Dona Raimunda

Paulo Arruda  »   dezembro 2021

Lembro-me de que há alguns anos atrás eu trabalhava numa empresa e que a cada final de mês, como funcionário, recebia uma cesta básica de alimentos e que sempre procurava abençoar algum necessitado com ela.

Num determinado mês, recebi a cesta e coloquei no porta-malas do meu carro. Já fazia alguns dias que a cesta estava ali e não fui impelido a entrega-la para ninguém. Até que, num domingo pela manhã estava na igreja com a minha família, na época meus filhos eram adolescentes, e senti nitidamente quando Deus me ordenou que fosse levar aquela cesta básica para a Dona Raimunda.

Agora para que você possa entender quem era a Dona Raimunda, preciso voltar ao mês de março de 1971 quando ainda era um menino de oito anos de idade e meus pais se mudaram da cidade de Santarém, no Pará, para Manaus, no Amazonas.

Quando chegamos meu pai alugou uma casa na Rua Miguel Ribas, Bairro Santo Antônio. Era um terreno grande com duas casas, a casa da frente, onde ficamos e a casa dos fundos, onde moravam os proprietários, Sr. Francisco e Dona Raimunda.

Moramos nessa casa por cerca de dois anos, quando então meu pai comprou um terreno em um outro bairro e construiu a nossa casa. Portanto, quando sai desse lugar eu tinha cerca de dez anos de idade e nunca mais havia ido ali. Isso já fazia mais de vinte anos.

Assim, quando Deus me disse para voltar naquele lugar, eu não tinha nenhuma certeza de que aquela pessoa ainda era viva ou se ainda morava naquele lugar. Mas, em obediência, eu falei pra minha família que precisávamos ir levar aquela cesta básica para uma pessoa da qual eles nunca haviam ouvido falar.

Chegamos já por volta de meio dia, bati palmas e fui recebido por aquela senhora, já envelhecida, mas que eu a reconheci de primeira. Ela perguntou-me do que se tratava e eu respondi com outra pergunta: A senhora não está me reconhecendo? Ela disse que não. Eu falei, Dona Raimunda, eu sou o Paulinho da Dona Olga (pois era assim que ela se lembraria de mim). Ela então exclamou bem alto: Menino! É tu mesmo Paulinho? E o que tu veio fazer aqui? Eu disse: Dona Raimunda, eu vim aqui apenas fazer algo que Deus me mandou fazer. Vim trazer algo para a senhora, e mandei meu filho pegar a cesta no carro. Nesse momento, essa senhora começou a chorar copiosamente e a agradecer a Deus e também me agradecer e, quando conseguiu se conter daquele choro ela nos disse: “O Francisco, meu velho, está acamado há muito tempo, minhas duas filhas estão desempregadas e hoje quando acordamos vi que não tínhamos nada para comer. Então eu pedi a Deus que nos mandasse alguma coisa, qualquer coisa para nós nos alimentarmos e Ele ouviu a minha oração e mandou você trazer. Deus é bom. ”

Através daquele ato tão simples, o SENHOR não só abençoou a vida da família da Dona Raimunda, mas fortaleceu a minha fé e da minha família que a tudo isso viu e viveu.

Esse é apenas um exemplo do que significa teofania, Deus agindo através de nós. Mas é importante salientar que Ele só age se nós nos deixamos ser usados, pois nada adiantará Ele falar se eu não esteja pronto a ouvir e obedecer.

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