As igrejas pós-pandemia: inovação ou adaptação?

Carlos Moraes  »  fevereiro 2021

Colhidos de surpresa pela pandemia, a maioria das nossas igrejas e pastores tiveram que improvisar adaptando-se para realizar cultos online e atendimento à distância em alguns casos. Poucas igrejas estavam realizando transmissões de cultos ao vivo, ou mesmo mantendo as mensagens em gravação de vídeo ou áudio, antes da pandemia. Essas poucas, aproveitaram para inovar.

De início, aquelas que não estavam habituadas ao mundo virtual, tiveram que improvisar para atender a uma demanda inesperada. Ministérios centrados apenas nas instalações físicas tiveram que ser adaptados para o formato à distância e, algumas mudanças que poderiam chegar em uma década, foram forjadas em semanas. Essa adaptação não foi local e nem apenas nacional. Foi um fenômeno global.                              

Em conversas informais com diversos pastores, a maioria diz que o trabalho pastoral se intensificou desde o início da pandemia, e o ministério tornou-se, mais do que em qualquer outra época, um trabalho diário intenso em 2020. Aquelas igrejas que concentravam seus trabalhos mais nos finais de semana, foram as que mais sofreram com a correria devido à necessidade das adaptações digitais.

O fato é que o mundo no qual estamos adentrando a partir de agora, será uma mescla de organizações físicas e digitais. Os profissionais que atuam na área de tecnologia digital atestam isso. A igreja, além de ser o Corpo de Cristo, organismo vivo, também é uma organização sujeita às necessárias adaptações tecnológicas. Tradicionalmente as nossas igrejas não são da vanguarda. Quase sempre avançamos na retaguarda em relação às mudanças e, quanto mais conservadores somos, mais lentos seremos nas inovações.

O foco dos ministérios, tanto pastorais, quanto missionários sofrerão um choque nunca antes experimentado, pois as mudanças de uma geração para a outra eram lentas e havia espaço para a morosidade que agora não será mais permitida.

Se atentarmos para o que temos aprendido e ensinado na igreja, nos seminários, e na formação de líderes, em geral, a tônica tem sido que devemos ensinar a fazer e não apenas fazer pelo outro. Em outras palavras, para usar uma expressão contemporânea, o líder deve ser um facilitador. Pois é isso que será, de fato, a partir de agora, a principal função pastoral. Evangelismo, discipulado, aconselhamento e ensino serão mais pessoais e personalizados, apesar de parecer o contrário devido ao distanciamento.

Talvez não tenha havido outra época na qual o verbo conectar tenha sido tão usado como atualmente. A idéia de conexão desde o surgimento da internet, tem sido necessária e, por isso, muito mais utilizada. Se atentarmos para os sinônimos de conectar, veremos a riqueza deste verbo. Conectar é ligar, unir, juntar, interligar, acoplar, prender, fixar, atar, amarrar, ligar, agregar, vincular, ajuntar, relacionar, associar, concatenar, correlacionar, comparar, articular. Contou? Dezenove! Se estudar cada um deles, perceberá que todos estão relacionados ao que fazemos como igreja. Então, só nos resta conectar-nos, pois essa é, em síntese, a missão da Igreja de Cristo.

Sim, eu sou como a maioria dos que estarão lendo este texto. Não sou adepto do mundo digital. Gosto de papel, de presença física, de comer junto, de tocar e abraçar. Mas também percebo que a geração que me sucede é diferente. A transição da minha geração para a próxima foi a mais difícil, pois a nova superou e velha de maneira inusitada. Sabemos, pelas profecias, que, quando a multiplicação da ciência possibilitasse o que estamos vivendo agora, seria um dos alertas do final dos tempos.

Me sinto um tanto atrapalhado com os mais jovens, mas entendo, em parte, o que está acontecendo, pois aprendi que o conteúdo e a missão da Igreja nunca mudam, mas se nossos métodos não mudarem, perderemos uma geração. Portanto, não pretendo alinhar-me com os que se opõem às mudanças, nem estar entre os que tentam ignorar a realidade. Ainda que relutante, quero adaptar-me, o melhor possível, para continuar servindo à minha geração.

“Porque Davi, depois de servir a sua própria geração pela vontade de Deus, adormeceu, foi sepultado com os seus antepassados, e seu corpo se decompôs” – Atos 13.36

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