4800 quilômetros

Paulo Arruda  »   outubro 2021

4.800 quilômetros é uma verdadeira história de fé, de como Deus pode agir por nós, apesar de nós. Por isso lhe convido a embarcar numa extraordinária viagem juntamente com a minha família, Eloina, Paulinho, Ivete e o nosso veículo, um Chevrolet, modelo Monza, ano de fabricação e modelo 1994/1994.

Findou o ano de 1999 e o nosso primeiro ano à frente da Igreja Batista em Araés, em Cuiabá/MT. A Diretoria da igreja nos informou de que estávamos de férias, que o mês de janeiro do ano 2.000 seria as nossas férias.

Havia recebido um convite para participar de um Congresso da Associação Missionária Independente – AMI, que ocorreria naquele mês de janeiro na Igreja Batista em Santo André/SP, porém até o momento não havia pensado muito em ir participar.

Cheguei em casa, avaliei toda a situação e as finanças, reuni a família e disse-lhes: Olhem, a igreja nos informou que estamos de férias, não tinha planos para ir pra nenhum lugar a não ser que fosse para um Congresso que acontecerá na cidade de Santo André, porém os nossos recursos são poucos, todas as nossas economias, o dinheiro que dispomos são apenas de R$ 200,00 (Duzentos reais), um pouco mais de um salário mínimo.

Nota. O salário mínimo no ano 2.000 foi de R$ 151,00 (Cento e cinquenta e um reais)

Continuei a relatar essa situação e perguntei à minha família se eles criam que poderíamos fazer essa viagem até São Paulo com apenas aqueles R$ 200,00 (Duzentos reais)? Fui ligeiramente respondido pelo Paulinho por uma questão que devolveria a mim a decisão e a firme demonstração de que verdadeiramente confiava no SENHOR, ele disse: “Se o senhor acredita, nós também acreditamos!”.

E assim partimos para a nossa jornada, as quais dividirei por etapas, para ser didaticamente mais compreensível a forma como Deus age, porém é de suma importância informar que tomamos uma decisão e que ela seria cumprida até o final, de não falarmos para ninguém sobre as nossas necessidades, exceto para Deus:

1ª. Etapa – Saímos de Cuiabá/MT e no primeiro dia atravessamos o Estado de Goiás, chegando até a cidade de Itumbiara, já na divisa dos Estados de Goiás e Minas Gerais. Aí pernoitamos e foi a primeira e a única vez que tivemos que pagar uma hospedaria;

2ª. Etapa – De Itumbiara, viajamos até a cidade de Orlândia/SP, onde fomos acolhidos pela família do Pr. Carlos Moraes. Na quarta-feira preguei na Igreja Batista Independente de Orlândia, onde o Pr. Carlos Moraes pastoreava e ao final do culto fomos abençoados com uma oferta de R$ 50,00 (Cinquenta reais);

3ª. Etapa – De Orlândia viajamos para a cidade de Ribeirão Preto, onde fomos acolhidos pela família dos nossos irmãos, velhos amigos de mocidade, Ivanildo e Anilza. Após alguns dias ali, quando estávamos nos despedindo, o Ivanildo me falou: “Eu vou na frente e você vem me seguindo, eu vou te mostrar a saída da cidade.” (Obs.: Naquela época nós ainda não tínhamos o famoso GPS). Portanto, assim fizemos, mas para nossa surpresa ao encontrar um posto de combustível o Ivanildo parou e fez sinal para que parássemos junto a uma bomba, desceu do seu veículo e falou para o frentista: “Pode encher o tanque dele.” Nós agradecemos de coração e seguimos nossa viagem;

4ª. Etapa – De Ribeirão Preto para Campinas, onde de igual forma fomos recebidos gentilmente pela família do Pr. Daniel de Santis. No domingo à noite tive a incumbência de levar a mensagem à igreja e ao término do culto ocorreram dois fatos inusitados; Primeiro, o Pr. Daniel agradeceu a nossa presença e pediu que nos conduzissem até a porta e que abríssemos as nossas bíblias a fim de que os irmãos quando passassem nos cumprimentando, deixassem também uma oferta para nós. Confesso que foi algo bem constrangedor, mas era Deus agindo e Ele age de umas formas bem estranhas; O segundo fato foi a ação de um irmão que, infelizmente não consegui gravar o nome, mas ele chegou comigo e perguntou se eu podia sair aquela hora com ele no meu carro para lhe fazer um favor, eu simplesmente respondi que sim. Ele disse vamos. Entramos no meu carro e ele foi me guiando até chegarmos a um posto de combustível, ele mandou eu encostar, falou ao frentista para encher o tanque e nessas alturas eu pensei que talvez fosse bem longe o lugar onde iríamos. Paga a despesa eu lhe perguntei: Agora, pra onde vamos? Ele disse: “De volta para a igreja, eu só queria lhe abençoar com o combustível.”

