A disciplina que levanta o desanimado

Pércio Coutinho  »   julho 2022

Oração do profeta Habacuque sobre Sigionote. Ouvi, Senhor, a tua palavra, e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia.
Habacuque 3:1,2

1. Habacuque começou o livro orando, ficou esperando e termina o livro orando. A primeira vez que orou estava perplexo e questionador e a segunda vez, depois de esperar e receber a resposta, orou glorificando a Deus pelo Seu caráter e Seu poder em toda situação adversa. Jó também teve essa experiência de orar questionando e depois reconhecer a soberania de Deus. O crente deve começar suas lutas em oração, passar as lutas esperando e glorificar a Deus no final. A oração faz parte do culto público e do relacionamento individual do crente para com Deus. Todo o crente deve orar em todas as situações da vida.

2. Habacuque não apenas orava, mas também cantava. Neste caso a oração era um cântico. Habacuque compôs este cântico e passou para o regente, o mestre de canto, com as instruções de como era para ser cantado e tocado, ou seja, com instrumentos de cordas. Em outra versão da Bíblia aparece o termo original “Sigionote”, que também é usado no título do Salmo 7. Não se sabe ao certo o que significa este termo, somente que se refere à música. Talvez, o andamento da música ou até mesmo algum instrumento musical. O culto a Deus sem música é incompleto, assim como o culto sem oração e sem pregação. Através da música expressamos nossos sentimentos a Deus. Nossa alegria, aflição, reconhecimento de sua majestade, bondade, soberania, etc. A música deveria inspirar calma, tranquilidade, alegria, reflexão e até mesmo a tristeza pelos nossos pecados. Todo sentimento de ódio, rebelião, desrespeito, e outros que estão contra a vontade de Deus deveriam ser evitados na música, pois como todos sabem a música não é neutra, mas é ativa sobre nossos sentimentos e até ações. A liberdade de expressão deveria ser respeitada, mas também deveria existir a liberdade de ouvir. Portanto, a música deve fazer parte de nossa adoração a Deus (v.1 e 19).

3. A oração de Habacuque é clara e cheia de sentimento. Assim deveria ser a oração do crente atual e mais importante: que seja individual, também e não só em público. Habacuque estava alarmado porque pensava que Deus não estava fazendo nada, mas ao ouvir as declarações do capítulo 2 mudou de opinião. Deus está agindo em todas as situações e ficaremos alarmados se orarmos e esperarmos na torre de vigia. Ele faz grandes coisas somente por aqueles que perseveram em oração. A atitude de Habacuque mudou quando ele parou de olhar só para a sua nação e para os caldeus e começou a olhar Deus em primeiro lugar. Os problemas imediatos não são a prioridade e sim o conhecimento de Deus nas situações. Quando discutimos com Deus sobre os instrumentos que Ele usa para nos corrigir, começamos a machucar as pessoas, tentando achar alguma justificativa, acusando-as de serem injustas. Devíamos ficar mais alarmados. Se a Igreja está passando por heresias e falta de amor a culpa não é apenas de Satanás e dos hereges, mas de nós mesmos. A nossa frieza e descaso para com a obra de Deus nos deixaram neste estado. Não importa que os caldeus são piores, importa que Judá, o povo de Deus desobedeceu. Olhamos para alguém pior do que nós e ficamos aliviados, quando deveríamos olhar para nós mesmos e ficar alarmados com a nossa falta de obediência ao evangelho verdadeiro. Porque existe alguém pior do eu, isto não me faz estar certo. Só importa a santidade de Deus. A oração de Habacuque é uma responsabilidade da Igreja atual. “Aviva a tua obra, ó Senhor”. O avivamento é a operação de Deus sobre um povo frio e sem vida. Ninguém promove avivamento, só o Espírito Santo. Não existem reuniões de avivamento, pois este não pode ser programado. “No decorrer dos anos e no decurso dos anos” significa que Habacuque pedia que durante o cativeiro do povo, a desobediência fosse sarada e a obra de Deus avivada. Habacuque não mais discute sobre a perversidade dos caldeus, mas ora que durante a ira de Deus, Ele se lembre também da misericórdia (v.2).

O crente deve perguntar a Deus:
Mereço a repreensão do Senhor?
Estou sendo aquilo que deveria ser?
Portanto, devemos parar de pensar nos defeitos dos outros e ficarmos alarmados conosco mesmos. Que o Senhor nos corrija, mas enquanto isto peçamos a Ele que a Sua obra seja avivada para que não nos tornemos inúteis durante e após a disciplina do Senhor. Que na disciplina do Senhor, recebamos também a sua misericórdia (v.2).


Pércio Coutinho Pereira. Professor do Instituto Bíblico Peniel em Jacutinga – MG
Pastor da Igreja Batista Bíblica em Jacutinga – MG
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