Desprezando nossas vontades e convergindo com Cristo

Alessandro Monteiro  »  junho 2021

Existe um único Deus infinito e todas as coisas que Ele criou demonstram a grandeza do Seu poder e sabedoria. De eternidade a Eternidade ele é Deus (Salmos 90.2). Os céus declaram a Sua glória e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos (Salmos 19.1). Ele é antes de todas as coisas e Nele tudo subsiste (Colossenses 1.17). Ele é Grande, de grande poder e o seu entendimento é infinito (Salmos 147.5). Ele fez tudo formoso no seu devido tempo e pôs a eternidade no coração do homem, sem que este pudesse compreender completamente Suas obras feitas desde o princípio até ao fim (Eclesiastes 3.11). Ele é o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim (Apocalipse 22.13).

Ele criou o homem para uma eterna comunhão com ele. Plantou um Jardim e lá colocou o homem onde ele poderia comer livremente do fruto de qualquer árvore e poderia viver e chegar tão próximo da árvore do conhecimento do bem e do mal quanto quisesse, exceto quando possivelmente desejasse comer do seu próprio fruto. A vida do homem ia sendo desenhada por Deus em linha contínua sem furos, saltos, quebras ou oscilações. Mas, o EU existiu pela primeira vez e então, veio a desobediência que continua até hoje.  Por um lado, ele sabia que morreria, pois precisava depender totalmente de Deus, mas pelo outro acreditou na mentira de que além de não morrer poderia viver das suas próprias ideias uma vez que conheceria também do bem e do mal. Foi então que a vida do homem divergiu. Na perfeição ele já não mais existia. O gráfico que descrevia sua eterna vida foi quebrado no salto mortal que ele deu por desobedecer ao Criador. Existiu então um grande abismo entre o homem e Deus.

A partir daí a divergência só aumentou quando por um lado buscava-se depender de Deus e pelo outro de si mesmo. Hoje ainda divergimos porque oscilamos em pontos cruciais quando a carne e o Espírito lutam continuamente. Mas, a palavra de Deus nos diz que quando totalmente guiados pelo Espírito a lei passa a ser desprezível e passamos a fazer o que não queremos ainda que a carne e o Espírito estejam convergindo opostamente (Gálatas 5.17).

Individualmente somos o pior dos pecadores (1 Timóteo 1.15) e, apesar de tudo, Deus não despreza o fato de sempre nos dar além do que merecemos. Ele nos dá todos dias a oportunidade de conhecê-lo em toda a Sua grandeza desprezando a decisão que tomamos todos os dias de desprezá-lo para ser grande. Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor. Aproximemo-nos Dele para que Ele possa se aproximar de nós.  Gloriemo-nos não na nossa sabedoria, nem na nossa força e muito menos nas nossas riquezas, mas sim em entender e conhecer o nosso Senhor (Jeremias 9. 23-24).

Como plano perfeito, para nos resgatar das trevas e nos dar a vida eterna, Deus amou o mundo e entregou Jesus Cristo na cruz. Por um milagre conhecemos e cremos no único Deus verdadeiro e no seu único filho, que foi enviado, e então temos a vida eterna (João 17.3). Nossos pecados são levados em seu corpo sobre a cruz e então são esquecidos e tornam-se desprezíveis quando atirados nas profundezas do mar (1 Pedro 2.24, Hebreus 8.12, Miquéias 7.18-19). Não é mais nós que vivemos, Cristo vive em nós e voltamos a ter acesso a comunhão para a qual fomos criados. Aquele que existe por si mesmo e é absoluto traça a nossa jornada novamente ao infinito.

A divergência então deve terminar na cruz. Podemos não mais olhar para direita e nem para a esquerda, mas para o centro. Podemos não mais dizer por um lado lembra-te de mim e pelo outro salva-te a ti mesmo. Podemos então desprezar totalmente nossas vontades e convergir com Cristo. Assim, como nas convergências de funções polinomiais onde as entradas crescem ilimitadamente, simplesmente devemos levar em conta apenas os termos de maior grau tendo em vista que os menores se tornam desprezíveis. Pois quando tende ao infinito o termo de maior grau cresce tão rapidamente que não pode mais ser influenciado pelos menores.

