A suprema abnegação de Jesus e a necessária abnegação cristã

Mário Maracaipe  »   novembro 2021

Jesus proferiu um incomum elogio a João o batista ao afirmar que não havia nascido profeta maior que ele. Contudo, após o sublime louvor, Jesus revelou que o menor no seu Reino seria superior ao “incomparável” João. Concluindo a pregação, Jesus asseverou sua própria humildade e mansidão de coração, demonstrando dessa forma que ele seria tanto o maior quanto o menor no seu Reino. Adiante, Jesus convocou seus discípulos a imitá-lo em sua auto renúncia, dedicando suas vidas a ele, aceitando assim a incomparável e necessária cruz da abnegação cristã (Dt 34.10,11; Mt 11.11,12; 16.24).

Na sua carta aos filipenses Paulo contrapõe a divindade de Jesus ao seu abnegado sacrifício em favor do pecador como um exemplo de renúncia e dedicação pessoais em prol de outrem porquanto a abnegação cristã resulta no bem-estar do seu próximo. Paulo cita exemplos de abnegação cristã como o de Epafrodito que quase morreu na incansável missão de entregar a oferta da igreja ao apóstolo. Timóteo também é lembrado por Paulo como um ministro ímpar na busca do bem-estar das ovelhas de Jesus. Por fim, Paulo descreve-se como exemplar na busca da salvação dos pecadores que o rodeiam, onde quer que esteja, independentemente dos prejuízos ou mal-estar pessoal (Fp 1.27-30; 2.5-11,17-30; 3.7-17).

Por outro lado, o Novo Testamento nos dá exemplos de pessoas que, na busca do bem-estar pessoal, provocam prejuízos tanto a si próprios quanto aos que as rodeiam. Pessoas como Judas que, na busca de interesses egoístas, corrompem-se até à perdição eterna, assim como os falsos irmãos citados por Paulo, os quais, almejando a glória pessoal, fazem-se inimigos da cruz abnegadora de Cristo, conduzindo a si próprios e outros à perdição eterna. Evódia e Síntique, são citadas como exemplos de cristãos que, por abandonarem a abnegação, provocam contenda no Reino e Igreja de Jesus Cristo (Fp 3.2,3,18-4.6).

A carta de Jesus à Laodiceia descreve profeticamente a igreja do presente como uma congregação de cristãos que se consideram grandes, prósperos e autossuficientes. A carta descreve o abnegado Jesus tanto próximo, à porta, quanto separado, do lado de fora, chamando cristãos egoístas ao arrependimento, porquanto ele não comunga nem suporta cristãos que não atendam ao chamado de levarem a sua cruz da abnegação. Assim como a abnegação de Jesus foi necessária à nossa salvação, a abnegação do cristão é necessária como evidência irrefutável de sua união regeneradora com seu Salvador, pois onde não há abnegação, Jesus não está.

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