Empresa Missionária no Século 21

Redação JA  »   outubro 2021

Pode-se dizer que, na história da Igreja de Cristo, a primeira menção sobre uma “empresa” apoiando a obra missionária, está em Atos 18.1-3. A narrativa é esta: “E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a Corinto. E, achando um certo judeu por nome Áquila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles, e, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas”. Neste caso, os próprios “empresários” faziam o trabalho de evangelização. O próprio apóstolo Paulo menciona, em outras ocasiões, estar trabalhando na sua profissão para sustento da equipe missionária. Assim, dessa prática de trabalhar profissionalmente para se autossustentar no trabalho ministerial, fez surgir o termo missiológico, “fazedor de tendas”, largamente usado no Brasil e no mundo. Mas a ideia de “empresa missionária”, que já é tratada extensamente nos meios evangélicos por décadas, tem a ver com empresas que participam, como tais, no sustento da obra missionária, sem que seus proprietários sejam missionários. São mantenedores.


O modelo de William Carey
Considerado o “Pai das Missões Modernas”, o inglês Guilherme (William) Carey (17/08/1761 – 09/06/1834), é uma síntese de “fazedor de tendas” e “empresa missionária”, antes mesmo que esses termos fossem usados. Desde jovem Carey se dedicava à evangelização, e quando começou a pastorear uma pequena igreja em sua aldeia, trabalhava acumulando as funções de pastor, professor de tempo parcial e sapateiro. Mais tarde foi chamado para pastorear uma igreja maior em Leicester, mas mesmo assim ainda precisava trabalhar em outras atividades para sustentar a família.

Quando foi para o campo missionário, na Índia, Carey escreveu uma “tese” que até os dias de hoje traz luzes sobre aspectos da obra missionária: “Uma investigação sobre o dever dos cristãos de empregarem meios para a conversão dos pagãos”. Na época, frente às dificuldades de sustento da família missionária, ele recomendava que se levasse mais duas famílias para o campo missionário, para que trabalhassem e sustentassem a família missionária.

Quem conhece a história desse servo do Senhor não tem a menor dúvida do consenso acerca do seu título de “Pai das Missões Modernas”.


O exemplo de William Colgate
Uma das histórias mais inspiradoras sobre essa associação de empresa e missões na obra de Deus, remonta à vida do imigrante inglês nos EUA, William Colgate que, em 1806, na cidade de Nova York, fundou a empresa que leva o seu nome de família, e permanece até os dias de hoje. O seu filho e sucessor, o batista Samuel Colgate continuou na liderança das empresas até sua morte em 23 de abril de 1897.

William Colgate foi filantropo muito antes desse termo ser utilizado em larga escala. Investia em educação e sustento da obra missionária. William começou com dez por cento e chegou a ser doador de 50% do seu rendimento para a obra do Senhor. Até hoje, desde que conheci sua história, cada vez que vou ao mercado e tenho que comprar creme dental, o testemunho desse servo de Deus me vem à mente e a minha opção é por Colgate.

Através da história, você vai encontrar milhares de empresários grandes e pequenos que, seguiram o exemplo dos empresários, William e Samuel Colgate, apoiando a obra de evangelização e missões em várias partes do mundo.

Aqui no Brasil há dezenas de empresas, a maioria pequenas e médias, investindo parte da sua renda em projetos de cunho missionário, tanto no sustento de obreiros, quanto dos empreendimentos de construção e outras necessidades da logística, administração e na retaguarda da obra missionária em geral. “Empresa Missionária” é, na prática, o conceito de ter Deus como sócio.


Século 21
O momento no qual vivemos, principalmente no meio do qual faço parte, temos enfrentado grandes dificuldades no sustento, tanto para os pastores das igrejas, quanto para os missionários chamados para a plantação de novas igrejas dentro e fora do Brasil.

Fiz um levantamento na minha região com 61 igrejas e congregações. Em apenas quatro delas o pastor vive integralmente com o sustento financeiro oriundo da igreja. Os demais, trabalham em outras áreas, além do ministério, para complementar o sustento da família. Há alguns casos, em que o pastor se dedica apenas ao ministério, mas a esposa ajuda profissionalmente, em atividades remuneradas. E há casos, em que ambos trabalham além do ministério.


