As obras da carne e o fruto do Espírito Santo

Pércio Coutinho  »   janeiro 2022

Neste ano que se inicia, certamente, você tem planos de melhoras na sua vida cristã. Você quer ser um crente que ama mais, evangeliza mais, contribua mais e que peque menos. Para isso, Gálatas 5 nos dá um enorme incentivo. O Espírito Santo habita o crente. O fruto Dele em nossas vidas nos capacita para viver essa vida melhor.

Cristo chama o crente para ser livre. A circuncisão seria uma volta à escravidão. Os gálatas não eram devedores a nenhum judeu, pois eram gentios. Nem mesmo precisavam se circuncidar para serem aceitos pelos amigos, como foi o caso de Timóteo que era meio-judeu. A circuncisão, embora, tenha vindo antes da Lei de Moisés foi o selo de obediência de toda a Lei. A circuncisão não era independente da Lei. Aceitando a circuncisão estariam aceitando um andar debaixo da Lei com todas as suas implicações. Se Cristo já cumpriu a Lei, morrendo a morte que a Lei exigia do pecador, por que voltar à escravidão? Este retrocesso é chamado aqui de “cair da graça”. Não se trata de perda da salvação, mas de um desvio da graça do Senhor Jesus para viver com os méritos próprios para agradar a Deus. O que conta no relacionamento com Cristo na vida cristã não é a circuncisão ou a incircuncisão e, sim, o andar pela fé na graça Dele (v.1-6).

Os gálatas não foram sempre legalistas. Quando começaram a ouvir os ensinos falsos se desviaram para confiar em si mesmos e suas próprias obras para agradar a Deus. O crente não tem imunidade contra os falsos ensinos, por isso, deve se manter debaixo da graça por fé, confiando que Cristo que habita em nós pelo Espírito Santo é quem opera a Sua vontade para glorificar a Deus. Não é o que eu tenho que fazer para agradar a Deus, mas aquilo que Ele fará através do crente que deposita sua fé Nele. Paulo afirma que os falsos mestres não ficaram sem a punição de Deus. Eles acusam Paulo de ser um judaizante, mas se isto fosse verdade ele não seria perseguido por eles. Se ele fosse um judaizante não deveriam se escandalizar com a mensagem da cruz. Paulo não é tolerante para com os judaizantes. Ele faz um trocadilho com a prática da circuncisão que é um tipo de mutilação, no versículo 12. O legalismo que é o andar debaixo da lei como forma de tentar agradar a Deus não produz o cerne da Lei que é o amor. Pelo contrário, onde entra o legalismo, a inveja e falta de amor aparecerão entre os irmãos. Parece que os gálatas estavam se devorando através do orgulho e inveja como se lê no último versículo do capítulo (v.7-15).

“Com sarcasmo, Paulo sugere que seus contraditores não se limitem a circuncidar-se, mas sim cheguem ao extremo de mutilar-se. trata-se de uma possível alusão a certos ritos pagãos praticados na Galácia, (p.e., castrar-se) e, possivelmente, refira-se também ao Dt 23.1, onde se exclui do povo de Deus ao que tenha sido assim mutilado.”[1]

Os próximos versículos talvez sejam os mais lidos e estudados desta carta. Há um antagonismo entre a carne e o Espírito. Aquilo que fazemos com nossos próprios esforços e aquilo que o Espírito faz em nós e através de nós por causa da submissão à Sua vontade por fé. A mensagem não pode ser invertida: “Andai pelo [ou no] Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne”. É o Espírito trabalhando em nós e não: “Não cumpram a cobiça da carne e como resultado andarão no Espírito”. Não podemos lutar contra a carne por esforços próprios e mesmo que pudéssemos não seria fé ou graça, mas esforço próprio e salário. A seguir, Paulo alista as 15 obras da carne, ou seja, tudo o que conseguimos produzir com o esforço próprio. Os que praticam as obras da carne não são cidadãos do céu. Se um crente as pratica não significa que perdeu a salvação ou que nunca foi salvo, mas lamentavelmente está andando como um indigente do inferno e não como um cidadão do céu. Por outro lado, o fruto do Espírito, com suas nove virtudes, mostra a unidade e não um estoque de coisas boas para praticarmos. Ou somos controlados pelo Espírito e temos todas as qualidades ou estamos em desobediência. Não se trata de imitar as virtudes do Espírito, mas de obedecê-lo. Podemos chamar este princípio de “Plenitude do Espírito”, conforme Efésios 5.18. A nossa identificação na morte com Cristo tornou possível agradarmos a Deus. Os gálatas, agindo por esforços próprios, estavam mostrando orgulho e inveja e evidentes obras da carne e não o fruto do Espírito (5.16-26).

“Deus está interessado em cada parte de nossas vidas, não só espiritual. Ao viver pelo poder do Espírito Santo, devemos render cada aspecto de nossa vida a Deus: emocional, física, social, intelectual, vocacional. Paulo diz: É salvo, portanto, viva de acordo a esta realidade! O Espírito Santo é a fonte de sua nova vida, de modo que caminhe com Ele. Não permita que nada ou ninguém mais determine seus valores e normas em qualquer área de sua vida.”[2]

Você pode, sim, pecar menos, viver uma vida com Cristo mais plena, não apenas em 2022, mas em toda a sua jornada nesta terra. Deus o abençoe e Feliz 2022.


Pércio Coutinho Pereira.
Professor do Instituto Bíblico Peniel em Jacutinga – MG
Pastor da Igreja Batista Bíblica em Jacutinga – MG
Pessoal: perciocoutinho@gmail.com
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Blog: http://obomministro.blogspot.com/
Podcast: O Bom Ministro e sua doutrina
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[1] Notas da Biblia Reina-Valera (Biblia Hispanica) (1995) – Gl 5.12 (extraído de e-sword version 12.0.1 – 2019)
[2] Comentarios de la Biblia del Diario Vivir – Gl 5.25 – Compilado por Maqui, (a)  Rabí Gamaliel, 1997 EDITORIAL CARIBE – Una división de Thomas Nelson – P.O. Box 14100 (extraído de e-sword version 12.0.1 – 2019)

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