Era preciso! E continua sendo necessário!

Paulo Arruda  »   junho 2021

Nunca me esqueci de uma ilustração contada pelo Pr. Wendell Hiers (*), em uma de suas mensagens. A mensagem era sobre perdão e a ilustração era uma história similar à do filho pródigo, parábola contada por Jesus em Lucas 15.

No caso, era um filho que também tinha deixado seus pais, seu lar, sua igreja, seus irmãos e amigos. Enfim, todo aquele conjunto de valores que realmente importam e que um dia, se sentindo só, e agora conhecendo a importância de tudo aquilo que ele deixou para trás, resolveu passar um telegrama para o seu pai, no qual ele dizia: “Pai, sei que pequei contra ti e contra todos e sei que já não sou mais digno de ser chamado de teu filho, dia tal estarei pegando aquele trem que passa ai pela nossa cidade, bem ai juntinho da estação tem aquela mangueira frondosa onde muitas vezes me alimentei com os seus frutos. Se o senhor me perdoa pai, coloca lá naquela mangueira um pano branco, como sinal do seu perdão, e então eu descerei do trem, porque de certo saberei que o senhor tem me perdoado. Caso eu não veja o pano branco na mangueira, passarei direto e não o culparei, pois sei que lhe causei muitos transtornos, e vou viver o resto de minha vida vagando pelo mundo afora”.

Eis que chegou o dia aprazado. Aquele jovem tomou o trem com o coração muito apreensivo e apesar do seu arrependimento ser sincero, as suas dúvidas eram muitas: “Será que meu pai me perdoará? Será que ele vai colocar o pano branco na mangueira, como sinal do seu perdão? E se ele não me perdoar? ”

Quando o trem começou a se aproximar daquela cidade, o jovem resolveu, mas com muito temor, ficar olhando por uma janela, e qual não foi a sua surpresa, ele percebeu que todas as árvores que existiam, nas proximidades da cidade, no caminho daquele trem, estavam com um pano branco, eram lençóis, toalhas, camisas, calças, etc… O jovem então percebeu que com aquele gesto o seu pai não estava dizendo apenas que lhe perdoava, mas que se regozijava e se alegrava com a sua volta.

Atitudes como a desta ilustração, como aquela promovida pelo pai do filho pródigo, com festa, com presentes, com comemoração para receber um filho rebelde, ingrato, desobediente, são estranhas e absurdas ao nosso jeito de pensar. A cultura que formamos de privilegiar somente aqueles que são bonzinhos e não nos dão trabalho algum é a reinante em nosso meio dito “evangélico”.

Não sei se você consegue perceber, mas era sobre isso que Jesus se contrapôs, contra aquela sociedade de legalistas que homenageavam somente os tidos como “exemplares”. Aliás, é bom lembrar que, a parábola do filho pródigo é contada dentro de um contexto em que Jesus estava sendo criticado por comer com os publicanos e pecadores. Ele está nos ensinando ali, nas três parábolas relatadas no capítulo 15, a saber: da ovelha perdida; da dracma perdida; e, do filho pródigo, ou, do filho perdido, que devemos valorizar aquele que se perdeu, mas que foi achado.

É muito interessante o pensamento e o sentimento de legalismo de muitos irmãos diante da volta de um que se perdeu, mas que foi achado, o retrato destes é pintado por Jesus na figura do irmão mais velho do filho pródigo, e de todas as suas palavras que foram bem cruéis, a frase mais enigmática dita por ele é: “Esse teu filho”. Essa frase transmite todo o pensamento de legalismo que permeia seu ser e que, por puro egoísmo quer dizer que aquele transgressor não era mais seu irmão e que não teria mais direito a nada ali. E, assim vivemos tempos em que somos mestres que até ensinamos sobre perdão; mas que, no entanto, não ensinamos o nosso povo a perdoar, haja vista que não é certo que perdoamos a pessoa porque ela se arrependeu, nós perdoamos para que a pessoa encontre o ambiente seguro para se arrepender, ou seja, o perdão dá origem ao processo de arrependimento.

Como o Pai nos perdoou, há sempre alguém precisando do nosso perdão, para que as pessoas possam ver Deus através de nós.

Quem você está precisando perdoar?

Estar morto e reviver, estar perdido e ser achado, é uma experiência fantástica que só sabe e só conhece quem experimentou das misericórdias do SENHOR, e é por isso que Ele nos ensina que é preciso que nos regozijemos e nos alegremos com isso, e não que o enterremos.

“Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado”. (Lucas 15:32)

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(*) missionário estadunidense, um dos fundadores da Igreja Batista em Dom Pedro (Manaus AM)

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