Complexo de Oleiro

Mário Maracaipe  »   maio 2022

Quando fomos expulsos do Éden Jeová declarou: “Eis que o homem é como um de nós […]” (Gn 3.22). Desde a queda essa maldição habita no coração dos filhos de Adão, levando-nos a crer, mesmo não o admitindo, que somos autónomos, autossuficientes e protagonistas do nosso viver. Assim crendo, assim então vivemos guiados pelo “complexo do oleiro”.

O complexo do oleiro nos leva a extrapolar o senhorio de nós mesmos, no arroubo de pretender ser também deuses e árbitros absolutos das vidas de outrem, seja para o bem, seja para o mal. Criticamos, ofendemos, julgamos e condenamos em público ou em oculto o próximo que julgamos inferior, menos importante ou mesmo desprezível. Pretendemos assim decidir o que é o melhor para o outro, como se deve crer, pensar e agir, segundo nossas próprias medidas, conceitos e valores.

O complexo do oleiro tem nos tornado assustadoras aberrações pessoais, impossíveis de um convívio pacífico, justo e amoroso. Temos sido aberrações como filhos, maridos, esposas, cidadãos, patrões e empregados. Uma humanidade assim está fadada à desgraça e ao inevitável autoextermínio. É justamente neste rumo que o mundo atual está trilhando. Inclusive muitos cristãos.

Graças a Deus, o único e verdadeiro Oleiro, não fomos abandonados a vivermos eternamente sob o complexo do oleiro, sob o maldito desejo e a convicção de que somos deuses. Jesus Cristo, o Oleiro da humanidade, fez-se um vaso tal como nós para ser quebrado em nosso lugar, a fim de nos quebrantar, humilhar e nos recriar como vasos segundo à Sua imagem e semelhança, para que, tal como Jesus Cristo, o Oleiro que se fez vaso, sejamos vasos de honra para Deus e para a benção do próximo.

A Igreja é vaso, assim como cada cristão que a compõe. Não devemos esquecer isso. Devemos, como vasos recriados, decidir imitar Jesus Cristo, vivendo para a glória de Deus, sendo esposas que honram seus maridos, maridos que amam suas esposas, pais que criam e discipulam seus filhos, bons patrões, bons empregados e bons cidadãos que oram pelas autoridades estabelecidas por Deus.

É evidente que o tempo da Igreja está findando. Em breve estaremos diante do Senhor Jesus prestando contas de nossa vida, palavras, ações e intenções. Portanto, enquanto temos tempo, permitamos que Deus, nosso amoroso Oleiro, nos quebrante e nos molde, à sua imagem e semelhança perdidas em Adão, mas redimida em Cristo Jesus. Amém.

Dr. Mário Maracaípe

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