Como os Evangélicos veem os Judeus?

Alexandre Dutra  »  novembro 2020

Entre os evangélicos no Brasil existem duas posições estremadas quando o assunto é a salvação dos judeus. Um grupo diz que os judeus foram rejeitados por Deus, por terem rejeitados a Cristo e que, portanto, não há mais aliança entre Israel e Deus e, por consequência, a Igreja substituiu Israel. Que Deus não tem mais nada com o povo judeu e muito menos com o a nação de Israel. Alguns dizem que o estado judeu é um acidente na história das nações. Negligenciam a exegese de textos como Romanos 9, 10 e 11 e ignoram os judeus que creram em Jesus e o seguiram como seus discípulos.

Por outro lado, há o grupo que diz que os judeus já estão salvos, pelo simples fato de nascerem judeus, independente de crerem no Salvador e Messias, Jesus. De acordo com quem pensa assim, os judeus serão salvos por causa da aliança incondicional de Deus com o patriarca Abraão (se fiam nos capítulos 12, 15 e 17 de Gênesis). Não poucas vezes cometendo o que podemos chamar de israeolatria, mistificando a terra, os objetos e o próprio povo judeu. Desconsiderando textos como “nem todos que são de Israel são verdadeiros israelitas” (Rm 9.6). Scofield fez um importante comentário sobre este texto: “aqui, a distinção que se faz é entre Israel segundo a carne – a mera posteridade de Abraão – e os israelitas que, pela fé, também são filhos espirituais de Abraão”. O texto fala do remanescente, do Israel de Deus (Gl 6.16), ou seja, aqueles que creram no Messias prometido conforme profetizou Isaías: “E acontecerá naquele dia que os restantes de Israel (…) Os restantes se converterão ao Deus forte, sim, os restantes de Jacó. Porque ainda que o teu povo, ó Israel seja como a areia do mar, só um remanescente dele se converterá” (Is 10.20-22).

Quando Deus olha do céu para a terra o que ele vê? Como o Senhor divide a raça humana? Biblicamente falando Deus não faz acepção de pessoas (1 Pe 1.17) e sim uma divisão da raça humana.

Nós mesmos fazemos uma divisão da humanidade. Por exemplo, nós a dividimos geograficamente, temos os continentes: Europeu, Asiático, Africano, Americano (América do Norte, Central e do Sul), e a Oceania; também temos uma divisão econômica do planeta: os países de primeiro mundo e os países emergentes (antigamente chamado de terceiro mundo); e também dividimos o mundo politicamente entre: capitalismo e socialismo.

Mas, e Deus? Deus divide a raça humana em três grupos, como está escrito em 1 Co 10.32: “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos [gentios], nem à igreja de Deus”. Os chamados judeus são os descendentes dos patriarcas Abraão, Isaque e Israel. Os gentios, de uma forma mais ampla e, portanto, menos detalhada, são todos àqueles que não são judeus, ou seja, a grande maioria. E a igreja, então, seria a união de judeus e gentios que creem em Jesus como seu Senhor e Salvador.

Por fim, quando Deus olha para o mundo que ele criou, para o homem feito a sua imagem e semelhança, ele distingue três grupos, judeus, gentios e a igreja, e duas condições espirituais: os que creem nele e os que não creem nele “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. ” (Jo 3.18). Que todos nós possamos experimentar o poder de Deus para sermos feitos filhos de Deus, por crermos em Jesus como nosso Senhor e Salvador (Jo 1.12), o Messias de Israel (Mt 2.1-2), o Juiz das Nações (Is 2.4) e o Senhor da Igreja (Ef 4.4-6).

Por Alexandre Dutra
Pastor Batista, Diretor dos Amigos de Sião,
Mestre em Letras – Estudos Judaicos (USP)

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