A Europa pós-cristã e o declínio cristão nos EUA

Redação JA  »   janeiro 2022

Aonde a Igreja está crescendo?

A Europa ocidental vive a era pós cristã e os Estados Unidos da América do Norte enfrentam o maior declínio da fé cristã de todos os tempos. Os cristãos caíram em 25% nos EUA, e a situação só não está pior, porque a secularização tem sido compensada por imigrantes que chegam ao país, em sua maioria latino-americanos e asiáticos.

A membresia das igrejas denominacionais despencam. Antes da pandemia, em 2019, pesquisas mostravam que cerca de 150 congregações eram fechadas por semana nos EUA, e a projeção é que esse número pode dobrar ou ainda triplicar no pós-pandemia.

Sobre os dados de 2019, pesquisas revelam que mais igrejas foram fechadas do que abertas, nos EUA, dando sequência a uma queda de décadas que só tende a acelerar. Os dados abrangem 34 denominações que representam cerca de 60% das igrejas nos Estados Unidos. Outro relatório mostrou que na década de 2010 a 2020, foram fechadas 3850 igrejas por ano no país.

Segundo os pesquisadores, a maior razão para o fechamento de igrejas nos EUA é o declínio do número de membros, pois menos da metade (47%) dos americanos dizem pertencer a uma igreja qualquer. Assim, diminuindo a membresia, caem as entradas de dízimos e ofertas dificultando a manutenção dos prédios que são de alto custo.

O pesquisador de religião David Kinnaman calcula que 38% dos cidadãos estadunidenses estão entre os sem-igreja, os céticos e os sem afiliação religiosa. O pesquisador Ed Stetzer, presidente da LifeWay Research, diz que há os “cristãos nominais”, ou “cristãos de estatísticas”, pessoas que não querem cortar os laços com os pais e se identificam como “cristãos”, mas na prática não são.

Pode-se dizer que a primeira geração pós-cristã dos EUA é a Geração Z (pessoas nascidas entre 1999-2015) que apresenta o menor engajamento religioso desde os primórdios da nação. Do total, 35% não estão afiliados a nenhuma crença organizada e, entre eles, o número de ateus corresponde a 13%, o dobro de percentual da população adulta do país. Portanto, não vai levar muito tempo até que a população dos EUA seja tão pós-cristã quanto a Europa.

Aonde a Igreja está crescendo?

As igrejas cristãs estão crescendo na América Latina, África e Ásia. Na América Latina já crescia no final do século 20, mas o século 21 começou com maior crescimento do cristianismo também na África e na Ásia. Em 2018, a África tornou-se o continente com o maior número de cristãos, superando a América Latina (que havia superado a Europa em 2014). É um marco para o cristianismo africano, que dá origem a vários questionamentos importantes relacionados aos deslocamentos históricos do cristianismo.

Nessas regiões, há maior flexibilidade cultural para mudanças e adaptações ao cristianismo, sem as exigências ocorridas na Europa e nos EUA, cujas estruturas denominacionais tradicionais sempre foram engessadas. Na América latina, África e Ásia, a flexibilidade cultural ajuda a mudar as práticas das denominações históricas. Quando uma denominação endurece, acaba perdendo membros para igrejas independentes, desconectadas de qualquer tipo de estrutura tradicional e cultural herdadas de missionários estrangeiros que não conseguiam separar o normativo bíblico do cultural. No caso de países asiáticos, devido às restrições impostas, há o crescimento de comunidades clandestinas (sem registro).

Nos últimos 120 anos, tem havido um deslocamento do cristianismo e os dados estatísticos apontam para uma estabilidade percentual de cristãos. Em 1900, o cristianismo correspondia a 34,5% da população mundial; em 2020, o número era de 32,3%. Portanto, há um equilíbrio no total, e um deslocamento de crescimento, como sempre houve, de época em época, na história da Igreja. Em 1900, 82% de todos os cristãos viviam na Europa e na América do Norte; em 2020, esse número caiu drasticamente para 33%. Nos últimos 120 anos a África aumentou em 49% o número de Cristãos e a Europa reduziu em 76%.

O encolhimento do cristianismo na Europa e nos EUA e seu crescimento na América Latina, África e Ásia, demonstram características essenciais que definem o cristianismo mundial deste século 21. A língua com mais falantes cristãos é o espanhol (cristãos da América Latina, não da Espanha), seguido por inglês, português (cristãos do Brasil, não de Portugal), russo (cristãos ortodoxos) e chinês mandarim.

O número total de cristãos atualmente é de 2,5 bilhões, cerca de um terço das pessoas do planeta. Há cristãos presentes em todos os países do mundo, uma assembleia diversa que representa milhares de povos e línguas e nações, com cerca de 45 mil denominações que, a seu modo, seguem a Jesus. Não há unidade doutrinária, mas tem que haver unidade da fé de todos os que foram lavados no sangue do Cordeiro, pois estarão para sempre em uma unidade na presença de Deus. Maranata!


Fontes de consulta:
1. Center for Analytics, afiliado à United Church of Christ;
2. LifeWay Research;
3. Religion News Service;
4. World Christian Encyclopedia (3ª Ed);
5. Barna Group;
6. Gallup

3 respostas para “A Europa pós-cristã e o declínio cristão nos EUA”

  1. jose santaella disse:

    Es verdaderamente interesante lo que presenta este detallado informe sobre el desarrollo de la iglesia mundial en el último siglo. Soy de Venezuela y aquí, a pesar de las difíciles condiciones, la iglesia está en constante crecimiento, el cristianismo “nominal” y “práctico” es cada vez más evidente en la sociedad, ésto claro, hablando en términos muy generales. Un grupo del “cristianismo” que ha perdido gran influencia al menos en mi región es el de los “testigos de Jehová”, quienes desde el inicio de la pandemia cesaron sus visitas de casa en casa, e incluso he oído a personas inconversas preguntarse por ellos; por lo demás las denominaciones de más rápido crecimiento son las pentecostales, que han llegado incluso a tener espacios en la TV regional y nacional e incluso en el círculo presidencial.
    Gracias a Dios porque Él está al control de todo. Sus maravillosa obra está marchando a la perfección y el día de nuestra redención está cada vez más cerca. Gracias por el artículo.

  2. João Pedro disse:

    Dados de grande relevância pra que observemos os “descaminhos” que alguns países tem tomado afim de que possamos melhorar cada vez mais segundo a graça de Deus.

  3. Pércio Coutinho disse:

    Assunto bem difícil, pois ao mesmo tempo que fatos e estatísticas foram apresentados, sabemos, pela Palavra, que a Igreja (com letra maiúscula) jamais morrerá e nem diminuirá. Porém, é um Corpo invisível, portanto, não é possível mensurá-lo ou quantificá-lo. Jesus disse em Lucas 18.8: “… Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” Um esfriamento, secularismo e afastamento de Deus são previsíveis e não estranhos ao leitor da Bíblia.

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