Empresas missionárias
Empresa missionária é aquela em que os proprietários, sendo cristãos, adotam valores eternos, além dos valores desta vida, e decidem investir parte do lucro da empresa na obra missionária, atendendo ao apelo de Jesus em Lucas 16.9, e refletindo sobre o ensino da parábola de Lucas 12.16-21.  

São empresários e profissionais liberais, dos mais variados ramos de atividades, na maioria pequenas e médias empresas, e até MEI, que descobriram que podem fazer mais do que fazem através da sua igreja local, na qual são dizimistas e ofertantes para missões.

Posso citar como referência, para quem quiser aprofundar um pouco mais neste tema, o livro, “Força Empresarial em Missão Integral” de Heniz A. Suter, e Marco Gmür, Editora Descoberta.


Um testemunho pessoal
Trazendo para mais perto de nossa realidade, pedimos ao irmão Wagner Ferreira, da empresa Delmatec, para um breve testemunho pessoal de alguém que dirige uma empresa missionária. O texto que segue, é o seu testemunho:

Para que somos escolhidos? Missionários, Deus os enviará, capacitará, e, ao mesmo tempo, preparará pessoas para sustentá-los.
Após nossa primeira aparição no Jornal de Apoio, na edição 283, em janeiro de 2017, várias pessoas que leram a matéria entraram em contato, buscando apoio para seu projeto missionário. Ao serem informados que precisavam de enviar a cópia do projeto, ter uma igreja enviadora da qual fossem membros, estariam entre os que poderiam ser escolhidos. A oferta seria, então, enviada através da missão. Pelo visto, o critério não agradou, pois, nenhuma resposta tivemos.
O trabalho é para Jesus Cristo. Continuamos não levantando bandeira e, sim, fazendo o trabalho que ele nos legou, que é levar a Palavra de Deus até os confins da terra! Mantenho a prática, entre novembro e dezembro de renovar nossos votos, de apoio a missões para o próximo ano, seguindo o novo alvo estabelecido por Deus em nosso coração. Nos alegramos em receber os relatórios dos missionários que apoiamos, pois muito nos abençoa saber o que está ocorrendo nos campos de trabalho de cada um. A empresa tem sido muito abençoada pelo Senhor da seara.

Como fazer mais? Cada projeto levamos a Deus em oração, e ele nos direciona onde devemos investir. Sim, investir em pessoas, em projetos que levam a Palavra de Deus até os confins da Terra.

Em nosso último congresso, sentimos paz no coração e abrimos aos missionários, para ficar mais próximos e saber suas necessidades, materiais e participar através de orações.
Deus escolhe, chama, capacita, envia e supre. Lendo Êxodo 31.1-18), podemos entender, como Deus opera em nossas vidas. Entendo que Deus nos escolheu, e nos chamou para apoiar os missionários. Nos capacitou entrando em contato com missões e participando dos congressos, vendo a real necessidade em campo, e nos enviou para apoiar a sua obra suprindo de forma material com ofertas e espiritual por nossas orações.
Hoje, a empresa apoia e participa de 18 projetos, sendo 16 missionários através da AMI – Associação Missionária Internacional (Da qual Wagner é membro), 01 pela OPV – Organização Palavra da Vida, e 01 pela OM – Operação Mobilização Brasil.
Juntos podemos fazer mais. Mesmo em tempo de crises, Deus não desampara seus filhos. Desde 2009 passamos por muitas adversidades, e em nenhum momento faltou o valor para envio do sustento missionário, mesmo com o mercado retraído, continuamos trabalhando, pela graça divina que colocou em nosso coração o propósito maior, que é levar a sua palavra a pessoas que ainda não a ouviram.
Aguardamos o próximo evento da AMI, para que possamos falar sobre a empresa missionaria, ofertando, apoiando e orando, por aqueles que Deus colocar em vossos corações.

Nada faça com a intenção de receber algo em troca. Mas lembre-se que Deus, cuida de seus escolhidos.

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