Laodicéia e o espírito de nossos dias

Redação JA  »   dezembro 2021

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; …. Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. ”
Apocalipse 3.15-16, 20 ARA

No pacote da globalização, pela perspectiva bíblica escatológica, devemos prestar atenção em três áreas: a economia, a política e a religião. As três caminham numa velocidade nunca antes vista na história.

  • Na economia, assistimos uma concentração de riquezas avassaladora, nas mãos de um grupo cada vez menor de pessoas.
  • Na política, as novas tecnologias de comunicação e as formas de vigilância pessoal vão aniquilando totalmente a privacidade, colocando o poder nas mãos dos mesmos que controlam as riquezas – o poder real.
  • Na religião, que parecia ser o campo mais difícil, sendo o que mais nos interessa, o que se vê é a conformação.

Sabemos que para podermos cumprir a grande comissão dada à Igreja, é necessário entender a nossa geração para podermos pregar adequadamente. Eu preciso falar às pessoas da minha geração de uma forma que elas são capazes de entender a mensagem. A linguagem alcança o entendimento e o Espírito Santo alcança o espírito. A matéria prima é a Palavra de Deus semeada.

Pois bem, se o último período da Igreja de Cristo na terra, antes do arrebatamento é representado por Laodicéia, e se nós acreditamos que vivemos essa época, então a mensagem a Laodicéia precisa ser bem compreendida para sabermos como pregar aos nossos contemporâneos.

É interessante que até na história desta cidade asiática há mensagens sugestivas para entendermos o tempo que ela representa. Laodicéia teve outros nomes antes deste. Primeiramente chamava-se Dióspolis e depois Reos. Laodicéia foi um nome dado bem mais tarde em homenagem à esposa do rei sírio Antíoco II, Laodice. Mais tarde, a cidade acabou sendo totalmente destruída por um terremoto no ano 62 d.C. sendo reconstruída pelos próprios habitantes que se orgulhavam de tê-lo feito sem pedir auxílio ao estado. Essa independência do governo produziu em Laodicéia um povo orgulhoso e apático em relação às coisas espirituais. Laodicéia tornou-se um lugar de concentração de riquezas por ser um grande centro bancário. Nela, templos religiosos e teatros competiam entre si atraindo as pessoas pela suntuosidade e pelo que apresentavam ao público. A cidade era, também, um centro de fabricação de roupas e colírio para os olhos.

A igreja foi se acomodando à cidade e tornou-se morna, como as suas águas. Os cristãos se dividiam entre as riquezas materiais e a vida de santidade. A religiosidade com sua formatação ritualística baseada em usos e costumes, foram substituindo a ação do Espírito nos corações das pessoas. A aparência valia mais do que o interior.

Neste momento, no plano da globalização religiosa, o termo que tem sido cunhado ultimamente é “interfé”. Do meu ponto de vista trata-se de uma proposta de envolvimento religioso com os diferentes. Pode ser um termo novo para a antiga heresia do “ecumenismo”. Nada tem a ver com tolerância e respeito, mas com concordância e acomodação que atrapalha a evangelização. Por isso, “desigrejados” e “sem religião” são as novas “tribos” que vão se formando no mundo globalizado.

A mornidão de Laodicéia tem o mesmo sentido de servir a dois senhores (Mateus 6.24), censurado pelo Senhor e colocado como uma impossibilidade: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas. ”

A conduta dos laodicenses causa “náuseas” em Cristo. Desejo de vomitar. Uma igreja que abandonou os absolutos, e tudo é relativo. Nem mesmo o pecado é visto como algo a ser abandonado. As pessoas vão se tornando indulgentes com o erro. Na linguagem bíblica, amigos do mundo e, portanto, inimigos de Deus. (Tiago 4.4).

O versículo 17 expressa bem a manifestação da autossuficiência dos cristãos laodicenses demonstrando não precisar de Deus:  “…Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”. Mas a resposta vem no mesmo versículo: “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;”

A exortação de 3.18 é clara e objetiva, mas não soa como uma ordem. É um conselho: “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas;” Para entender o que significa o “ouro provado no fogo” é necessário ler I Coríntios 3.12-15: “E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, palha, feno, a obra de cada um se manifestará: na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como que pelo fogo.”

O ensino paulino mostra que as obras serão provadas diante de Deus. Os laodicenses não possuíam obras dignas. Era necessário investir em suas vidas espirituais, e produzir frutos dignos de arrependimento capazes de resistir aos critérios divinos de avaliação, conforme I Timóteo 6.17-19: “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para dela gozarmos; que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis; que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna.” Procedendo assim, estariam comprando “ouro provado no fogo” e adquirindo as verdadeiras riquezas que contam para o reino de Deus.

A exortação sobre as vestes é maravilhosa: “…e vestidos brancos [fala de justiça], para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez”. As ricas vestes fabricadas em Laodicéia nada cobriam da nudez espiritual, e a corrupção moral. Diante de Deus tais vestes são como as folhas usadas por Adão e Eva.

Preste bem a atenção em Apocalipse 3.19, nas palavras de Jesus: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: se, pois, zeloso e arrepende-te.” Deus corrige somente os seus filhos e, portanto, o sofrimento aqui era a prova de que eram filhos, e Cristo desejava aproximar-se deles para ter comunhão. Bastava abrirem os seus corações e reconhecerem o erro pessoal no qual cada um estava vivendo. Esse é o significado maravilhoso de Apocalipse 3.20: “Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”

Aplicando para os dias finais da Igreja de Cristo aqui na terra antes do arrebatamento, fica evidente que a verdadeira comunhão íntima com Cristo em Laodicéia só é possível a nível pessoal, de modo particular. Não haverá mais um reavivamento coletivo. O que acontece no coletivo é religiosidade, como no teatro, pois, o alvo é a aparência e a satisfação da carne.

Assim, a perseguição pré-arrebatamento será a aflição sofrida por aqueles que buscam comunhão íntima com Deus, percebem. É sofrimento da alma e não do corpo físico. É perceber que a verdade não tem mais valor no mundo da mentira, da pós-verdade. Para vencer, em uma batalha assim, é necessário abrir o coração para Cristo.

Finalmente, a prova do amor de Deus pelos laodicenses, a igreja do arrebatamento, é a premiação aos salvos que estiverem vivendo naqueles dias: “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.” (Apocalipse 3.21). O vencedor em Laodicéia, a igreja que não tem nenhuma virtude a ser reconhecida, será participar da maior glória possível para um salvo, estando da mesma posição do próprio Cristo.

Aqui cabe uma interrogação:
Por que o maior galardão, dado aos vencedores das sete cartas, será destinado aos laodicenses?

A resposta que encontro é esta:
Porque aqueles que nesta situação conservarem sua fidelidade demonstram que realmente amam a Deus e estão dispostos a viver para Ele.

De minha parte entendo que não há como medirmos o valor das recompensas eternas simbolizadas por coroas e galardões. O que realmente vale, para todos os salvos, desde o Pentecostes até ao Arrebatamento, é o fato que estaremos, de um modo muito especial na eternidade com corpos glorificados. Maranata!

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