Cuidando em amor

Selma Agnesini  »  junho 2021

Numa tarde quente, em certa praça de Viena, na Áustria, um pobre paralítico sentou-se, como sempre fazia, num dos bancos para pedir esmola. Ele tocava um velho violino. O seu cão, amigo inseparável, segurava na boca uma cesta de vime, para que fossem depositadas as esmolas que entregavam. Naquela tarde, entretanto, as esmolas não vinham. Sem dar a mínima atenção ao aleijado, o público passava apressado e ninguém parecia ouvir os seus acordes e nem se apercebiam da sua presença. De repente ao lado do deficiente postou-se um cavalheiro bem vestido, que o olhou com compaixão. Vendo-o pousar o instrumento, já desanimado, reparando ainda nas lágrimas que rolavam pelas faces, aproximou-se e, colocando uma moeda de prata em sua mão, pediu-lhe licença para tocar no seu violino. Ajustou as cordas, preparou o arco e se pôs a tocar. O público, agora atraído pela linda música, começou a aproximar-se. Logo as moedas foram enchendo a pequena cesta, que pesada, foi colocada no chão pelo cão. O povo não só apreciava a música, mas muito mais admirava o gesto do artista. Este, depois de haver tocado uma melodia que foi cantada pelo público, devolveu o instrumento ao paralítico, agora feliz, e desapareceu sem lhe dar tempo de agradecer. Mas, quem é este homem que toca tão bem? E do meio da multidão, alguém disse: “Esse é Armando Boucher, o célebre violinista que só toca nos grandes concertos, mas, hoje, com esse gesto parece ter colocado a sua arte numa perfeita demonstração de amor ao próximo”. “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça“… (João 15.16a)

Se Deus é amor e essa semente do amor está em nós, o fruto que Ele espera colher é certamente uma vida em amor. Pecadores são transformados por esse amor; as empresas, o governo, a sociedade, serão impactados por esse amor. Vamos levar o evangelho e trabalhar para Deus motivados pelo amor. Todos os nossos atos devem ser feitos em amor.

Se as nossas ações e motivos são fundamentados no amor, nossas petições e nossas atitudes não serão egoístas, interesseiras ou até mesmo indiferentes.  Quantos de nós já não ouvimos um mendigo a saída da padaria, supermercado ou banco pedir uma ajuda e ver as pessoas ou até nós mesmos, mudando o trajeto ou fingindo não ouvir para não ter de mentir dizendo: “Não tenho dinheiro” ou pior “Vai trabalhar”.

Eu, normalmente, não carrego dinheiro na bolsa. Procuro pagar minhas compras com cartão. Um dia ao sair da padaria um senhor me pediu dinheiro para comprar algo pois estava com fome. Não tinha dinheiro. Voltei à padaria comprei um lanche e dei a ele. Aí me lembrei do ocorrido com o amado pastor Gerson Rocha quando vinha a Batatais que deu a um mendigo o dinheiro que ele pedia. Ao ser questionado pelo amigo que o acompanhava que ele provavelmente usaria para comprar drogas ou bebida respondeu: “Aí o problema já não é meu, pois Jesus me disse em Mateus 25.40: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.

Depois desse dia decidi. Sempre que saio de casa procuro levar comigo um folheto ou Evangelho de João e Romanos e dentro uma nota, suficiente para comprar, pelo menos, um pão. É gratificante quando olho pelo retrovisor do carro e vejo o sorriso do mendigo ao abrir o folheto. “Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo”. (João 15.11). Não é possível alguém desfrutar a verdadeira alegria tendo o coração endurecido em relação a alguém pois a alegria é fruto de um coração perdoador e amável. 

Mas como desfrutar de alegria neste momento que vivemos? O medo ou a indiferença de alguns leva-os a pensar em si mesmos e a esquecer que é em meio à tribulação que Deus espera de nós o ato de amar. Marcos 12.30,31 –“Disse Jesus: Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; … e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes”.

Pense nisso.

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