Como temos ensinado?

Genaina Reder  »   julho 2022

Todos sabemos da importância da educação como instrumento de transformação, tanto da sociedade e consequentemente do ser humano individualmente. Deus nos criou à sua imagem e semelhança e nos dotou de inteligência, nos deu a capacidade de aprender e aprendendo interagimos e ensinamos. Mesmo nos tempos mais remotos quando o homem não conhecia a escrita, a ciência ou a tecnologia, sempre houve a preocupação de ensinar e aprender. A educação informal precedeu a formal, a transmissão da história, da cultura e dos valores por meio da oralidade marcou a história humana em todas as civilizações. Ensinar às novas gerações os valores, crenças e cultura das gerações passadas sempre foi preocupação de todos os povos. Os povos indígenas, em particular o povo Yudja, preocupa-se em uma educação desenvolvida pra formar para o trabalho e para o bom comportamento. Os pais aconselham seus filhos à noite, durante conversas antes de dormir, contanto histórias antigas que educam. (2)

Deus sabia certamente da importância do ensino, porque Ele se preocupou em nos ensinar desde o início. Primeiro com Adão no Éden, depois com os patriarcas e ao longo da história do povo de Israel vemos Deus ensinando e orientando. Em Deuteronômio 6:6-7 Deus ensina: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás (grifo da autora) a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te”. Inculcar significa gravar, imprimir (algo) no espírito de alguém; repetir seguidamente (algo) a (alguém).

Uma das responsabilidades da igreja é ensinar. Ensinar a Palavra de Deus. Ensinar sobre Deus. Enquanto ensinamos, aprendemos. Cora Colina (3) afirmou que “feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. Diante desta importante ação da igreja fiquei a meditar o quão pouco nos preocupamos com a área de ensino, com a educação cristã em nossas igrejas. Nosso primeiro e principal “professor” na igreja, o Pastor, se dedica ao ensino da Palavra, mas pensar na organização e estruturação do ensino da igreja requer muita dedicação e cuidado e certamente ele não dará conta de todas as tarefas que tem sob sua responsabilidade sozinho. A educação cristã, o Ministério de ensino nas nossas igrejas deve ser priorizada neste tempo de apostasia, tempo de investida violenta contra as mentes e corações de todos nós, não apenas das crianças, jovens e adolescentes, mas principalmente deles. Estes são presas fáceis por estarem na idade da curiosidade, da experimentação, dos questionamentos, das descobertas. Claro que existem exceções, mas poucas são as igrejas que se preocupam em oferecer um currículo pensando de acordo com as faixas etárias de sua membresia e quando o fazem, o faz com “conteúdos prontos” de revistas e livros que não conhecem a necessidade e a realidade da igreja. Precisamos pensar em ensinar a Palavra de Deus de forma organizada e estrutura, precisamos estar atentos aos movimentos da sociedade, para que lado ela está tentando nos levar, quais são os “modismos” que não podem cativar nossas mentes e corações e propor uma reflexão bíblica. Um exemplo claro disso é o assunto Ideologia de Gênero. Por que não inserir no currículo da EBD o assunto ideologia de gênero à luz da Bíblia? O assunto já entrou no currículo oficial das escolas seculares há muito tempo, as empresas tratam do assunto nos seus treinamentos corporativos com seus trabalhadores, mas a igreja não fala sobre o assunto, não debate biblicamente, não ensina aos seus fiéis a refutar de forma bíblica e firme, porém amorosa, gentil, não violenta, não agressiva, não ofensiva tal ideologia.  Precisamos ensinar a Bíblia e ensinar a “ler o mundo” através da Palavra de Deus. Tarefa fácil? Nem um pouco, mas urgente e necessária! Este texto é apenas provocativo, para refletirmos urgentemente sobre a necessidade de um ensino relevante da Palavra de Deus, tendo como pano de fundo a sociedade em que vivemos. Estamos neste mundo, mas não somos deste mundo. Parafraseando o Apostolo Paulo eu diria: Não devemos nos conformar com este mundo, mas transformá-lo pela renovação do nosso entendimento (Romanos 12.2).

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Autora: Maria Genaina de Almeida Ribeiro Reder. Casada e mãe de um casal de filhos. Professora aposentada. Servindo ao Senhor na liderança do Ministério de ensino da Igreja Batista em Jardim Paulista – Guarulhos/SP.

Fonte: https://mirim.org/pt-br/como-vivem/aprender#:~:text=Os%20pais%20aconselham%20seus%20filhos,falar%2C%20n%C3%B3s%20a%20chamamos%20ali.

Pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, foi uma poetisa e contista brasileira

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