Crescimento cristão na China

Redação JA  »  março 2021

Apesar de diversas restrições ao cristianismo na China, o número de cristãos não para de crescer no país e já é maior do que o número de membros do Partido Comunista, com previsão de chegar a 300 milhões até 2030.

O Partido Comunista Chinês tem 91 milhões de filiados e a missão Portas Abertas, estima que o número de cristãos na China seja de 96,7 milhões, o que representa uma superioridade em relação ao partido, sem contar que muitas igrejas são mantidas no anonimato e, portanto, o número real de cristão pode ser bem maior. Há estimativas que apontam para mais de 22 milhões de cristãos chineses que adoram a Deus em igrejas subterrâneas, fora das vistas do poder e do controle estatal. Nesse caso o número de cristão hoje seria cerca de 118 milhões.

O presente marcado pelo passado

A história do cristianismo na China é antiga, se consideramos desde as primeiras missões no século VII. Mas, para ficarmos apenas com o tempo mais recente, podemos analisar a partir do século XIX. O problema maior aconteceu nesse período, quando a presença de cristãos foi associada ao colonialismo de nações estrangeiras.

Por isso, a Revolução Chinesa, que foi um longo processo, mas que teve como data oficial, o ano de 1949, marcou as transformações que levaram o país a se tornar comunista. Os longos anos de guerra civil nos quais as forças comunistas de Mao Tsé-tung lutaram contra as forças nacionalistas de Chiang Kai-shek, provocou a mudança e o início da República Popular da China.

Como os cristãos, marcantemente os católicos, estavam contra os nacionalistas chineses, foram considerados inimigos da nação. Assim, as mudanças ocorridas no século 20 colocaram os cristãos e outras religiosos em crenças estrangeiras, como forças inimigas e a favor do colonialismo. Por essa razão, principalmente os cristãos e os muçulmanos são vistos como adversários. Xi Jinping, desde que assumiu o poder, procura a nacionalização das religiões, a fim de que não sofram nenhuma interferência externa.

Nacionalização das religiões

O que não pode acontecer em nossa geração, é a repetição do erro dos missionários estrangeiros que evangelizaram a China no período pré-revolução cultural, antes de 1949. Não havia um trabalho sério de formação de lideranças nacionais para darem sequência ao trabalho. Assim, quando os estrangeiros tiveram que deixar a China, não havia líderes preparados para dar sequência ao trabalho, e a tendência foi o enfraquecimento e a diminuição.

O que precisa ser feito hoje, é um preparo intencional da liderança cristã nacional chinesa, pois, em breve, não haverá mais permissão para atuação de religiosos estrangeiros exercendo atividades. Os chineses devem assumir o seu papel na evangelização, discipulado para alcançar os não-alcançados na maior nação do mundo

Parte desta estratégia deve levar em conta, também, a possibilidade de alcançar com o evangelho, os chineses que vivem fora da China. Sob o comando de Xi Jinping, a China está buscando firmar seu papel de liderança no cenário econômico internacional e tem adotado uma política externa mais agressiva através do que se convencionou denominar de Nova Rota da Seda, na qual os chineses estão estabelecendo conexões tanto com países asiáticos como com países do Oriente Médio, da Europa Ocidental, da África e da América Latina. Estão investindo pesado em projetos de desenvolvimento econômico e, como resultado disso, hordas de chineses estão saindo mundo afora.

As missões devem atentar para isso e ver nesses acontecimentos, uma oportunidade estratégica de evangelização. Recentemente eu anotei uma informação divulgada na imprensa mostrando que somente na África, há mais de um milhão de chineses e cerca de dez mil empresas chinesas.

Estratégias missionárias que se aproveitam das condições comerciais e da geopolítica não é nada novo, O próprio pai das missões modernas, Willian Carey (1761-1834), enfatizava isso quando, em 12 de maio de 1792, publicou o ensaio: “Uma Investigação sobre as Obrigações dos Cristãos, para Usar Meios para a Conversão dos Pagãos”. Até hoje, muito do que ele registrou ainda tem validade estratégica.

Sabemos que o tempo da Igreja de Cristo na terra vai se abreviando e devemos usar de todos os meios viáveis e lícitos para alcançar pessoas com a mensagem do Evangelho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *