“Estou à porta e bato (…) Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono”.

Carlos Moraes  »  maio 2021

“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 3.20 -22).

Este texto tem sido usado por muitos para evangelizar. E pode, pois, o seu conteúdo permite tal aplicação. Mas no contexto em que ele foi escrito, originalmente, o Senhor se dirigia aos laodicenses, da sétima carta do Apocalipse, prefigurando os momentos finais da dispensação da Graça. Aqui, o Senhor trata com os santos.

Fazendo uma análise do conteúdo da carta à Igreja em Laodiceia, podemos entender como serão os dias finais antes do arrebatamento da Igreja para dar entrada à septuagésima semana de Daniel, na qual teremos os sete anos divididos ao meio, sendo a primeira metade o princípio das dores, e a segunda parte, a angústia de Jacó.

Cada dia que passa estamos mais próximos do final da atual dispensação e, por essa razão, tenho procurado observar muito atentamente o comportamento do povo de Deus, mais até do os acontecimentos em geral, pois acredito que o profeta Daniel (12) descreveu o fim dos tempos, alertando para o fato que “os sábios” (salvos) entenderiam os acontecimentos (12.10). O arrebatamento da Igreja é iminente e, não há sinais para que ocorra, mas as profecias, em ambos os testamentos, apontando para a revelação de Cristo para Israel, que será um acontecimento posterior, são identificáveis.

O diagnóstico que Cristo faz de Laodiceia
Logo no início da carta (3.15), a doença identificada é a mornidão, falta de fervor espiritual. Em seguida (3.17) diz que os laodicenses, membros da sétima igreja, confiavam em si mesmos. O destaque da carta, fica para o que Jesus disse acerca de um crente morno: provoca náuseas e vômito (3.16). Você só pode ter vontade vomitar o que está dentro.

A receita que Cristo dá à Igreja
Para o tratamento da grave doença de Laodiceia, Cristo se apresenta a ela como um mercador espiritual (3.18), oferecendo para os laodicenses, ouro refinado pelo fogo como verdadeira riqueza do reino, vestidura branca, que simboliza a pureza, e colírio para enxergar com discernimento.

Em seguida, Cristo desafia a Igreja para uma mudança de vida através do arrependimento (3.19), pois apesar da sua condição, ele não desiste, pois ela é alvo do seu amor e por ela deu a vida.

Nesse ponto, nós entendemos a forma de tratamento de Cristo em relação à sua Igreja na reta final: um tratamento personalizado para aquele que abrir a porta (3.20) e cear com ele. Trata-se de algo muito íntimo, esse desafio para a comunhão pessoal com Cristo.

Onde estamos?
Fui salvo por Cristo em 1967 e, nesta minha geração nunca vi mornidão tal como a que se vê hoje em dia. Os crentes cada vez mais confiando em si mesmos. Mas pior, vivendo dentro da descrição feita pelo apóstolo Paulo quando escreveu sua segunda carta ao jovem pastor Timóteo: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2 Tm 3.2-5).

Para expor este texto corretamente, é necessário prestar a atenção a um detalhe importante que está no versículo cinco: “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”. Alguns ao pregar neste texto, se colocam na zona de conforto apontando que estas pessoas a que Paulo se refere aqui são de fora da igreja. Mas o que ele está dizendo é que tais pessoas estão dentro da igreja, pois têm “aparência de piedade” e o conselho é para “afastar-se” delas!
A batalha íntima do crente nestes dias, não é apenas compreender as doutrinas, mas abrir a porta do coração, dia-a-dia, para que Jesus deixe de ser apenas uma referência e passe a ser alguém com quem eu tenha comunhão. A palavra do Senhor deve me incomodar quando ele diz: “Eis que estou à porta e bato”. Será que estamos saudosistas daqueles momentos nos quais derramamos nosso coração diante do Senhor e ele falou conosco pelo Espírito de maneira especial nos levando ao pranto?  Eu não estou te julgando. Estou te questionando.
A luta neste tempo é difícil e parece que perderemos, mas lembre-se que, para nós, a recompensa é gloriosa: “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 3.21-22).

O propósito da mensagem aos crentes de Laodiceia tem como objetivo despertá-los da mornidão predominante para abrirem a porta do coração para ter comunhão pessoal com Cristo.


Uma resposta para ““Estou à porta e bato (…) Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono”.”

  1. Paulo R. de Arruda disse:

    Pastor Carlos, parabéns pelo artigo, muito claro e objetivo, pois a verdade é que realmente estamos vivendo um momento de mornidão mesmo, onde parece que a insensibilidade tomou conta da maioria dos cristãos que não estão mais com aquele vigor de apregoar a Palavra e mostrar o amor de Deus. O templo tornou-se um “lugar de segurança” e a maioria não pretendem deixá-lo em busca dos perdidos.

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