5ª. Etapa – De Campinas viajamos até a cidade de Caraguatatuba, onde uma família de nossa igreja em Cuiabá, Ariovaldo e Janete, possuíam uma casa de praia e nos convidaram para passar alguns dias com eles. Foram dias maravilhosos, na verdade nossas únicas férias em todo esse trajeto. Nessa cidade tivemos a oportunidade de visitar também a família da irmã Helena, pessoa que era de Manaus e havia mudado para ali e que a Eloina conhecia desde sua adolescência. Naquele dia fomos abençoados com um envelope entregue pelo seu filho e que depois vimos tratar-se de uma oferta de R$ 100,00 (Cem reais). No dia que íamos sair de Caraguatatuba, aconteceu mais uma vez, o irmão Ariovaldo, sob o pretexto de nos acompanhar até a saída da cidade, nos levou até um posto de gasolina e mandou que enchessem o tanque do nosso veículo, além de nos entregar um cheque, era uma oferta no valor também de R$ 100,00 (Cem reais);

6ª. Etapa – De Caraguatatuba para Santo André, onde fomos acolhidos pela família de nosso saudoso irmão Marcos Santos, que posteriormente foi consagrado ao pastorado e hoje já encontra-se na glória. Santo André era o nosso alvo, onde tivemos o privilégio de participarmos do Congresso da Associação Missionária Independente – AMI e onde fomos muito abençoados e fui eleito para fazer parte da Diretoria naquele ano. Incrivelmente, quando da nossa saída de Santo André, também sob o pretexto de nos mostrar a saída da cidade, o irmão Marcos nos conduz até um posto de combustível e nos abençoa com um tanque cheio;

7ª. Etapa – Saindo de Santo André, pegamos a Rodovia Castelo Branco e atravessamos o Estado de São Paulo, chegando até a cidade de Garças, onde tínhamos o desejo de conhecer um orfanato que era dirigido por um casal conhecido. Ficamos ali por um dia, hospedados no próprio orfanato;

8ª. Etapa – De Garças/SP viajamos até a cidade de Campo Grande/MS, onde chegamos já sem nenhum recurso e praticamente sem combustível. Fomos acolhidos na casa de nosso irmão Davi França, um companheiro que servira comigo na cidade de Novo Airão, no Amazonas. No domingo seguinte, pela manhã, fui convidado pelo saudoso Pastor Izauro a ministrar na Igreja Batista Universitária, e à noite, na Igreja Batista Central, Pr. Fridolim Jansen. Em ambas as igrejas fomos abençoados com generosas ofertas que nos possibilitaram retornar ao nosso destino final dessa viagem;

9ª. e última etapa – De Campo Grande/MS para Cuiabá/MT, viajamos com o mínimo necessário para as nossas despesas nesse trajeto, mas sabedores e confiantes de que o SENHOR Nosso Deus nos guiaria, como nos guiou e nos protegeu em todo o caminho. Chegamos ao anoitecer daquele dia em frente de nossa casa, o Paulinho desceu e foi abrir o portão. Coloquei o carro na garagem e de repente ouvimos o som de um dos pneus agora esvaziando. Descemos todos, oramos e agradecemos ao SENHOR por todo o cuidado para conosco, havíamos no período de 30 (trinta) dias, percorrido o total de 4.800Kms (Quatro mil e oitocentos kilometros). Tínhamos saído de casa apenas com R$ 200,00 (Duzentos reais), mas Ele não permitiu que passássemos fome, nem sede, nem necessidade alguma e até os pneus do veículo, nenhum furou durante todo o trajeto, só quando já tínhamos chegado, seguros em casa, foi que um dos pneus esvaziou.

Deus seja louvado!

A todos aqueles que aqui foram citados e também àqueles que não foram, que mesmo sem saber, participaram da forma maravilhosa de como Deus cuidou de minha família, eu agradeço de coração, em nome de Jesus, pedindo que Ele sempre vos retribua com muito mais!

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