Barnabé, era o seu apelido!

Edgar Donato  »  outubro 2020

Algumas vezes queremos uma posição de destaque, esquecemos a importância do trabalho de retaguarda. É muito comum valorizarmos o centro avante do time e esquecer a grandeza do conjunto; afinal, atrás de um grande boxeador, tem um treinador; atrás de um Moisés, tem a dona Joquebede; atrás de um Samuel, tem a dona Ana; atrás de um grande apóstolo Paulo, tem o Barnabé.

Barnabé, eis o Cristão Encorajador, um camarada “pra cima”, Up, pense numa pessoa agradável e você gostaria de tê-la bem perto!  Sempre há Barnabés agindo com muita consideração para com os outros, pessoa chave na comunidade, mesmo no anonimato. Esse cara nos inspira: Todo cristão tem a honra e a responsabilidade de ser bênção na vida dos outros.

Seu nome judeu era José, mas para ressaltar sua personalidade, foi chamado de “Barnabé”, interpretado por Lucas como Filho da exortação (ou consolação).  O termo usado para exortação é Paracletos = “chamado para o lado de”…   Um título que Jesus dá ao Espírito Santo no Evangelho de João. Um elogio e tanto: “O filho do Espírito Santo. ”

Ele investiu na vida de Paulo e o ensinou a investir nos outros. Viu em Marcos, grande potencial e futuro líder (aquele que escreveu o segundo Evangelho).

Era sensível para ouvir e obedecer a voz de Deus. Precisamos de gente assim, acende um fogo, um entusiasmo em nós e nos põe pra cima, assim como Jesus.  Um treinador de discípulos, um head hunter da igreja. Era um homem comum do povo, não um grande pregador, não realizou feitos fenomenais, porém muito relevante para o desenvolvimento do cristianismo.

Ao entrar em cena no início (Atos 4), vendeu sua propriedade espontaneamente e colocou o dinheiro à disposição da Igreja. Logo seria imitado por outros membros. Sua iniciativa era para suprir necessidades, gente assim valoriza o ser humano mais do que a coisa, porque se dispôs a abrir mão da coisa (patrimônio) para doar a alguém que precisava.  A prática da generosidade no início da igreja levou os que tinham mais a repartir com os menos favorecidos.  “Não havia pessoas necessitadas entre eles. ”  A renda era distribuída, à medida que alguém tinha necessidade. Não foi um “comunismo cristão”, uma divisão obrigatória, nem o direito à propriedade foi abolido, as doações eram espontâneas e a distribuição, de acordo com a necessidade.  Se a narrativa fosse atual em algumas comunidades locais, seria assim?  “Da multidão dos que creram, o coração era de pedra, e a postura, era de indiferença… Todos consideravam seus bens exclusivamente para si. Com grande poder ostentavam suas realizações e em todos eles havia um crescente egoísmo. Muitos eram necessitados de amor e de ajuda, os que possuíam casas e apartamentos acumulavam cada vez mais. Os poucos que contribuíam, era para terem seus nomes alardeados na mídia da igreja. ”

Barnabé revelou-se como um engajado discípulo e um esforçado discipulador. Quando Paulo sofreu rejeição da Igreja de Jerusalém por parecer suspeito…  (Antes era perseguidor), quem o acolheu e deu um voto de confiança? Quem o apresentou ao grupo apostólico e correu esse risco? Ele mesmo, Barnabé.

Como podemos acolher alguém como um travesti que começa a frequentar o nosso culto, ou é trazido a um momento de interação num Pequeno Grupo? Como vamos acolher uma garota de programa, um político mal visto, um ex preso em busca de recuperação?

O interesse de Barnabé por Paulo é claro, e mostra que sua visão enxerga valor onde todos negam. É uma visão idêntica à de Jesus, pois viu num nervoso perseguidor de sua igreja um vaso de honra a seu nome.

Quantas pessoas há em nossa comunidade de Fé com grande potencial inexplorado? Como precisamos de visionários cristãos, modelo Barnabé, capazes de tirar pessoas do anonimato e darem oportunidades para trabalharem.

Mais adiante Paulo não queria levar João Marcos para a segunda viagem missionária, mas Barnabé resolveu treinar o garoto.  Estamos dispostos a dar uma segunda chance a quem pisou na bola com a gente, a quem falhou feio?

Muitas vezes damos importância somente aos que realizam grandes obras e esquecemos que a obra de Deus é feita nos bastidores. Aprendemos com nosso personagem a sermos agregadores, a investir intencionalmente nos novos convertidos. Surgirão novos Paulos e João Marcos, como resultado do nosso trabalho.

Quem é visionário transforma anônimos em pessoas influenciadoras.  Você consegue ver a Graça de Deus na vida das pessoas? Você se alegra vendo o avanço do Reino? Você participa? Você contribui, você se envolve? Um homem caloroso e amável. Três qualidades: Bondoso, Cheio do Espírito Santo, e cheio de Fé.

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