Fé e Obras: Uma solução por Desigualdades

Alessandro Monteiro  »  maio 2021

As desigualdades matemáticas, por vezes mais importantes que as igualdades, são ferramentas muito poderosas na resolução de problemas. Solucionar uma igualdade com uma desigualdade dentro do campo real e até mesmo do complexo é para mim uma das coisas mais “simples” e bonitas que já vi. No campo espiritual uma desigualdade que alcança soluções envolve o homem e sua vida de oração. Qualquer homem é menor que um homem que ora, e este é menor que um homem que ora e é resposta de oração.

Não é para solucionar o que queremos, mas sim alcançar Deus e depois suas respostas. Como amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo entendimento enquanto as soluções para nossas equações são mais importantes que as do nosso próximo? Através das desigualdades que encontraremos esta igualdade.

Quando sabemos de alguém que é diagnosticado com câncer então dizemos que vamos orar. Mais tarde, quando ficamos sabendo que a mesma pessoa está vendendo ingressos de uma feijoada para pagar algum procedimento, então não compramos e não ajudamos simplesmente porque não gostamos de feijoada ou porque queremos almoçar em outro lugar. Existe grande chance de que na próxima vez que orarmos Deus não ouça a nossa oração (Provérbios 21.13).

Como disse o meu amigo e irmão, gideão Ivaldo Santos, a resposta para o quão difícil é ajudar nestas e outras obras similares é inversamente proporcional ao entendimento de Tiago 2. 14-17:

Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.

Incluir o inversamente proporcional é genial tendo em vista que de fato uma grandeza precisa diminuir para então a outra aumentar. A mão que deve ser movida é a nossa ou a de Deus? Rejeitar estas passagens bíblicas faz as nossas orações serem abomináveis (Pv 28.9) e, não sendo ouvidos, que tipo de relacionamento nos resta com Deus?

Deus quer que oremos, mas também quer que sejamos respostas de orações. Talvez o dia em que eu estava mais perdido foi quando procurei por vários minutos os meus óculos que estavam pendurados sobre minha cabeça. Como eu tinha alto grau de miopia e astigmatismo então comecei a orar a Deus pedindo para encontrá-los. A oração é uma das nossas maiores armas e chega tão longe onde lógica nenhuma pode chegar e explicar. Mas, muitas vezes, simplesmente oramos por aquilo que já está no nosso “bolso”.

Dentro das minhas loucuras eu tento sempre pensar com o mínimo de lógica possível e sei, que para coisas verdadeiramente boas, a lógica só se completa com a graça e misericórdia de Deus. A lógica me ajuda a fazer conexões entre um lado e o outro da porta, mas é Deus que me leva aonde não posso chegar.

Aqui em casa bebemos água diretamente da Fonte (filtro) e a jarra é desnecessária. A água natural tem sido boa e agradável. Porém, mais importante que isso, é que a jarra só enche da mesma Fonte quando pensamos nos outros (nas visitas). E pensando nos outros ainda é preciso vencer o porquê.

Em um dia sem a Fonte a jarra cheia pode ser tudo que temos. Mas, a Fonte somente enche a jarra na medida em que decidimos encher e dar aos outros.

O que adianta ainda eu ser infalível em levar um copo de água para o pastor no púlpito, mas dizer que estamos sem água quando um morador de rua bate na minha porta? São duas coisas: decidir querer de um lado para então encontrar o que Deus quer para nós do outro. Sozinhos, cremos e bebemos, mas morremos de sede porque não escolhemos verdadeiramente beber da Eterna Fonte.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas (Efésios 2. 8-10).

Qualquer homem é menor que um homem que ora, e este é menor que um homem que ora e é resposta de oração.

Uma resposta para “Fé e Obras: Uma solução por Desigualdades”

  1. Paulo R. de Arruda disse:

    Alessandro, a sua reflexão é muito profunda e muito pertinente nesse momento que Deus nos chama para um viver que possa diminuir essas desigualdades, não só com oração, mas também com ação, deixando Deus mover a sua mão por intermédio de nós. Parabéns!

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