A geopolítica e a escatologia

Carlos Moraes  »   Editorial | junho 2022

Qualquer pessoa minimamente informada, sabe que, além da guerra na Ucrânia, há muitos embates simultâneos, até maiores, em várias partes do mundo. Para citar apenas alguns, Iêmen, Etiópia, Mianmar, Síria, Somália, Congo, Níger e Mali. Pela mídia corporativa, no entanto, parece que a guerra na Ucrânia é a única. Será que há seres mais humanos que outros? A vida de um ucraniano ou de um russo vale mais do que a de um iemenita, etíope, mianmarense, sírio, ou de qualquer outra nacionalidade? Do ponto de vista cristão não podemos menosprezar a morte de nenhum ser humano.

Quero mostrar de modo conciso, neste texto que, do ponto de vista escatológico, a guerra na Ucrânia precisa ser vista de modo especial. Trata-se de um conflito que pode ter muito a ver com o que deverá, em breve, ocorrer. Na escatologia bíblica a região onde está a Rússia desempenhará um papel importante relacionado ao início da tribulação e à manifestação do anticristo logo após o arrebatamento da Igreja. Não é uma questão de olhar para sinais, mas de analisar o nosso tempo com os olhos na escatologia bíblica. Para pregar adequadamente à nossa geração, é importante entendermos como é o contexto no qual vivemos.

As profecias relacionadas a Jesus Cristo, tem dois momentos identificados por plenitude. O primeiro é a “plenitude dos tempos” (Gl 4.3-5; Ef 1.10), a ideia de tempo completo, conforme pré-estabelecido. No segundo texto, a “plenitude dos gentios” (Rm 11.25-32), a idéia é de recomeçar algo que estava interrompido pelo que agora acaba e se completa. De qualquer forma, nas duas passagens a palavra plenitude transmite a ideia de uma mudança no modo de Deus agir. É a chegada de um tempo novo.

Na “plenitude do tempo” de Gálatas 4.4 e Ef 1.10, a referência é à primeira vinda de Cristo, o tempo de salvação, a dispensação da graça. Nesse tempo, o Messias “veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome” (Jo 1.11-13).

O período da Igreja, é o tempo referido em Romanos 11.25 “Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado”. Na dispensação da graça, todos os povos e nações estão no mesmo nível até que a Noiva (Igreja) de Cristo esteja completa, formada de todos os povos, tribos, lingas e nações, inclusive judeus que podem se converter e passar a fazer parte da Igreja, que é um só corpo (Jo 10.12).

Esse é o período em que as promessas relacionadas a Israel estão fora do foco devido a um intervalo. Terminado o período da Igreja com o arrebatamento, as profecias relacionadas a Israel voltam à cena, pois os “tempos dos gentios” que tiveram início na época de Nabucodonosor na Babilônia (Dn 2; Jr 25.9-11) continuam, sem interrupção, mesmo na atual dispensação. Assim, a “plenitude dos gentios” só pode terminar no final da tribulação quando “todo o Israel será salvo” (Rm 11.25-26). Ali o Reino Milenar (literal) será estabelecido, conforme profetizado – o trono de Davi.

Atualmente o mundo conta com 195 nações (ONU), e 6.912 línguas catalogadas (Ethnologue). No entanto, na escatologia bíblica, Deus trata todos esses povos e línguas, dividindo-os em apenas dois grupos: salvos e perdidos. Na escatologia são três grupos: Israel, as Nações (gentios) e a Igreja. Na atual dispensação Israel está enciumado (Rm 11.11) até que a Igreja seja formada pelos salvos, oriundos dos povos, inclusive de Israel que está endurecido apenas em parte, ou seja, temporariamente e nem todos. Israel, por sua vez, é o povo que Deus separou desde Abraão (Gn 12) para trazer ao mundo o Messias. Parte das profecias relacionadas a Israel já se cumpriram, e outras ainda não. As Nações, são todos os demais povos, fora Israel.

O anticristo e a tribulação, profecias ainda não cumpridas, nada têm a ver com a Igreja. Estão relacionadas à nação de Israel. Quando o anticristo se manifestar, será aceito como o Messias. Na encarnação Cristo foi rejeitado por Israel (João 1.11), mas quando o falso messias (anticristo) vier, eles o aceitarão (João 5.43). Isso acontecerá logo após o arrebatamento da Igreja, e serão enganados até à metade dos sete anos.

O que está ocorrendo atualmente, com os EUA unido militarmente à Europa Ocidental través da OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte, forçará a união da Rússia com a China e muitas outras nações orientais. Essa união será tanto econômica, quanto militar e, de acordo com a profecia bíblica, será uma confederação que procurará destruir Israel.

Exatamente aqui entra a profecia de Ezequiel 38 e 39 descrevendo o que chamamos de Guerra de Gogue e Magogue. Não confundir com a Guerra do Armagedom. Gogue e Magogue será o momento da revelação do anticristo como falso messias, aceito por Israel e pelas Nações, sem a presença da Igreja, que já terá sido arrebatada. Será o início da falsa paz que deixará de fora o Príncipe da Paz.

Já o Armagedom, mencionado em Apocalipse 16.16, será a batalha final entre Jesus Cristo, liderando o exército celestial, contra os reis da terra, acabando de vez com os governos humanos e estabelecendo o Milênio. (Daniel 2.44; Apocalipse 19.11-21).

Por isso, o cristão fica com um olho na geopolítica e o outro nas profecias bíblicas, pois sabe que tudo vai acontecer como profetizado. A prova de que tudo ocorrerá, do modo de Deus e no tempo certo, é o fato que todas as profecias sobre a primeira vinda de Cristo (“plenitude do tempo”) ocorreram de acordo com as mesmas fontes bíblicas.

Portanto, não importa quantas guerras ocorram neste tempo presente da Igreja. As duas guerras futuras, de acordo com a profecia bíblica, serão: Guerra de Gogue e Magogue e Batalha do Armagedom. A primeira dará início à tribulação e a segunda marcará o fim da tribulação e o início do Milênio (“plenitude dos gentios”).

Continuemos firmes, pois o Senhor Reina Soberano e Absoluto sobre todas as nações. Tudo tem seu tempo determinado. Maranata!

Uma resposta para “A geopolítica e a escatologia”

  1. Palmiro+Viana+Araújo disse:

    Gostei bastante deste comentário Biblico, muito bem esclarecido

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