Indiferença, uma terrível doença

Selma Agnesini  »  novembro 2020

“E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele”
Lucas 10.30-34

Na Parábola do Bom Samaritano, a indiferença contrasta com os gestos de compaixão. Ela é um dos sentimentos mais nocivos que existe. As pessoas são indiferentes desde muito cedo, e durante toda a vida usam a desculpa de que se ficarmos preocupados com o sofrimento dos outros corremos o risco de fazer mal à nossa própria saúde física e mental. E pensando assim deixamos de cumprir a ordem de Cristo de “amar o próximo como a si mesmo” abrindo brechas para uma enxurrada de iniquidades que, aos poucos, fará o amor ao próximo e a Deus deixar de ser uma prioridade, como escrito em Mateus 24.12:  “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”.

Estamos vivendo um tempo em que a compaixão, mais do que necessária, é imprescindível para salvar vidas. Temos visto profissionais da saúde, bombeiros, policiais, familiares, amigos, vizinhos, ONGs, igrejas, voluntários anônimos, pondo em risco a própria vida para cuidar dos que sofrem por terem contraído o vírus ou desempregados passando fome. Mas o fato é que, a cada dia, nos deparamos com notícias de furtos, superfaturamento de materiais de saúde, compra de aparelhos que não funcionam, dinheiro escondido em malas e nos mais bizarros esconderijos de políticos e autoridades, que simplesmente “passam de largo” para a triste realidade que vivemos.

 A indiferença tem um poder devastador. Os indiferentes, de uma forma ou de outra, ferem, rejeitam, excluem e até matam. Quando nos isolamos em nossos “mundinhos”, pensando só em nós mesmos, quando fechamos nossos olhos e ouvidos, estes sinais, denunciam a nossa indiferença.

Precisamos impedir que ela crie raízes em nós permitindo que Deus abra as correntes que nos seguram, para descruzarmos os braços, nos livrarmos de nossa inércia e nos movermos para a alegria da partilha, do afeto e da construção de esperança. Os discípulos de Jesus morrem e ressuscitam todos os dias. Paulo expressa isto de forma simples: “Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal” (2 Co 4.11).

O “bom samaritano” viu apenas uma pessoa em necessidade. Não era trabalho do Samaritano fazer tal serviço – como o sacerdote e o levita – mas, deixando seus afazeres, tomou as providencias necessárias porque sabia que aquele homem precisava de socorro.

Jesus nos mostra, nessa passagem bíblica, que vencemos a indiferença quando não atravessamos para o outro lado, mas vamos em auxílio e socorro do outro, cuidamos das feridas dele e agimos com amor.  Jesus fez isso por cada um de nós. Pense nisso.

“Novo mandamento vos dou, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13.34-35).

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