por ser fruto de estupro?

– Mas dirão: “Você não se importa com os sentimentos da mulher? ” Sem dúvida! É inimaginável o que ela passou. Contudo pense assim: se o estuprador fosse pego, será que incentivaríamos a mulher a matá-lo para que se sentisse aliviada emocionalmente? Certamente que não! Por que então haveríamos de encorajá-la a matar uma criança inocente em nome do alívio emocional?

– O aborto não remove a perversão do estupro; ele adiciona outro mal a esse ato perverso.

As razões apresentadas como justificativas para o aborto violam a santidade da vida humana. Como cristãos não devemos nos apegar ao argumento que diz: “eu posso escolher não abortar, mas não acho que devemos impedir as outras pessoas de fazer a própria escolha”. É inconcebível para nós permanecermos quietos enquanto milhões de crianças – indivíduos feitos à imagem de Deus – são desmembradas e destruídas à nossa volta, no mundo todo. Esse pensamento não é de tolerância esclarecida. É indiferença pecaminosa.

O aborto provocado é um crime abominável, pois infringe as leis divinas e o direito natural à vida. Somente Deus, que é o Autor e o Doador da vida pode suprimir o sagrado direito de nascer.


  • Dr. Micheline Matthews-Roth, Harvard Medical School: citado pelo Conselho de Assuntos Públicos.
  • Keith L. Moore, O Desenvolvimento Humano: Embriologia Clinicamente Orientada, 7ª edição. Filadélfia, PA: Saunders, 2003. pp. 16, 2
  • Institutos Nacionais de Saúde, Medline Plus Dicionário Médico Merriam-Webster (2013), http://www.merriamwebster.com/medlineplus/fertilization

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