Fidelidade a Deus agora e nos anos vindouros

Mário Maracaipe  »   janeiro 2022

“Fidelidade” deriva do latim fidelitatis. Fidelia é o nome de um grande vaso de barro – talvez daí procederia o substantivo fidelis que significa alguém (ou algo) em que se pode “depositar” confiança, uma pessoa sincera, leal, firme. Por conseguinte, uma pessoa fiel seria como um vaso ao qual se confiaria bens preciosos! Essa seria uma adequada metáfora do cristão fiel que guarda grande tesouro num vaso de barro. Fidelidade é o que Deus busca nos pecadores que Ele regenera – Ele não buscaria perfeição no vaso do barro adâmico (2 Co 4.7; 2 Tm 2.20).

O escritor aos hebreus descreve a fidelidade que agradou a Deus em Abel, Noé e Abraão. João descreve idêntica fidelidade nos cristãos convertidos na tribulação apocalíptica mesmo em face à morte – a fidelidade é claramente requerida do Gênesis ao Apocalipse, do início ao fim da história humana no relacionamento com o Criador e Redentor. Tal fidelidade a Deus é centrada em Jesus Cristo por ser Ele a expressa imagem do Deus citado em hebreus e no Apocalipse. Sendo assim, quando a Bíblia requer fidelidade a Deus ela nomeia o Senhor Jesus como o Deus a que devemos fidelidade. Jesus é o Princípio e o Fim, o Alfa e o Ômega, sendo tanto o Criador do primeiro quanto do último e definitivo Cosmo eterno. É contra o Criador e o Redentor revelado em (e por) Jesus que, do atrevido Caim ao Anticristo, incontáveis humanos têm agido infielmente. E é o mesmo Jesus, o Verbo encarnado, que veio regenerar semelhantes transgressores para transformá-los em fiéis adoradores cristãos – “crente” no Novo Testamento deriva do grego “pistós” que se traduz também por “fiel” (Gn 4; Hb 11; Jo 4; 20.27; Ap 1; 5; 12; 13).

Importa saber que ser fiel não significa ser perfeito –  entretanto, tal substantivo exige ser um adjetivo para qualificar e um predicado para descrever o verdadeiro cristão. Ser cristão requer o ser fiel, o ser cristão demanda o viver em fidelidade constante, apesar dos eventuais fracassos devidos ainda à natureza infiel herdada de Adão. Considere-se Abrão que após ceder à infidelidade de Sara foi visitado por Jeová que exigiu dele integridade (do hebraico “tamim”) no andar ante a face Daquele que, além de ordenar, dá também poder (de ser fiel) a quem o busca (Gn 17.1; Fp 2.13).

Sem fé não há como agradar a Deus e, sem tal fé não há fidelidade a Jesus Cristo, o Autor e Aperfeiçoador da fé agradável a Deus. Foi ao fiel Estevão que Jesus levantou-se do Trono divino a fim de recebê-lo na glória. Foi ao fiel Paulo que Jesus permaneceu ao lado até o fim de sua fiel carreira. Será ao fiel servo que Jesus afirma que chamará de “bom” e são os cristãos fiéis da perseverante Igreja de Filadélfia os quais Jesus declara amar (At 7; 2 Tm 4; Mt 25.21; Ap 3).

Divisamos um novo ano a superar, envolto em densas incertezas a quem busca “muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender”. Contudo, ao perseverante na fé cristã há adiante um ano cujo encontro entre a fiel e perseverante Igreja com seu Fiel Senhor está claramente bem próximo, iminente, quase visível! Jesus dará a Coroa da Vida àquele que for fiel até à morte – não apenas durante um ano! Diante disso, o que mais poderíamos rogar ao nosso Bom Salvador no ano que se inicia, além de sermos encontrados fiéis? Qual outra virtude cristã poderíamos almejar, se não a fidelidade a Jesus no Seu amor e na Sua santa missão – não apenas para o ano porvir mas para todos os anos que nosso Fiel Salvador permitir que aqui peregrinemos? (Tg 1; Ap 2; 1 Co 4).

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