Mobilizados pela Esperança

Edgar Donato  »   julho 2021

A nossa tendência durante a crise é cair no desânimo. Traumas, perdas, frustrações, situações que fogem ao controle quebram o nosso bom ânimo…

O povo saiu do Egito, morreu Moisés, veio Josué, os Juízes…  Inicia-se a monarquia com os reis Saul, Davi, Salomão e tantos outros. O reino se divide, norte (Israel) e sul (Judá) …  O povo de Israel começa a abandonar ao Senhor progressivamente, idolatria, corrupção moral, injustiça, sincretismo religioso, violência, práticas iguais às dos pagãos que haviam sido expulsos. Os capítulos 4, 5 e 7 de Jeremias falam de adultério e povo mentiroso, só andava para trás e não para frente.

Nabucodonosor invade e os deporta para a Babilônia.  Jeremias escreve uma carta (capítulo 29 do seu livro) e os encoraja. Governados por leis bem diferentes, os judeus enfrentariam dificuldades no processo de adaptação a uma cultura pagã. Estão desmotivados, seu país fora invadido, os muros derrubados, o ouro do Templo saqueado… estão em terra estranha. Desamparados? Em que tipo de moradia estavam? Talvez casas improvisadas, tendas, um amontoado de gente na periferia da cidade…. Quanta reviravolta na vida.  O fato de Deus ter enviado esta carta a eles era uma evidência de que não os abandonou, embora estivesse triste com seu comportamento, algo que merecia o juízo.

O povo de Deus foi chamado para ser bênção na cidade e cheios de Esperança.  Deus permitiu o exílio do seu povo, e deveriam submeter-se aos seus conquistadores, não se rebelar contra eles. O soberano é o Senhor e não a Covid 19, é o Senhor; não o PT ou Bolsonaro. Há semelhanças com a realidade?  Em ambos os casos, confiar no senhorio de Deus é uma atitude de fé.  De qualquer ângulo que olhassem, a situação parecia desesperadora. Como lidar com uma situação dessas?  Um dos primeiros passos para transformar a tragédia em triunfo é aceitar corajosamente a nova situação e entregar-se nas mãos de um Deus amoroso que não comete erros.

Aceite o que você não pode mudar. Veja a conhecida “Oração da Serenidade:”  “Deus, conceda-me a serenidade/ para aceitar as coisas que não posso mudar/ a coragem para mudar as coisas que posso e a sabedoria para discernir uma da outra.”
Pense nas condições…  Sem a sua terra natal, perderam familiares, suas ocupações, amigos, terra estranha, língua estranha, cativos. A moral do grupo estava lá embaixo. Indisposição para empreender, se tornar profissional, lamentando, corpo mole, deprimidos… O desejo de Deus é que eles tenham gosto em observar suas famílias se desenvolverem e se multiplicarem. Porque, ainda que eles devessem aguardar a morte na escravidão; seus filhos, contudo, poderiam viver para contemplar dias melhores.

Não podemos pensar no planeta ideal apenas para nós, plantar uma árvore é pensar em nossos filhos… Talvez São Paulo não seja o lugar que você gostaria de estar…, mas enquanto você está aqui, curta nossa metrópole, ame, participe para que a cidade melhore. “Edifiquem, plantem, e se casem, ” e disponham dos seus filhos no cativeiro como se estivessem em casa, em sua própria terra. Se o povo fosse fiel durante o cativeiro, Deus faria com que prosperassem tendo filhos e colheitas abundantes.

É muito cômodo crescer quando tudo está favorável. Contudo, Deus nos exorta a crescer, mesmo em tempo  de sofrimento e dor. Isto é possível se formos capazes de nos submeter com boa atitude. Enquanto você está nessa cidade, qualquer que seja, curta e sirva, não fale mal, não cuspa no prato que você comeu, ame, participe para que a cidade melhore. Apesar de não ser paulista, moro em São Paulo há 43 anos.  Gosto de passear no centro velho, visitar sebos, folhear livros, fazer compras na rua Santa Ifigênia, comer um pastel de bacalhau no Mercado Municipal… Gosto do trânsito? Não…  Fazer o quê?

O melhor lugar do mundo não tem a ver com a geografia, mas estar aos pés do Salvador, como diz certa música.

Enquanto uns querem o bem da cidade; outros buscam o seu mal. Uns querem vê-la exaltada; outros não se importam se ela vir a ser destruída. Certamente Deus quer a exaltação da cidade, mas isso depende dos seus habitantes. “Os justos abençoam a cidade”, já dizia Salomão. Não basta ter muitos cristãos, mas cristãos atuantes. SE a cidade prospera, nós prosperamos. Se há paz na cidade, nós não teremos motivos para temer.  O bem do país é o nosso bem. Quanto pior, pior.

Não podemos nos fechar em guetos e produzir uma subcultura.  Fomos chamados para atuar em várias áreas. A cidade precisa de cristãos na política, nas universidades, no empreendedorismo, trabalhos sociais, na indústria, na medicina, nos laboratórios científicos…

É claro, somente com a volta de Cristo, todas as mazelas terão fim, mas não vamos nos envolver?  Não se trata de redimir a cultura, mas cumprir nosso chamado: “Viver para a glória de Deus, impactar vidas e fazer discípulos de Jesus.”

O Senhor não deseja apenas a nossa sobrevivência, mas a nossa capacidade de superação, de resiliência, adaptabilidade, criatividade, produtividade, piedade, fertilidade, utilidade…

Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *