Abraão, pai segundo o coração de Deus

Genaina Reder  »   janeiro 2022

Deus nos deixou sua Palavra, a Bíblia, como guia para nosso viver. Ele fez questão de deixar registrado relatos e experiências positivas e negativas da vida de homens e mulheres que foram usados para nos transmitir seus ensinamentos. Homens e mulheres comuns como você eu. Olhando para a vida desses homens e mulheres, muito me chama a atenção o exemplo de pai que foi Abraão.

Vivemos na era da filholatria. Os filhos são o centro das relações familiares, dos casamentos, da vida conjugal. Eles ditam as normas de funcionamento da casa, eles decidem o que e quando comer, a hora de dormir e de acordar, a próxima viagem de férias da família. Os pais vivem para satisfazerem todas as vontades dos filhos. O principal objetivo dos pais é que o filho esteja satisfeito, feliz. 

Abraão mais do que ninguém tinha motivos para argumentar com Deus quando este lhe pediu seu único filho em sacrifício. Afinal, vemos que foi Deus que se manifestou a Abraão. Deus o fez sair da sua terra e de sua parentela. Deus lhe prometeu filhos e uma descendência numerosa. Não vemos Abraão orando para ser pai. Após receber a promessa da paternidade ele confiou em Deus. Esperou por mais de vinte anos que a promessa fosse cumprida e agora Deus lhe pede que lhe ofereça em sacrifício seu único filho. Abraão poderia ter argumentado com Deus: – Senhor, eu não lhe pedi filhos! Este é o filho da promessa! O Senhor que me prometeu! Eu já estou muito velho! Não Senhor, eu não posso lhe obedecer nisso! Me peça qualquer outra coisa, menos isso!  Mas não é isso que a Bíblia relata. Acredito que enquanto caminhava para cumprir o mandado de Deus, Abraão se sentia um pai arrasado, destruído emocionalmente, temeroso do que precisava fazer, mas Abraão decidiu obedecer a Deus. Colocou seus sentimentos, desejos e emoções em segundo plano.

Hoje sofremos, choramos e reclamamos diante de Deus por muito menos. Não queremos nem pensar em ver nossos filhos passarem por dores ou lutas. Não estamos dispostos a oferecer nossos filhos em sacrifício ao Senhor. Dizemos que os “consagramos” a Deus quando eles nascem, mas no fundo queremos que eles sejam só nosso. Queremos que eles cumpram nossos planos, que sejam bem-sucedidos segundo nossa perspectivava. Será que seriamos capazes de agir como Abraão? Se Deus chamar nossos filhos para o ministério, para o campo missionário ou estabelecer planos diferentes dos nossos para eles, ou mesmo os tomar para si por meio da morte, será que ainda assim vamos permanecer fiéis? Temos colocado Deus em primeiro lugar em nossas vidas ou nossos filhos têm tomado o lugar de Deus? Deus é suficiente para manter minha paz e minha alegria (e alegria aqui não tem a conotação de felicidade, mas de contentamento) ou sem meus filhos eu não sou nada, a minha vida não tem sentido? Que Deus nos ajude a sermos pais como Abraão, que decidiu obedecer a Deus, mesmo sabendo que isso implicaria em “perder” seu filho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *