As glórias da criação de Deus

Pércio Coutinho  »   maio 2022

(Salmo 104) – parte 1

1.Este Salmo é lindo! Provavelmente foi escrito por Davi. As palavras são poéticas como os demais salmos, porém, a maneira como a natureza é exaltada deixaria qualquer militante do “Green Peace” boquiaberto, mas infelizmente os incrédulos evolucionistas e panteístas estão longe de reconhecer a majestade de Deus sobre a criação. Nós que cremos que Deus formou a terra e que também sustenta, exaltamos o Deus da criação e exaltamos a criação somente no sentido de que ela é linda e foi feita por Deus. A criação nada seria sem Deus, mas Deus sempre viveu antes da criação. A criação de Deus é cheia de glória e majestade

2.O crente adora a Deus porque Ele é muito grande e magnífico. A roupa de Deus é a Sua glória e majestade. A Sua criação é o adorno de Deus para os homens. A criação é o embelezamento de Deus (v.1).

3.As vestes de Deus é a luz do universo. Quando Ele disse “Haja luz” é como se Ele estivesse mostrando as Suas vestes para que o mundo pela primeira vez visse. Os céus são uma enorme cortina desvendada para nós. Para onde quer que olhemos vemos essa linda cortina, no alto e no horizonte. Não haveria pano suficiente para imitar essa cortina que é o céu. O homem até chamou o universo de infinito. Para nós que estamos na superfície da terra é uma cortina azul porque a luz azul é a que mais dispersa na atmosfera. A luz do sol é branca, porém, ao entrar em contato com a atmosfera, por causa dos gases, principalmente oxigênio e nitrogênio, forma um prisma com sete cores e a azul vence (v.2).

4.As vigas das moradas de Deus são as nuvens carregadas de água. É o vapor que se acumula formando cristais de gelo. A temperatura a dez quilômetros acima da terra é de 60o graus negativos. As nuvens mais baixas são vapores e voam formando as figuras que tanto as crianças e adultos gostam de observar. É como se Deus passeasse voando nessas nuvens (v.3).

5.Os anjos também são a glória da criação de Deus. São como ventos, podendo se locomover rapidamente e são como o fogo levando juízo onde Deus mandar (v.4).

6.O salmista declara a glória da terra como parte da criação de Deus. Os alicerces da terra que a mantém em seu eixo é a força gravitacional. Ela não cai no espaço infinito porque o Senhor Jesus Cristo a sustém com o poder de Sua Palavra (v.5, ver Hb 1.3,10).

“Embora possa ser sacudida por terremotos, ela não é removida, nem será até a consumação de todas as coisas, quando esta fugirá diante da face do Juiz e uma nova terra sucederá (Ap 20.11, 21.1)”[1]

7.Na criação Deus fez a separação das águas. As águas do abismo e as águas da superfície. O quadro é muito bonito. É como alguém dispondo de uma roupa de uma gaveta e colocando por cima da cama. Assim Deus fez no dilúvio, arrancou águas do abismo e lançou por sobre toda a terra. Deus aconteceu no dilúvio também. Até as montanhas mais altas foram cobertas. Alguns preferem ver aqui uma primeira criação, vindo depois disto a destruição da terra e uma nova criação. Esta maneira de ver chama-se Teoria do Salto, que supostamente seria o intervalo entre Gênesis 1.1 e 1.2. O escritor deste material não defende a ideia da Teoria do Salto (v.6-7).

8.Deus fez os vales a partir da separação das águas. Alguns defendem que a terra deveria ser plana e no dilúvio surgiram os montes com a violência das águas. Isto pode ter acontecido na criação também (v.8).

9.Tudo indica que os versículos anteriores tratavam do dilúvio, pois este versículo claramente mostra que um dia a terra ficou cheia de água e que Deus pôs limites para que as águas não cubram a terra. Esta é uma lei segura, porém, existe a maremoto que tem causado grandes estragos. Elas começam em algum ponto do mar e vem com violentas ondas ultrapassando o limite das praias e invadindo cidades. O pecado trouxe uma desordem na natureza, mas em situações normais as águas obedecem aos seus limites impostos pelo criador (v.9).

10.Deus enviou águas pelos vales, ou melhor, pelos cortes da terra, formando os rios. Essas águas vêm dos mares e vem das montanhas. Essas águas saciam outras glórias da criação de Deus que são os animais e as plantas. Quem nunca viu programas de TV que mostram imagens da África com aquelas manadas sem fim em busca das águas dos rios? (v.10-11).

11.Algumas espécies de aves até vivem nas águas praticamente. Como os flamingos, os pelicanos e as garças. Dali tiram o seu principal sustento, os peixes. Das ramagens que crescem à beira dos rios outras aves vivem, como os marrecos e pássaros (v.12).

12.As nuvens do céu regam a terra com chuva. Nem sempre foi assim. Do início da criação até o dilúvio a terra era regada através do orvalho. A terra se farta das obras de Deus, ou seja, das árvores e plantas em geral (v.13, ver Gn 2.5-6).

13.A glória dos animais depende da glória das plantas. Deus faz crescer a grama para sustentar os animais e as faz crescer as plantas para que o homem trabalhe a terra e daí retire o sustento. A agricultura é parte essencial da história da humanidade de todas as épocas. O mundo não vive sem a agricultura (v.14).

14.A terra produz alguns dos alimentos que o homem desfruta desde os tempos mais antigos. A uva, a azeitona e todos os tipos de alimentos (v.15).

15.As plantas são gloriosas, mas algumas são mais exuberantes. O cedro é uma árvore enorme. O Líbano ficou conhecido como o lugar dos cedros. É o desenho central da bandeira dessa nação, um cedro viçoso (v.16).

16.As aves que são também a glória da criação de Deus fazem ninhos em árvores. As cegonhas, aves bem extravagantes e lendárias, se aninham nos ciprestes. A palavra hebraica para “faia” ou “cipreste” é “berosh” que significa “pinheiro”. Sabemos que o cipreste é um tipo de pinheiro. Em países como a Áustria, as cegonhas se aninham nos telhados das casas (v.17).

17.Outros exemplos de animais que são a glória da criação de Deus são as cabras das montanhas e os arganazes, às vezes, traduzido como coelhos. A palavra hebraica é “shafan” que é um tipo de coelho das rochas. O roedor que chega mais perto da descrição é o hirax da Ásia. Esses dois animais vivem nos penhascos, isolados de tudo, seguros e misteriosos (v.18).

Na segunda parte, continuaremos a exaltar as glórias de Deus em Sua criação.

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Pércio Coutinho Pereira. Professor do Instituto Bíblico Peniel em Jacutinga – MG

Pastor da Igreja Batista Bíblica em Jacutinga – MG

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[1] John Gill’s Exposition of the Entire Bible, Sl 104.5 (John Gill 1690-1771 – extraído de e-sword version 11.0.6 – 2016)

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