Fechamento de igrejas na China, na América do Norte, na Oceania e na Europa

Carlos Moraes  »  janeiro 2021

“A popularidade tem matado mais profetas do que a perseguição” — Vance Havner

Quem acompanha as notícias relacionadas ao campo missionário e plantação de igrejas, toma conhecimento de necessidades dos campos. Um fato muito frequente nos últimos tempos diz respeito ao fechamento de igrejas em países da Europa, da Oceania e da América do Norte, numa proporção muito maior do que acontece na China, por exemplo. A questão que se levanta é sobre os diferentes motivos do fechamento dessas igrejas.

Na China, o que acontece é contraditório, pois ao mesmo tempo em que, devido às perseguições, alguns templos são fechados, o número de crentes aumenta. Por lá existe restrições para as igrejas devido à legislação, mas os crentes nacionais continuam pregando o evangelho, mesmo sendo ideologicamente limitados de se reunirem.

No caso da Europa, da Oceania e da América do Norte, o fechamento de templos deve-se à falta de evangelização que resulta no afastamento das pessoas e diminuição dos frequentadores.

Esse declínio do cristianismo ocidental não é novo e tem muitas causas, mas há unanimidade por parte dos analistas, de que o fator preponderante é o secularismo. Como tem havido falta de evangelização e discipulado, os membros das igrejas estão envelhecendo e morrendo. Também há falta de ministros, por ter diminuído a ênfase e os desafios vocacionais para os jovens. Há uma cadeia de acontecimentos que vai se fechando e contribuindo para o fechamento de igrejas. Com a diminuição de fiéis, o mesmo ocorre com as finanças e com os mestres na preparação dos ministros. A falta de dinheiro leva à venda dos templos e até das instalações dos seminários. Por isso temos visto igrejas sendo transformadas em mesquitas, em museus e até em casas de shows.

No caso específico de alguns países europeus, a maioria das igrejas que conseguem se manter abertas são as pentecostais. A explicação para isso já foi detectada: a migração de cristãos pentecostais oriundos de países africanos, asiáticos e latinos.

Stephen Tiromwe, um pregador ugandense, que evangelizava na Inglaterra dizia que “os ingleses ainda creem em Deus, mas não querem comprometer se com Cristo”. Stephen foi um dos sobreviventes da violenta perseguição movida pelo governo contra a sua igreja em Uganda. Tendo imigrado como refugiado para a Inglaterra, ele pregava em clubes sociais na cidade de Leeds, com permissão para falar apenas por dez minutos antes de seus ouvintes começarem a jogar bingo.

Nos EUA, a batalha contra o secularismo é igual. A população estadunidense que não vai à igreja é a maior de língua inglesa no mundo hoje. Nos EUA, a maioria das pessoas que se convertem atualmente resultam de trabalho evangelístico de pregadores africanos, asiáticos e latinos.

No caso da Europa, se pegarmos, por exemplo a Holanda que teve momentos memoráveis na teologia e nas missões, atualmente mais de sessenta por cento da população não vai a nenhuma igreja. Esse afastamento da fé gerou mudanças radicais na vida familiar com forte controle de natalidade, aborto, divórcio e até prática da eutanásia. Citei a Holanda, mas o mesmo ocorre nos demais países do sul europeu.

É muito triste sabermos que no auge do cristianismo dessa parte do mundo, tivemos a Revolução Industrial, o surgimento da física quântica e da moderna genética com pessoas sendo criadas na fé cristã e com amor à ciência.

Tanto na Europa, quanto na América do Norte e na Oceania, o consumismo exagerado resultante do enriquecimento trouxe a incredulidade e até o menosprezo pela ciência.

Este problema de esfriamento da fé, não é apenas entre os evangélicos. Também no catolicismo, o esvaziamento acontece. Em 2016, 22 igrejas católicas foram fechadas no norte de Gales. No estado da Pensilvânia nos EUA, duas igrejas católicas fechadas foram convertidas em templos de outras religiões, uma em uma mesquita a outra em um templo budista. No Canadá, estima-se que um terço das igrejas estão sendo fechadas em uma década, incluindo luteranos, católicos, anglicanos e diversas denominações evangélicas. Fica no ar a questão: o que é pior para a fé cristã e a expansão do cristianismo hoje? O fechamento das igrejas no chamado mundo livre ou em países como a China e outros considerados hostis ao cristianismo?

Algumas fontes consultadas:
Revista Eclésia, Ano VII, nº82; Revista Fé para hoje, Ano 2003, nº 20; Revista Impacto, Nov/Dez,2001; Revista Impacto, Nov/Dez,2003; Revista Ultimato, Mai/1998; Revista Ultimato, Jan/Fev/2004; Revista VEJA, 16/05/2001; Revista VEJA, 22/10/2003; Dinâmica Global diversos artigos de 2016 a 2020.

Uma resposta para “Fechamento de igrejas na China, na América do Norte, na Oceania e na Europa”

  1. Ricardo Henrique disse:

    Excelente matéria

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