Despedindo-se do Pr. Douglas e do seu filho Obede

Jenuan Lira  »  março 2021

Ontem foi um dia triste, hoje não será diferente. Ontem me despedi do meu amigo Pr. Douglas Alves; hoje, estaremos nos despedindo do seu filho Talles Obede. A Igreja Calvário, está sofrendo, mas meu coração e meus pensamentos não se desligam da família de sangue, principalmente da irmã Francelina, que ontem disse adeus ao marido e hoje se despede do filho amado. O que poderia ser pior? Vendo a dor dilacerante que recai sobre a igreja e a família, vem à minha mente o lamento do profeta Jeremias que, com o coração partido por causa da destruição de Jerusalém, disse: “Não vos comove isto, a todos vós que passais pelo caminho? Considerai e vede se há dor igual à minha, que veio sobre mim, com que o Senhor me afligiu no dia do furor da sua ira. ” (Lamentações de Jeremias 1:12).

Quando somos atingidos por ondas de tristeza, que nos arremessadas contra os rochedos da dor, podemos nos identificar com o salmista Asafe que, no Salmo 77, perguntou: “Rejeita o Senhor para sempre? Acaso, não torna a ser propício? Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou a sua promessa para todas as gerações? Esqueceu-se Deus de ser benigno? Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias? ” (Salmos 77:7-9).  Não devemos nem precisamos negar a dor. O Filho de Deus sofreu diante da morte e Ele mesmo antecipou que, no mundo, teríamos aflições. Vivendo neste tempo de tantas perdas, lembremo-nos de que o nosso Deus, que é um bom Pai, entende o nosso sofrimento e não nos recrimina quando compartilhamos com Ele a dor que esmaga nossa alma, apresentando-Lhe perguntas honestas, porém difíceis, cujas respostas Ele decidiu não nos dar no momento presente.

Diante de tudo o que temos visto, vivido e sofrido, muitos ficam amargurados com Deus e perguntam: “Onde está o SENHOR, que não vem em nosso socorro? ” A dor é imensa, e as palavras são poucas. Mas creio que o profeta Jeremias pode nos ajudar novamente. Sem ter como explicar o sofrimento de ver seu povo sendo levado cativo, e a cidade e o Templo de Deus, destruídos, Jeremias declarou: “O Senhor não rejeitará para sempre; pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias; porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens” (Lamentações de Jeremias 3:31-33). Os caminhos do SENHOR são mais altos que os nossos caminhos. Jamais poderemos penetrar nos segredos de Deus, mas isso não significa que estamos sozinhos, entregues à próprias sorte, sempre na iminência de sofrermos tristeza sobre tristeza. De modo algum! Nem sempre temos respostas do Céu, mas sempre temos a presença de Deus. Pois, como disse também Asafe em outro Salmo, “Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória” (Salmos 73:24).

Não servimos a Cristo para nos livrarmos da dor presente. Na verdade, enquanto caminhamos com o SENHOR nesta vida, em certos momentos, à semelhança dos amigos de Daniel, podemos nos achar dentro de uma fornalha de provação sete vezes acessa. Contudo, como nos relata a Escritura, quando os servos de Deus foram lançados na fornalha, os que os observavam notaram que uma pessoa que não havia sido jogada no fogo estava junto com os três servos de Deus. Espantado com o que via, o rei Nabucodonosor, depois de confirmar que tinham realmente lançado três homens atados dentro da fornalha, exclamou: “Eu vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses” (Daniel 3:25). O rei estava certo: o quarto era o Filho de Deus, que veio não para explicar o sofrimento, todavia para estar com os servos do SENHOR em meio à provação.

A nossa dor pela perda do Pr. Douglas e do Obede, seu filho, é real. Porém, a presença consoladora do nosso bom Deus também o é. Firmados na viva esperança que vem de Deus, na certeza da ressurreição, nas maravilhas do Céu e no breve reencontro, enquanto nossos olhos choram, nosso coração se curva em adoração ao Deus eterno, que nos deu Seu Filho que, na cruz, pagou o preço dos nossos pecados, assegurando ao que creem n’Ele eterna salvação. Colocando em Cristo nossa fé, poderemos dizer como Paulo em Romanos 14:8: “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor”

 “Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam. ” (Salmos 63:3)

Texto escrito em 24/02/21.

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