O que acontece quando deixamos Jesus Cristo operar com toda a Sua infinidade em nossas vidas? Deixando-o operar em nossas vidas nos pontos que ainda dependemos de nós mesmos estaremos desprezando o medo e qualquer outro sentimento que nos afasta do que Ele deseja fazer no mundo através de nós. Ele é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que opera em nós (Efésios 3.20).

Quantas coisas poderiam ser desprezíveis se o deixássemos operar com máximo poder em nossas vidas? Poderíamos desprezar o falar mal dos outros e valorizar as qualidades realmente boas que cada um tem? Poderíamos abandonar o orgulho, nos submeter a Deus, orar e não rejeitar as autoridades que subsistem pelo poder de Cristo? Poderíamos comer e beber para a Glória de Deus e não simplesmente para satisfazer nossas vontades? Poderíamos ver outros pecados gravíssimos em nós “tão grandes” quanto ao desprezo que damos ao adultério dos nossos irmãos? Poderíamos desprezar os sentimentos de injustiça e entregar a Deus o mal que converge através das pessoas para nós?

Poderíamos desprezar a vontade que corre desesperadamente para chegar no restaurante para almoçar ou no shopping para comprar uma roupa boa e ter tempo de parar o carro na rua para vestir os que carecem de roupa e dar de comer aos famintos que dormem pelas calçadas todos os dias? Poderíamos conseguir achar tão importante dar água para o pastor no púlpito quanto para as pessoas que andam quilômetros e quilômetros pelas ruas todos os dias? Poderíamos desprezar as nossas falsas definições de crentes, deixarmos de ser “amigos de Jó”, e então ajudar tantos irmãos que no maior dos desesperos sofrem com a depressão? Poderíamos perdoar e desprezar à vontade sem igual de querer engolir o veneno gerado pela falta de perdão? Poderíamos melhor visitar as viúvas e na mesma proporção entender que a mãe que adota sofre tanto quanto a mãe que nos gera? Deus nos despreza por não sermos gerados ou nos adota por sermos humanamente desprezados?

Poderíamos ainda viver os dias que nos restam com a verdadeira Sabedoria e o Amor proporcionais a saudade que temos dos tantos momentos que ontem foram desprezados onde então deixamos de conhecer e estar cada vez mais perto de Deus e das pessoas que amamos? Poderíamos desprezar o medo de deixar de ser sempre como a águia e dividir algumas funções com outros a ponto de deixar Deus atingir mais do que os mesmos vinte por cento de sempre nas igrejas? Poderíamos desprezar as nossas falhas e sentimentos de incapacidade para na Sua perfeição o Senhor nos capacitar e espalharmos a sua palavra na teoria e na prática? Poderíamos então ser uma porcentagem maior e as distâncias entre nossas vontades e as Deus serem sempre mínimas?

Poderíamos ser então pobres de Espírito, chorar Espiritualmente, ser verdadeiramente humildes, ter fome e sede de fazer a vontade de Deus, ser de fato misericordiosos, ter o coração puro, antes de tudo buscar a Paz e desprezar a perseguição por fazer a vontade de Deus?

Podemos, devemos e assim seremos eternamente felizes. Somos de diferentes graus, comportamentos e temperamentos, mas em essência a mesma coisa. Engrandecemos com o EU o desprezível e desprezamos os pontos onde Deus deve ser engrandecido através de nós. Entretanto, somos o sal da terra e a luz do mundo (Mateus 5. 13-14).

Senhor dos Senhores, Deus de infinita Graça e Misericórdia, nada somos e sim TU ÉS, opera, portanto, com teu infinito poder e Sabedoria em nossas vidas, para que através do Espírito Santo o nosso EU possa deixar a cada dia de existir, e então sermos tudo que Tu sonhaste para cada um de nós. Sejam as nossas vontades desprezadas e que possamos convergir somente para as Tuas. Se vivemos pelo Espírito andemos também no Espírito (Gálatas 5.25).

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