Soberania de Deus e a Responsabilidade humana – Haverá equilíbrio?

Mário Maracaipe  »  maio 2021

Pr. Mário Maracaipe

Quem, ou o que, seria o fator (ou o sujeito) determinante na duração e qualidade da vida humana? Tem Deus determinado o tempo da vida de cada pessoa ou tal responsabilidade pertence ao âmbito de cada um? Casos fatídicos como um erro médico, uma falha mecânica ou uma bala perdida seriam acontecimentos do acaso, eventos sob a responsabilidade humana, atuação demoníaca, ou fatalidades determinadas por Deus? Tais conjecturas vez ou outra atormentam nossos pensamentos, tumultuam nossos sentimentos e podem até abalar a nossa fé quando nos depararmos com eventuais tragédias.

A Escritura Sagrada evidencia que pertencem a Deus o dar a vida e tomá-la, enriquecer ou empobrecer, decidir quando, onde e como alguém morre e até mesmo e deformação de uma pessoa ainda em sua fase embrionária. Deus endurece ou “amolece” corações, dá entendimento ou obscurece a mente. Deus tanto permite quanto coíbe a atuação de Satanás e de seus demônios (1 Sm 2.6-8; Ec 7.14; 1 Rs 21.19; Is 38.5; Jo 21.18-22; Sl 139.14-16; Jo 9.1-3; Rm 9.18; Jo 12.40; Jó 2-3).

Contudo, a mesma Escritura assevera que cada pessoa é responsável por suas decisões pessoais, pelas quais será julgada e por meio das quais também será determinado seu bem ou mal-estar na vida. Está claro na Escritura (e no mundo!) que Deus não apenas criou as leis físicas que nos regem e limitam, mas também criou as leis e princípios que norteiam e definem nossos relacionamentos pessoais, sociais e nacionais (Pv 1.7,10; 15.1; 29.2; Lc 14.31,32; 2 Rs 13.14-19). Assim sendo, cada ser humano (e coletividade humana) é responsável por sua condição econômico-financeira bem como pelo tempo e qualidade de sua vida e saúde (Pv 6.9-11). E, perante Deus, cada um endurece seu coração e rejeita suas instruções ou conselhos, atitudes pelas quais serão julgados (Pv 1.24-32).

Eventos que aos olhos humanos seriam tragédias podem tanto ser atos determinados por Deus, como ser resultantes da negligência ou maldade humana, desconsiderando princípios de prudência ou segurança, causando um acidente pessoal, um desastre coletivo, uma morte no centro cirúrgico ou uma vítima de um disparo irresponsável (1 Rs 22.34-38; Dt 22.8,26; Mt 10.29).

O resumo de tudo é que cada ser humano que viveu, vive e viverá é uma maravilhosa e amada obra divina, com responsabilidades reais, delegadas por Deus, pelas quais será justamente julgado no seu próprio tempo e na eternidade, cuja vida e bem-estar, presente e porvir, dependerá sempre de sua relação com o Deus Criador e Redentor Jesus Cristo, o qual provou o amor do Deus Trino à humanidade como um todo e a cada pessoa que dela faz parte. Deus é sempre Justo, Bom, Perfeito e Amoroso em todas as suas obras e por cada uma delas, gostemos ou não, Ele deve ser glorificado (Sl 33.4,15; 103.22; 111.7; 145.9,17; Ec 9.1; Jr 32.19; Dn 4.37; 9.14).

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