Entrelinhas e ondas

Francimar Soares  »   dezembro 2021

Hoje tirei o dia para pensar. Pensar com propósito, como tarefa de aprendizado e crescimento, como quem de fato precisa reorganizar a própria mente e a vida. E nesses primeiros momentos de reflexão, quando a vista limita-se ao horizonte, onde a extremidade do mar se une ao céu em harmonia de cores, percebo a grandeza de um Deus que fez todas as coisas perfeitas e reconheço a pequenez da minha própria existência e imperfeições.

Pensamos. Pensar é algo tão fácil e, ao mesmo tempo, tão difícil de se fazer. Digo isto, porque é muito fácil pensar, no sentido de acreditar que tudo se resume à nossa dedução daquilo que já está em nosso coração e em nossos olhos. É a arrogância de acreditar que temos a capacidade de entender, rapidamente, que todas as coisas são o que aparentam ser para nós naquele instante. Que a verdade se resume a nossa própria visão do momento.

Decidimos. Mesmo que a nossa forma de ver a realidade não seja tão real assim, devido a nossa incapacidade de reconhecer que, por mais claras que sejam as coisas à nossa vista, as nossas próprias imperfeições turva a visão e o orgulho inerente ao ser nos impede de repensar, de rever, de crer que existe uma pequena possibilidade de estarmos errados.

Sofremos. O curioso é que nossos pensamentos e decisões nos levam na direção que, a todo custo, queremos evitar. Essa é a grande motivação da vida secular: ser feliz. E essa felicidade, fruto de realização e conquistas pessoais, exclui até a possibilidade do sofrimento. Queremos viver sem sofrer. Utopia.

Achamos que o sofrimento é de todo mal e quando é conosco, por menor que seja, se torna insuportável. Queremos deixar de sofrer quando deveríamos aprender com, no, e apesar dele. Ignoramos que o sofrimento no sentido cristão, servirá como fogo que purifica o metal. E que, em última instância, nos conduzirá de volta a Deus.

Esquecemos que foi em sofrimento e através do sofrimento que o Filho de Deus nos possibilitou o perdão dos pecados e a salvação eterna; que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus…” e que a promessa da presença constante de Cristo é real.

Pensar dar trabalho, é cansativo e causa dor. Mas vale a pena pensar, repensar, decidir, sofrer e crer que, até o mais ínfimo pensamento surge aquém do conhecimento de Deus.

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