Filhos não são troféus!

Genaina Reder  »   outubro 2021

A Bíblia adjetiva de várias formas nossos filhos. O Salmo 127 nos diz que eles são herança, uma recompensa de Deus para nós, são como flechas. Provérbios 17 diz que eles são uma coroa para os idosos, mas a Bíblia não diz que eles são troféus para exibir nossa boa performance de pais. Nosso coração pecador nos inclina a desejar reconhecimento por ter feito um “bom trabalho” como pais. Educado “bem” nossos filhos, afinal, eles “deram certo”! E quando “não dão certo”, a sociedade nos culpa, e nos culpamos. A sociedade coloca sobre nossos ombros, pais, um peso muito grande. É claro que temos responsabilidade na educação de nossos filhos. É claro que Deus nos confiou esta responsabilidade e vamos ter de prestar contas a Deus de como fizemos isso, se fizemos com temor ao Senhor e em amor ou se negligenciamos esta grandiosa tarefa.

Deus nos deixou exemplos na sua Palavra de pais que andaram com Deus, buscaram agradar a Deus e deixaram filhos ímpios e maus, como é o caso de Salomão com seu filho Roboão e o contrário também é verdadeiro, homens maus como o Rei Amom (Amom tinha vinte e dois anos de idade quando começou a reinar, e reinou dois anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Mesulemete, filha de Haruz; ela era de Jotbá. 20 Ele fez o que o Senhor reprova, como fizera Manassés, seu pai. 2 Reis 21.19-20) que gerou Josias que andou com o Senhor e fez o que agradava a Deus (Josias tinha oito anos de idade quando começou a reinar, e reinou trinta e um anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Jedida, filha de Adaías; ela era de Bozcate. Ele fez o que o Senhor aprova e andou nos caminhos de Davi, seu predecessor, sem desviar-se nem para a direita nem para a esquerda (2 Reis 22.1-2). Muitos outros exemplos temos na Palavra de Deus de filhos que foram gerados por Deus de forma extraordinária e milagrosa, para cumprir propósitos específicos de Deus, como João Batista, que se permitiu ser instrumento na preparação do Reino Messiânico e Sansão, que escolheu ser rebelde, desobediente aos pais e a Deus, mas que nem por isso, Deus deixou de cumprir o propósito que havia estabelecido para sua vida, permitindo que sua morte testificasse do poder de Deus.

Claro que queremos que nossos filhos andem com Deus e temam a Deus. Temos expectativas de que eles façam o que é correto, que externem os princípios e valores que os ensinamos, mas precisamos aceitar que não temos essa garantia. O fato de sermos pessoas corretas, temermos a Deus e ensinarmos os caminhos do Senhor aos nossos filhos não nos garante que eles “vão dar certo”, não há garantia que eles vão fazer escolhas segundos nossos ensinamentos e princípios. Nosso grande desafio é aceitar que nossos filhos são pessoas autônomas, que não são uma extensão de nós. Que farão suas próprias escolhas, assim como fizemos as nossas, que vão errar nesta caminhada, assim como nós também erramos, vão nos entristecer, assim como entristecemos em algum momento nossos pais. A questão não é SE, mas QUANDO nossos filhos falharão, e quando isso acontecer não podemos assumir para nós toda a responsabilidade. Precisamos refletir sobre o que nos motiva a desejar tanto que nossos filhos “deem certo”, estou realmente desejando que a vida deles reflita a glória de Deus ou desejando ostentar o título de pais bem-sucedidos e então, nossos filhos viram nossos troféus?

Creio que na educação dos nossos filhos, além de colocar em prática todos os princípios dos ensinamentos contidos na Palavra, precisamos aceitar que haverá situações que precisaremos vivenciar a experiência descrita pelo Apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12.9 “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. ”  Não há manual para educação de filhos. Precisamos depender inteiramente de Cristo e entender que em algumas situações não há nada que possamos fazer, a não ser descansar nas promessas de Deus para nós e nossa família e seguir orando como o Apóstolo Paulo, crendo que a graça de Cristo nos será suficiente, que como pais somos fracos, mas cremos e servimos um Deus forte!

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