Ansiedade

Fabiano Almeida  »   Ponto de Vista | dezembro 2021

“Não vos inquieteis, pois, pelo dia e amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia seu mal”
Mateus 6.34

A leitura da porção final do sexto capítulo do evangelho de Mateus desperta a impressão em seus leitores de que seu último verso se encontra como fora de lugar, como algo um tanto desconexo do assunto que o Mestre até ali tratou, a inquietação resultante das preocupações provadas em nossa vida. Aparentemente o verso 33 seria o desfecho perfeito para este ensino magnífico, porém o Senhor tem algo mais a nos dizer, e Ele faz isso porque conhece a cada um de nós e a nossas fraquezas, assim como a tendência humana de sacrificar o hoje devido as inúteis preocupações com o dia de amanhã. São essas preocupações que prejudicam nossa devoção a Deus e o cuidado devido com nossa família e igreja. Faremos bem, pois em refletir quanto a esta verdade.

Antes de tudo, é necessário que saibamos a diferença entre pensar no amanhã e se preocupar com o amanhã. Quando falamos em pensar no amanhã, o que é absolutamente bom e sábio, falamos sobre tomar ações hoje que servirão para nosso bem-estar no futuro, sem prejuízo de nossas responsabilidades presentes. Ações como: manter uma poupança financeira, ter um seguro de vida, planejar sua aposentadoria. Estamos nos preparando para o amanhã sem prejudicar o hoje, de forma que, quer vivamos ou não o amanhã, isso não trará nenhum prejuízo, como bem nos ensina o pregado ao dizer “Lança teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás” (Eclesiastes 11.1). Porém o viver em ansiedade pelo amanhã é preocupar-se a tal ponto de prejudicar nossa vida presente, trazendo dúvida e angústia sobre um futuro que não sabemos se viveremos. Note que mesmo em coisas lícitas podemos pecar por inquietação. Você pode fazer uma poupança, um seguro de vida ou planejar sua aposentadoria e viver preocupado se isso será suficiente ou não. Assim também estaremos pecando. O que a palavra de Deus nos ensina quanto a esta questão é que devemos tomar todas as ações necessárias e que estão ao nosso alcance no que diz respeito ao amanhã, cumprindo todo o nosso dever sem prejuízo a nossa devoção ao Senhor hoje, e então deixe a questão nas mãos do Senhor, confiados na verdade exposta pelo salmista “Fui moço. E agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão” (Salmos 37.25).

Um dos maiores males advindos da ansiedade é que a preocupação com o amanhã nos rouba as bênçãos de hoje, tornando o hoje como algo sem importância, uma vez que todas nossas energias são dirigidas para o amanhã. Para muitas pessoas o dia de hoje parece algo sem importância, sem objetivo, tudo é dirigido para o amanhã.

A ansiedade em relação ao amanhã nos causa prejuízos eternos uma vez que nos torna insensíveis para o fato que Deus deseja nos usar hoje, assim como nos torna incapazes de aprender o que Deus deseja nos ensinar hoje, impedindo que o glorifiquemos hoje, uma vez que nossos planos e pensamentos se baseiam no amanhã. Infelizmente a ansiedade nos causa perdas que jamais poderão ser recuperadas, uma vez que a preocupação com o amanhã nos faz perder as oportunidades de interagir, conversar, aprender e amar nosso cônjuge e filhos hoje, o que deixamos de fazer uma vez que nossa mente está focada no amanhã. A preocupação com o amanhã também nos faz perder as oportunidades de comunhão, de fortalecimento mútuo, e uso de nossos dons entre nossos irmãos em Cristo, desperdiçando assim as oportunidades de abençoar e de sermos abençoados hoje. A preocupação com o amanhã também nos faz desprezar pessoas sem Cristo, as quais possivelmente nunca mais encontraremos. Não temos tempo, estamos tão preocupados com o amanhã, que o fato de possivelmente aquela pessoa ser amanhã condenada ao inferno não nos toca.

O que então Mateus 6.34 deseja nos ensinar quanto a ansiedade? 
Que devemos aprender a viver o hoje, com suas aflições e suas bênçãos.
Se estamos convencidos que esta é a vontade de Deus para nossa vida não nos permitiremos inquietar por circunstâncias que não podemos prever, como enfermidades e catástrofes de toda ordem, que poderão ou não ocorrer e que dependem da permissão de Deus em primeiro lugar, vivendo cada dia como uma unidade, com seus problemas e bênçãos únicos.

Da mesma forma, aprenda a vivenciar suas lutas e prove os livramentos de cada dia, pois essas coisas sempre andarão juntas, como bem exorta o apóstolo Paulo ao escrever aos coríntios “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” (1 Coríntios 10.13).

Finalmente, aprenda a andar e confiar em Deus dia após dia, um dia de cada vez, confiando em suas preciosas promessas, como a que encontramos na epístola aos filipenses “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo” (Filipenses 1.6). Nosso Deus já planejou a seus filhos um amanhã que se concretizará, independente de nossa inútil inquietação.

Uma resposta para “Ansiedade”

  1. Leilinéia Pereira Ramos de Rezende Garcia disse:

    Glória a Deus! Que benção. Obrigada pela palavra

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