Como avaliar biblicamente os modernos pregadores do evangelho

Fabiano Almeida  »   Ponto de Vista | novembro 2021

O advento das novas tecnologias abriu um leque de opções aqueles que há séculos passados seriam chamados de pregadores itinerantes e que em nossos dias são reconhecidos como pregadores virtuais, a respeito dos quais pouco ou nada sabemos quanto a sua vida particular, seu real envolvimento com o evangelho ou mesmo suas sinceras pretensões. Um número cada vez maior de cristãos tem sido “pastoreados” por homens que, além de todo o aparato midiático que os envolvem, nada se tem que possa confirmar sua real identificação com o Senhor Jesus. É bom que entendamos que tal fato não é exclusividade de nosso tempo, e que há séculos passados a igreja primitiva também enfrentou este fenômeno, mesmo que em outra roupagem.

Durante o primeiro século de existência da igreja cristã, no período enquanto as epístolas do Novo Testamento ainda estavam sendo escritas, o aparecimento de pregadores itinerantes do evangelho gerou a necessidade de se estabelecer critérios claros e específicos a fim de evitar que falsos mestres se infiltrassem em meio as igrejas, semeando suas falsas doutrinas. Coube ao apóstolo João, o mais longevo do grupo de apóstolos chamados pelo próprio Senhor Jesus, estabelecer os critérios pelos quais tais pregadores itinerantes seriam avaliados. Esses critérios foram de grande utilidade a igreja primitiva, e continuam sendo ainda hoje a base pela qual aqueles que se apresentam como pregadores do evangelho devem ser avaliados. Faremos bem em dar ouvidos a criteriosa avaliação proposta por João.

A primeira nota deste escrutínio diz respeito a pratica da santidade por parte destes pregadores itinerantes. O critério usado por João é claro e específico “Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade” (1 Jo 1.6). Era necessário que a pregação fosse acompanhada de uma prática de vida condizente com a mensagem do evangelho. Fiel a seu estilo conciso, João estabelece princípios avaliativos que não permitiam brechas a interpretação de suas intenções “Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo. Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” (1 Jo 3.8,9). A santidade de vida era requisito indispensável a aceitação de tais pregadores por parte da igreja.

O segundo quesito proposto pelo apóstolo João dizia respeito a presença da característica permanente da vida cristã, o amor. Mais uma vez o apóstolo é inflexível em seus critérios avaliativos “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte” (1 Jo 3.14). Na visão do apóstolo a pregação que anunciava o amor de Deus em Cristo necessitava ser acompanhada de uma prática de vida onde o amor podia ser claramente observado “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? ” (1 Jo 4.20). Amar ao próximo era também requisito indispensável na avaliação de João.

Finalmente, a questão doutrinária também era item fundamental na avaliação de pregadores itinerantes do evangelho, em especial a doutrina que envolvia a pessoa e obra de Jesus Cristo, “AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus” (1 Jo 4.1,2). Nenhum desvio quanto a pregação das verdades referentes ao Salvador deveria ser tolerada, por isso a confissão pessoal quanto a Jesus era critério essencial em uma avaliação positiva destes pregadores “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus” (1 Jo 4.15). A necessidade de reconhecer a divindade e humanidade sem pecado de Jesus Cristo preservou a igreja primitiva das falsas doutrinas e de suas malignas consequências.

Se tais critérios de avaliação serviram a igreja primitiva de forma eficaz, o mínimo que devemos nós, cristãos do século vinte e um, reconhecer, é que avaliar os todo aquele que se apresente como um pregador do evangelho tendo por base estes pilares da verdade surtirá o mesmo efeito em nosso meio. Que sejamos criteriosos a bem da preservação da igreja de Cristo.

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